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      Rivalidades
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      Dérbi de Madrid: Atlético x Real

      Texto por Pedro Marques Silveira
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      Real e Atlético: o amor pela cidade de Madrid parece ser o principal ponto em comum dos dois grandes da capital espanhola. Nascidos no começo do século passado, os dois emblemas partilham uma rivalidade das mais antigas da Europa que, com o passar dos anos, ultrapassou as fronteiras da cidade e estendeu-se ao resto de Espanha e, mais tarde, ao Mundo.

      Um ano de diferença

      São cerca de oito quilómetros que separam o Santiago Bernabéu do Vicente Calderón, mas a distância entre os atléticos e os madridistas é muito maior que isso. No entante, nem sempre foi assim... O Atlético nasceu quando um grupo de bilbaínos, que tinha assistido a um jogo entre o Athletic de Bilbau e o Madrid FC (1), resolveu fundar uma filial dos bascos: assim nasceu o Athletic Club de Madrid.

      O Madrid FC fora fundado um ano antes por "rapazes de boas famílias" pertencentes à Institución Libre de Enseñanza que haviam descoberto o jogo em Inglaterra e o tinham ajudado a introduzir na capital espanhola, fundando o Sky em 1897. Quando o Sky se encontrava em grandes dificuldades, os seus integrantes resolveram fundar um novo clube que nasceu a 6 de março de 1902 como Madrid Foot-Ball Club. Este clube, que os bascos defrontaram um ano depois, levou à formação do Atlético.

      Partilhas

      Ao longo da história, os dois rivais partilharam muitas coisas, como o intérprete do hino ou o estádio, quando, após a Guerra Civil Espanhola, o Atlético ficou sem o seu Estádio Metropolitano, localizado perto da frente de batalha durante o longo cerco dos nacionalistas e feito em pedaços quando o conflito terminou. O Real emprestou o seu palco ao Atlético e os dois conviveram na mesma casa em Chamartín - hoje o Santiago Bernabéu -, fazendo com que o Atlético tenha jogado em casa no campo do velho rival.

      Ao longo dos anos, os rivais também partilharam jogadores que tanto vestiram a camisola blanca como a rojiblanca. Os principais destaques entre esses jogadores vão obviamente para Julián Ruete, Monchín Triana, Ramón Grosso, Paco Llorente, José António Reyes, o mexicano Hugo Sánchez ou o alemão Bernd Schuster que, além de mais, ainda vestiu a camisola do Barcelona.

      Já Luis Aragonés, José Luis Camiñero e Raúl González vestiram a camisola do rival nos escalões de formação, mas jogaram no outro na carreira adulta. Aragonés e Camiñero cresceram no Real, mas brilharam no Atlético e Raúl fez o percurso inverso. Curiosamente, o que poucos recordam é que Santiago Bernabéu também trocou a camisola blanca pela rojiblanca na época de 1920/21, fruto da sua grande amizade com o então presidente do Athletic, Julián Ruete.

      Como a Federação não permitiu que se inscrevesse para jogar oficialmente porque ainda não tinha passado um ano da desvinculação do clube anterior, Bernabéu acabou por não fazer nenhum jogo oficial com a camisola do rival, regressando entretanto ao seu clube arrependido pela experiência.

      Celebrações e alcunhas

      Em tempos, os dois clubes partilharam até o local das celebrações: a famosa Praça Cibeles, que os adeptos do Atleti escolhiam sempre como o palco central das suas celebrações e que os adeptos do Real começaram também a utilizar. Mas, durante um longo período de jejum de títulos do Atlético em que as festas na Cibeles foram privilégio exclusivo dos blancos, os adeptos do Atlético resolveram mudar de lugar, descendo 600 metros para a Praça de Neptuno e invocando que a Deusa e a fonte haviam ficado contaminados pelos festejos madridistas. 

      Outro motivo de polémica entre os adeptos dos dois clubes são os nomes adoptados. Se blancos e rojiblancos se explicam facilmente pelas camisolas, respetivamente de Real e Atlético, já merengues e colchoneros não serão tão facilmente percebidos por um adepto português, mas a razão prende-se, novamente, com a cor das camisolas, já que o equipamento do Real, todo branco, fazia lembrar os merengues, um doce branco a fazer lembrar os portuguesíssimos suspiros.

      Por sua vez, os colchoneros eram assim conhecidos porque, nesse tempo, era comum os colchões de cama serem listados a vermelho e branco no certame espanhol.

      Se estas alcunhas remontam às cores dos equipamentos, já os vikingos (Real) e os indios (Atlético) têm outro motivo por detrás. Quando o Real Madrid começou a contratar jogadores de leste na década de 50, os adeptos do Atlético começaram a chamar aos jogadores do Real de vikingos porque alguns daqueles jogadores eram altos e loiros. A resposta dos madridistas não se fez esperar e os jogadores do Atlético passaram a ser índios porque o clube contava com muitos jogadores no seu onze provenientes da América Latina.

      Raízes e crescimento

      Até no berço os rivais são bem distintos. O Atlético foi fundado por estudantes e emigrantes bascos em Madrid, gente sem muitas posses, o que, durante os primeiros anos da sua história, marcou o caminho do clube. 

      Já o Real Madrid, clube fundado por jovens de boas famílias - alguns de Barcelona como os irmãos Padrós - e de gente da nobreza e alta burguesia, sempre foi um clube com dinheiro e bem quisto entre as elites madrilenas. Abonados, os dirigentes do Madrid conseguiram alugar um campo na Avenida da Praça de Touros. Depois surgiu o Campo O´Donnell e, mais tarde, o Estádio de Chamartín, que depois daria lugar ao atual Santiago Bernabéu. 

      Localizando-se na Castellana e Chamartín, que até à Guerra Civil Espanhola era um arrabalde de Madrid, o Real apostava no futuro, sem saber que esta zona viria a ser uma das zonas nobres da segunda metade do século. A 29 de junho de 1920 chegara a coroa o título de Real: definitivamente, o Madrid era um clube querido nas mais altas esferas da sociedade espanhola. 

      O clube operário

      Como filial do Athletic, o Atlético não pôde jogar oficialmente durante épocas a fio. O seu primeiro campo era a Ronda de Vallecas, nesse bairro dos arredores da capital. Em 1921, já desvinculado da «Casa Mãe», o Atlético aceitou a proposta da Companhia Urbanizadora Metropolitana e mudou-se para o novo Estádio Metropolitano que seria a sua casa até o clube se mudar para o Vicente Calderón em 1966, mítico estádio cuja demolição ficou concluída em 2020. Atualmente, os rojiblancos atuam no moderno Wanda Metropolitano, recinto para onde se mudaram em 2017/18.

      Desde sempre, o Atlético ficou localizado na zona sul da cidade onde encontrou a sua massa associativa entre os proletários e a pequena burguesia. O centro histórico e os bairros da Latina e a Porta de Toledo, com o seu pequeno comércio e oficinas, tornaram-se zonas maioritariamente de colchoneros. Depois do novo estádio ter sido construído em Arganzuela, nas margens do Manzanares, o Atlético aprofundou ainda mais o seu domínio na zona sul da capital.

      Contudo, com as diversas migrações e a transformação que a cidade sofreu na segunda metade do século XX, a ligação dos adeptos de cada clube a uma determinada zona diminuiu, esbatendo-se assim as "fronteiras" entre os dois clãs. 

      Histórica rivalidade no campo

      O primeiro encontro entre ambos, a contar para a edição de 1906/07 do Campeonato de Madrid, terminou com a vitória do Madrid FC por 2x1 sobre a filial do Athletic. Na primeira época em que os dois se defrontaram em jogos da Liga, o Real venceu por 2x1 em casa e 0x3 fora, começando a cimentar, desde a primeira edição, uma liderança sobre o rival que o passar dos anos foi-se consolidando, apesar do grande crescimento colchonero no século XXI.

      Ao longo dos anos, o Real afirmou a sua superioridade em títulos e conquistas na Europa, assim como nas vitórias sobre o velho rival. Nas primeiras décadas, a superioridade do Real era natural, dado que o Atlético era uma mera filial do Athletic, mas foi só depois da década de 50 que os blancos arrancaram para uma série de conquistas que deixaram os rivais «a milhas» de distância.

      Se no fim dos anos 40 o Atlético tinha três títulos de campeão contra dois do Real, uma década mais tarde os números já se tinham invertido com o Real a somar seis quatros aos quatros dos colchoneros

      Enquanto internamente o Real ultrapassava o Atlético e aproximava-se do Barcelona, na Europa a equipa blanca começava a escrever a sua lenda como maior clube do Mundo, conquistando a Taça dos Campeões Europeus durante cinco épocas seguidas com uma equipa onde brilhavam entre outros Gento, Kopa, Puskás e Di Stéfano...

      No fim da década de 60, em que o Real conquistou a «sexta», o Atlético somava seis Ligas contra 14 do rival, um fosso que os colchoneros jamais conseguiram reverter no resto do século.

      No ano 2000, os merengues contavam 27 títulos de campeão de Espanha contra 9 do rival, ao que somavam oito Liga/Taça dos Campeões, para somar um total de 63 troféus contras os 23 do Atlético, a diferença era considerável.

      O grande dérbi

      Seria já no novo milénio que as duas equipas se defrontaram no mais importante dérbi da história, em Lisboa, na final da Liga dos Campeões. A capital portuguesa foi invadida por adeptos dos dois clubes que chegaram à cidade banhada pelo Tejo com o sonho de ver o seu clube sagrar-se campeão da Europa.

      Os do Real sonhavam com a 10.ª, sonho que durava desde a última conquista em 2002, enquanto os do Atlético pediam aos deuses que a «orelhuda» fosse fazer companhia às duas Taças UEFA e à Taça das Taças que já moram nas vitrinas do Vicente Calderón. 

      Godín adiantou o Atlético mas nos descontos Sérgio Ramos empatou. No prolongamento as camisolas brancas foram mais fortes e o Real venceu por 4x1, selando a vitória com um golo de Cristiano Ronaldo.

      Nessa noite Madrid dividiu-se entre a festa e a desilusão, demonstrando melhor que nunca se é verdade que a cidade os une, o coração definitivamente os separa.

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      (1) Só em 1920, e por decreto do Rei Afonso XIII é que o clube receberia o título de Real. 

      Comentários (2)
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      motivo:
      Muito bom
      2016-02-27 02h43m por SilverArrow
      ". . . quando após a Guerra Civil Espanhola, o Atlético ficou sem o seu Estádio Metropolitano, localizado perto da frente de batalha durante o longo cerco dos nacionalistas e que ficou em destroços quando o conflito terminou. O Real emprestou o seu palco ao Atlético e os dois conviveram na mesma casa em Chamartín - hoje o Santiago Bernabéu -, fazendo com que o Atlético tenha jogado em casa no campo do velho rival. "
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      2015-10-04 12h27m por poli01
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      Lotação81044
      Medidas105x68
      Inauguração1947