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      Liga Espanhola 2004/2005
      Grandes jogos

      Levante x Barcelona: O início da hegemonia catalã

      Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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      Clube de referência em Espanha, o Barcelona não se deu bem com o virar do século. A explosão do Real Madrid, principalmente a nível europeu, não ajudou, mas foram mesmo os problemas internos que retiraram competitividade a um gigante que tinha vivido a sua noite mais importante uns anos antes, na famosa Dream Team, orientada por Johan Cruyff. Zidane, Beckham, Figo, Ronaldo iam brilhando, o Deportivo e o Valência iam construindo uma história bonita e não havia quem conseguisse encaminhar o Barça para o trilho das vitórias. 

      No processo de recuperação, o ano de 2003 tem de ser encarado como decisivo. Com uma ligação muito especial ao futebol holandês, o Barça apostou na contratação de Frank Rijkaard para o comando técnico. O clube foi mais assertivo e seletivo no mercado de transferências, dando primazia à qualidade em detrimento da quantidade, e teve um olhar muito especial para a sua formação, com Valdés e Iniesta a subirem ao patamar mais alto. 

      Mas o que verdadeiramente fez a diferença nesse verão foi a chegada de Ronaldinho Gaúcho, campeão do Mundo na Coreia e no Japão. O Barça já tinha tido Romário, Ronaldo, Rivaldo...porque não mais um «érre» brasileiro? Ainda por cima, já se sabia que este jogador podia dar uma criatividade e uma magia que estavam afastadas do futebol da equipa há já algum tempo. O homem dos dentes para fora acabou com mais de 20 golos e deixou água na boca aos adeptos catalães e não só. 

      O segundo lugar e a época razoável de 2003/2004 mostravam que este Barcelona estava pronto para, pelo menos, lutar pelo título com outra força e estatuto. O ataque ao mercado no ano seguinte voltou a ser muito inteligente e a Camp Nou chegaram Giuly, figura do Mónaco, finalista vencido da Champions, Edmílson, titular da seleção brasileira campeã do Mundo em título, Larsson, mítico avançado do Celtic, Deco, um dos melhores jogadores do planeta na temporada anterior, e, claro, Samuel Eto´o. Começava-se a formar uma equipa a sério!

      Escolhidos os jogadores, era tempo de passar das palavras aos atos, da esperança ao relvado. Apesar de não ter sido uma época perfeita, com as eliminações relativamente precoces na Taça do Rei e na Liga dos Campeões a ensombrar, aos pés do Chelsea de José Mourinho, o Barcelona teve a arte e o engenho de ser consistente, regular e de nunca ter tido grandes oscilações, sendo esses predicados normalmente decisivos para a conquista de maratonas como são os campeonatos, especialmente os mais complicados.

      Ronaldinho, o grande protagonista ©Getty /

      A primeira derrota surgiu apenas em novembro, diante do Bétis, mas, logo na jornada seguinte, na receção ao Real Madrid, um triunfo esclarecedor por 3x0 deixou os adeptos mais descansados. Os catalães eram já uma equipa bem oleada, criativa, rápida, inventiva, forte no jogo posicional e nas transições, consistente do ponto de vista defensivo, capaz de deixar as grandes individualidades confortáveis e libertas. A diferença era já de sete pontos face ao grande rival... 

      Tendo em conta as muitas vitórias, as boas exibições e a instabilidade do Real Madrid, os dois desaires, na casa do Villarreal e contra o Atlético de Madrid, em pleno Camp Nou, que a equipa teve até ao início de abril não foram muito comprometedores. É verdade que a diferença chegou a estar nos quatro pontos, mas do lado blanco a inconsistência e a irregularidade teimavam em estragar o trabalho feito por todas aquelas estrelas galácticas. Quando os catalães perderam por 4x2 no Bernabéu, na pior noite da época, ainda seis pontos separavam os dois candidatos ao título a sete jornadas de distância. 

      O Barcelona não sentiu o peso da derrota no clássico e foi ganhando consecutivamente e ficando cada vez mais perto do regresso aos títulos. Tudo ficou adiado para o dia 14 de maio, já depois do Barça ter garantido os três pontos decisivos na deslocação ao Mestalla e já depois, também, de Messi ter feito o seu primeiro de muitos golos com a camisola blaugrana. Ao mesmo tempo, o futuro campeão Barça jogava no terreno do Levante e o Real Madrid no terreno do Sevilha. Só um triunfo dos blancos e um desaire da equipa de Rijkaard podia adiar a discussão por mais uma jornada. 

      Ao intervalo, os catalães perdiam, mas o Real, mais uma vez, demonstrava a mesma inconsistência e estava apenas empatado no Sanchéz Pizjuán. Na segunda parte, um golo de Samuel Eto’o, que terminaria com os mesmos golos de Forlán no topo dos melhores marcadores, fez a diferença e permitiu ao Barcelona festejar cinco anos depois. Era o triunfo de uma filosofia, de um técnico, de um grande conjunto de jogadores que funcionaram bem melhor em equipa do que os Galácticos de Madrid. Era, acima de tudo isto, o início de uma hegemonia que marcaria a história do futebol espanhol. 

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      jogos históricos
      U Sábado, 14 Maio 2005 - 21:00
      Ciutat de València
      1-1
      Alberto Rivera 34'
      Samuel Eto’o 61'
      Estádio
      Ciutat de València
      Lotação25534
      Medidas107x70
      Inauguração1969