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      Ricardo: O Labreca

      Texto por Miguel Amaral
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      Ricardo é uma figura com lugar especial no coração de cada português. O irreverente Labreca fez da defesa de penáltis a sua principal especialidade e brilhou ao serviço da Seleção das Quinas, onde atingiu os principais momentos da sua carreira nos grandes palcos do futebol mundial.

      O guardião do Montijo, com uma aptidão natural para utilizar os pés, teve também passagens marcantes por Boavista e Sporting, onde se destaca o inesperado título nacional ao serviço dos axadrezados. Nunca consensual e criticado várias vezes pela opinião pública, não deixa de ter um lugar nos melhores portugueses de sempre na sua posição.

      Aptidão pela baliza, gosto por marcar golos

      Filho de pai camionista e mãe empregada de escritório, o pequeno Ricardo começou a desenvolver a paixão pelo futebol nas ruas do Montijo. Num torneio regional recebe a alcunha de Labreca por um treinador, devido ao seu estilo irreverente lembrar um antigo guardião da zona.

      A sua formação foi dividida entre a aptidão para a baliza e o gosto por jogar no ataque e marcar golos – um dos motivos para a facilidade a jogar com os pés. Aos 16 anos, o ultimato do treinador Eusébio no Clube Desportivo do Montijo obrigou Ricardo a concentrar esforços na posição de guarda-redes, onde viria a realizar uma excelente carreira.

      Foi no clube da terra que Ricardo se estreou como sénior. Após uma mudança de treinador, o técnico Mário Nunes apostou no jovem e o guardião terminou a época 1994/95 a titular na II Divisão Nacional. O potencial e capacidade que revelou atraíram o interesse de alguns clubes de topo em Portugal.

      Quinito esteve perto de o levar para Guimarães, mas um amigo de Manuel José, na altura treinador do Boavista, conseguiu convencer Ricardo a rumar aos axadrezados, onde assinou contrato aos 18 anos, após uma semana de período à experiência. O menino do Montijo mudava-se para a Invicta.

      ©Getty / Peter Schatz
      As oportunidades nas panteras não chegaram logo para Ricardo, que trabalhou na procura do seu momento - havia Alfredo, depois também houve William, com quem dividia o protagonismo das luvas. Manuel José teve um papel importante no desenvolvimento do jovem, sendo uma dor de cabeça devido ao excesso de confiança do guarda-redes em arriscar de bola nos pés.

      A 8 de dezembro de 1996, o menino teve a sua estreia ao serviço dos axadrezados, sendo aposta do interino Rui Casaca num encontro da Taça de Portugal frente ao Estrela de Vendas Novas. Mário Reis chegou ao clube nos dias seguintes, mas Ricardo segurou um lugar na baliza do Boavista.

      O final da época 1996/97 não podia ser mais feliz para Ricardo, que conquistou no Jamor o seu primeiro título ao serviço de Boavista e logo contra um dos seus ídolos, Michel Preud´homme, então guarda-redes do Benfica (3x2).

      ©Getty / AFP
      Ricardo levantou também a Supertaça e seguiu como titular na temporada seguinte. Após alguns anos de menor utilização, a sua carreira atingiu um nível superior em 2000/01. Conseguiu ganhar em outubro o lugar a William e foi uma das grandes figuras na campanha fantástica do Boavistão de Jaime Pacheco, que culminou na conquista inédita do Campeonato Nacional pelo clube.

      O guarda-redes seguiu como figura dos axadrezados nas épocas seguintes, jogando a Liga dos Campeões, e acabou por ter um verão agitado em 2003. Após ver encerradas sem sucesso longas negociações com o Benfica, um rápido ataque do Sporting levou-o para Alvalade, onde foi titular indiscutível e mereceu a confiança dos técnicos Fernando Santos, José Peseiro e Paulo Bento.

      ©Getty / FRANCOIS XAVIER MARIT
      A época 2004/05 foi especialmente agridoce para o guardião. Os leões fizeram uma boa campanha europeia e no campeonato nacional, só que, em apenas quatro dias, uma derrota na Luz – o conhecido lance com Luisão - e em Alvalade na final da Taça UEFA frente ao CSKA Moscovo, os leões deitaram tudo a perder.

      Apesar de se afirmar como uma das principais figuras do plantel leonino, Ricardo nunca foi consensual entre os adeptos. No fim da temporada 2006/07, decidiu abandonar os verdes e brancos ao fim de 158 jogos e uma Taça de Portugal conquistada.

      Os momentos de glória com as Quinas ao peito

      Foi, sem dúvida, ao serviço da seleção portuguesa que Ricardo viveu os momentos mais marcantes da sua carreira. Ainda no Boavista, estreou-se com a camisola das Quinas em Dublin, no dia 2 de junho de 2001, sendo aposta de António Oliveira no resto da qualificação para o Mundial do ano seguinte.

      Só que, apesar do bom rendimento do homem natural do Montijo, foi Vítor Baía quem defendeu a baliza lusa no Campeonato do Mundo de 2002, de má memória para Portugal e que resultou numa surpreendente eliminação na fase de grupos. Com a chegada de Luiz Felipe Scolari – criou uma ligação especial ao brasileiro - ao comando da seleção, Ricardo assumiu definitivamente as redes portuguesas.

      ©Getty / NICOLAS ASFOURI
      No Euro 2004, Ricardo viveu provavelmente a noite mais fantástica da sua carreira. Perante um Estádio da Luz lotado, a decisão entre Portugal e Inglaterra nos quartos de final arrastava-se nas grandes penalidades. Aí, Beckham e Rui Costa falharam e muitos outros marcaram, numa eternização da decisão que foi irritando o Labreca, até este decidir assumir o papel de herói, ao descalçar as luvas para defender um penálti de Darius Vassell, selando depois o apuramento na conversão da sua grande penalidade decisiva. 

      A campanha portuguesa no Euro viria a terminar de forma dolorosa na final contra a Grécia. Dois anos mais tarde, no Mundial 2006, Ricardo voltou a ser um pesadelo para os ingleses e, em mais uma fantástica exibição, segurou os remates dos craques Frank Lampard, Steven Gerrard e Jamie Carragher, para voltar a eliminar os britânicos no desempate por grandes penalidades e… nos quartos de final de uma grande competição.

      Desta vez, Portugal caiu nas meias-finais contra a França. A baliza lusa continuou a ser de Ricardo no Euro 2008, competição que marcou o fim da era de Luiz Felipe Scolari no comando da seleção das Quinas. 

      ©Catarina Morais
      A chegada de Carlos Queirós ditou o término do percurso de Ricardo com a camisola portuguesa onde, além das 79 internacionalizações (só mais de uma década depois seria passado por Rui Patrício, na liderança da lista de guardiões com mais jogos por Portugal), leva momentos dignos de grande orgulho.

      As experiências internacionais e o final de carreira

      Cansado da pressão que sofria em Portugal e com vontade experimentar outras paragens, Ricardo rumou ao Real Betis no verão de 2007. O percurso na cidade de Sevilha foi de sucesso nas duas primeiras épocas. No entanto, após o clube descer de divisão, o guarda-redes e outros atletas estrangeiros foram afastados do plantel, surgindo depois problemas e envolver o presidente Lopera.

      ©Catarina Morais
      Após este final de passagem traumático no Real Betis, o guardião pensou em pendurar as luvas. Porém, um convite de Sven-Goran Eriksson – selecionador inglês em 2004 – levou Ricardo para o Leicester City do Championship, onde realizou oito jogos num sítio para «onde devia ter ido mais cedo».

      Uma lesão grave num ombro afetou a sua passagem por Inglaterra. O seu gosto por competir e o sentimento de ainda ter algo para dar ao futebol levou-o, após longa recuperação, até ao Vitória FC, terminando a sua carreira no Olhanensena época 2014/15.

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