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Monteiro da Costa: herói azul

Texto por João Pedro Silveira
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António Henrique Monteiro daAntónio Henrique Monteiro da Costa nasceu no dia 20 de Agosto de 1929. Sp. Espinho 146-48, Oliveirense 48-49, fcp 49-62
António Henrique Monteiro da Costa é um nome incontornável da história do Futebol Clube do Porto. O jogador «azul e branco» é um dos grandes símbolos do portismo, que brilhou num período muito complicado do clube, quando aqueles que estavam longe de ainda serem dragões, viviam à sombra dos feitos de Sporting e Benfica - e até de certa forma o Belenenses - atravessando um longo período de jejum, que só seria quebrado em 1955/56, com Monteiro da Costa como um dos principais responsáveis da conquista.
 
Foi  também o principal herói da vitória por 0x2 em Lisboa, sobre o Benfica, em 1951, a única vitória - para o campeonato - em que os portistas venceram as águias fora por mais de um golo de diferença. Só em mais duas ocasiões - que demoraram décadas a chegar -, os «azuis e brancos» voltariam a bater o Benfica por mais de um golo de diferença. No histórico 0x5 na Supertaça de 1996 e o 1x3 com que o Porto de Villas-Boas eliminou o Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal em 2011.
 
Primeiros anos
 
Com dez golos marcados ao Benfica, feito só igualado por Pinga e Fernando Gomes, o capitão Monteiro da Costa ganhou um lugar no coração da família portista.
Nascido a 20 de agosto de 1929, em São Paio de Oleiros, concelho de Santa Maria da Feira, Monteiro da Costa veio ao mundo num período difícil. Havia três anos que um golpe militar derrubara a Primeira República. O país vivia um período de transição da Ditadura Militar, começada a 28 de maio de 1926, para a institucionalização do Estado Novo.
 
Poucos meses depois do seu nascimento, o crash da bolsa de Nova Iorque, arrastou a América, e com ela o mundo para a Grande Depressão. Portugal, já debaixo do jugo de Salazar, pareceu passar um pouco ao lado do tumulto, apesar a pobreza que grassava no país.
 
Longe das «políticas» de Lisboa e Porto, a província parecia viver num outro tempo. Monteiro da Costa cresceu longe dessas confusões e desde pequeno que encontrou na bola, uma companheira e uma amiga. O futebol seria desde tenra idade uma paixão. Começaria no vizinho Sp. Espinho, jogando depois na Oliveirense, antes de ser chamado ao FC Porto.
 
Portista de coração
 
Na Invicta, o seu coração «azul-e-branco» rejubilou por treinar e alinhar ao lado de alguns dos seus heróis. Em treze épocas, jogou em algumas das mais excecionais equipas do FC Porto, ao lado de verdadeiros craques como o rei das balizas Barrigana, o mágico Araújo, Miguel Arcanjo, o maravilhoso Hernâni, Jaburu, Carlos Duarte, o leão de Génova Virgílio, Zé Maria Pedroto ou o inconfundível Osvaldo Cambalacho.

Quase que apetece perguntar porque é que o FC Porto não ganhou mais, mas depois lembramos o Sporting dos «cinco violinos» e os golos de Peyroteo. Recordamos o surgir do Benfica de José Águas, Coluna, que fazia antecipar a chegada de Eusébio e era dourada benfiquista...
 
No miolo do meio campo portista, com um pulmão de fazer inveja a colegas e adversários, Monteiro da Costa era o que se convencionou chamar de «pau para toda a obra», alinhando em todas as posições em que era necessário, com exceção da baliza.
 
Capitão goleador
 
A sua segurança defensiva, fazia com que fosse por diversas vezes chamado a atuar a central, outras vezes jogava à frente da defesa, fazendo o papel de «carregador de piano», mas também não tinha pejo em subir lá à frente, onde marcou 72 golos em 270 jogos com a camisola azul-e-branca. Entre os seu feitos, contam-se os dez golos apontados ao Benfica, dois deles na famosa vitória, que fazem de Monteiro da Costa, recordista de golos em jogos contra o Benfica, feito partilhado com os igualmente históricos Pinga e o «bibota» Fernando Gomes.

Era um capitão respeitado, figura carismática, um exemplo de dedicação e senhor de uma retidão reconhecida inclusive pelos adversários. A sua dedicação e amor ao clube era tal, que foi considerado um dos primeiros jogadores «à Porto», uma imagem que perdurou no tempo para ilustrar o tipo de jogador «azul-e-branco» com que Zé Maria Pedroto formou a equipa que quebrou o jejum de títulos no fim da década de setenta, e com que Pinto da Costa lançou o clube à conquista do país e do mundo, da década de oitenta em diante.

Seleção e o adeus

Na seleção, vestiu a camisola das quinas em quatro ocasiões, estreando-se precisamente no Estádio das Antas, num empate a uma bola com a Áustria, em novembro de 1952, na primeira de quatro internacionalizações. Despediu-se em novo empate a uma bola, contra a Irlanda do Norte em Alvalade

No Porto, capitaneou a equipa, até pendurar as botas em 1962. Continuou no clube, treinando as camadas jovens e não negando orientar a equipa principal do clube, em momentos complicados, na década de 1970.

Passou também pelo vizinho Salgueiros, mas o seu coração era 100% azul e branco. Faleceu prematuramente, a 2 de agosto de 1984, deixando enlutada a sua família e toda a nação portista. 
O tempo da Grande Depressão, que o crash da bolsa de Nova Iorque inaugurou em Outubro de 1929, coincidiu com o período
de transição da Ditadura Militar, iniciada em 28 de Maio de 1926, para a institucionalização do novo regime político que perduraria até à Revolução de Abril de 1974.
Após a carreira de futebolista, nele perdurou a disponibilidade para ajudar o F.C. Porto. Em momentos difíceis da equipa aceitou comandá-la, como treinador (em parte das épocas 1974/75 e 1975/76). Costa nasceu no dia 20 de Agosto de 1929.
Um dos chamados "pau para toda a obra", jogador polivalente, ocupou todas as posições excepto a de guarda-redes.
Alinhou frequentemente como defesa-central, evidenciando segurança e qualidade. Outras posições em que tinha alto rendimento eram as de médio-ofensivo ou avançado. Concretizava inúmeros tentos nas balizas adversárias e, nos treze anos em que serviu o F.C. Porto (1949 a 1962), só no campeonato fez 72 golos em 270 jogos.
Em Janeiro de 1951 foi o herói da extraordinária vitória por 2-0, sobre o S.L. Benfica, no Campo Grande em Lisboa, pois marcou ambos os golos.
Actuou nas equipas excepcionais que, nos anos 50, ganharam 2 Campeonatos e 2 Taças de Portugal. Colaborou com vários treinadores entre os quais os campeões Yustrich e Guttmann, jogou com excelentes futebolistas como Barrigana, Virgílio, Miguel Arcanjo, Osvaldo Cambalacho, Pedroto, Carlos Duarte, Jaburu, Carlos Vieira e Hernâni.
O seu nome figura na lista dos "capitães" mais carismáticos da história do Futebol Clube do Porto. Foi de uma entrega e dedicação inexcedíveis, nada regateando ao seu amado clube.
Após a carreira de futebolista, nele perdurou a disponibilidade para ajudar o F.C. Porto. Em momentos difíceis da equipa aceitou comandá-la, como treinador (em parte das épocas 1974/75 e 1975/76).
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