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José Luis Chilavert: o «defensor del Chaco»

Texto por João Pedro Silveira
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A América Latina sempre teve guarda-redes carismáticos que aliavam à sua enorme capacidade técnica uma magia que os tornava o centro das atenções.

Defender com alma mas acrescentar sempre mais um pequeno extra aos espectadores, parecia ser o seu lema. Mais do que uma grande defesa, dos magos das redes latino-americanas esperava-se sempre um truque de magia, uma acrobacia impossível, um passe de morte ou até mesmo um golo de antologia para incendiar a cancha...
 
Guarda-redes como o colombiano Higuita, o brasileiro Rogério Ceni ou o mexicano Jorge Campos são exemplos perfeitos dessa simbiose entre a fantasia e a técnica que encantaram os amantes do futebol durante décadas. Mas não haverá em todo o continente - e talvez no mundo! - guarda-redes que encarne mais esse espírito que o Paraguaio José Luis Chilavert.
 
A alma guarani
 
Chilavert veio ao mundo a 27 de Julho de 1965 em Luque no Paraguai, um país pobre, que nasceu "encurralado" entre o Brasil e a Argentina, sem acesso ao mar, e alvo constante da cobiça dos seus vizinhos. Num país em que 75% da população é mestiça -cruzamento de sangue índio e europeu -, e onde a cultura dos índios guarani está mais viva do que em qualquer outro país do continente, os feitos da sua selecção nacional levantam bem alto o orgulho nacional que sempre viveu vergado à história trágica do país.
 
Chilavert levava para o campo toda essa alma e raiva guarani e encarava cada jogo como se fosse a última partida, ou a última batalha da Guerra del Chaco
 
Desde jovem marcou o seu percurso com polémica e feitos sui generis: partiu o nariz a um avançado do Independiente quando jogava no San Lorenzo; sofreu um golo quando jogava no Zaragoza porque estava a festejar o golo que tinha acabado de marcar; marcou um livre de antes do meio-campo contra o River Plate quando jogava no Velez Sarsfield; agrediu Faustino Asprilla num Paraguai x Colômbia; cuspiu no lateral esquerdo brasileiro Roberto Carlos quando este lhe chamou índio e reclamou que o Brasil devia devolver território ao Paraguai “roubado” no século XIX...
 
Uma carreira recheada de prémios
 
Numa carreira de altos e baixos esteve presente em dois mundiais (1998 e 2002) como capitão e maior estrela do Paraguai.  A selecção guarani caiu nas duas vezes nos oitavos de final perdendo ambas as partidas por 0x1 - primeiro com franceses, depois com alemães. Ganhou quatro ligas da Argentina, uma do Paraguai e uma do Uruguai; ganhou todas as competições de clubes sul-americanas, destacando-se a Taça Libertadores, ganhou uma Taça Intercontinental contra o AC Milan e na Europa venceu ainda uma Taça de França.
 
A nível individual marcou 44 golos nos clubes onde jogou, e marcou mais oito pela sua selecção. Apontou um hat-trick,  ganhou três vezes o prémio de melhor guarda-redes do mundo da IFFHS.
 
Polémico, carismático, um líder nato, dotado de bons reflexos, um especialista em bolas paradas, Chilavert foi e é ainda para muitos adeptos a alma do futebol paraguaio.

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José Luis Chilavert
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