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      Wayne Rooney: O Pitbull Inglês

      Texto por Francisco Paulo Carvalho
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      Wayne Mark Rooney nasceu a 24 de outubro de 1985, na mítica cidade de Liverpool, Inglaterra. Cresceu na cidade dos Beatles e cedo, aos 9 anos, ingressou nas escolas de formação do Everton, rival do maior clube da cidade.

      Apesar da baixa estatura, o pequeno jogador inglês rapidamente se começou a destacar nas camadas jovens dos Toffees, especialmente no que a marcar golos dizia respeito, e começou a queimar etapas, chegando à equipa principal do Everton com apenas 16 anos.

      A sua estreia enquanto profissional deu-se a 17 de agosto de 2002, na 1ª jornada da Premier League, num jogo foi titular - jogou 67 minutos - e em que o Everton empataria 2x2 com o Tottenham. Nesse jogo, Rooney não marcou, mas cedo começou a deixar água na boca, com os envolvidos com a equipa de Merseyside a perceberem que tinham ali um diamante em bruto. Além disso, tornou-se, na altura, o segundo jogador mais novo de sempre a estrear-se pela equipa principal do Everton.

      ©Clive Brunskill / Getty Images
      Quanto aos golos, e a estreia a marcar pela equipa principal, esses chegaram apenas mês e meio depois, quando o Everton foi à casa do modesto Wrexham – atualmente na 5ª divisão do futebol inglês – vencer por 0x3, num encontro referente à Taça da Liga. Rooney foi a figura maior do encontro ao marcar dois golos, começando aqui o que seria uma longa carreira de golos. Por sua vez, a estreia a marcar no principal escalão do futebol inglês chegou duas semanas depois, a apenas cinco dias de fazer 17 anos, com o jovem avançado inglês a marcar no minuto 90 o golo da vitória por 2x1 frente ao Arsenal, num ano em que os gunners terminariam em 2º lugar, apenas atrás do Manchester United, e em que já iam em 30 jogos consecutivos sem perder.

      Quanto ao Everton e à época de estreia de Wayne Rooney entre os grandes do futebol inglês, foi também uma boa temporada. A formação de Liverpool terminou em 7º lugar e falhou o acesso às provas europeias por apenas um par de pontos, com o avançado a terminar a época de 2002/03 com um total de oito golos em 37 jogos divididos por todas as competições.

      A começar a despertar o interesse de vários clubes de maior dimensão, Rooney permaneceu no clube que o viu formar mais uma temporada. Em 2003/04 manteve os seus números estáveis, terminando a temporada com nove golos em 40 jogos divididos por todas as provas, mas estava na altura de dar o salto para palcos maiores. E se estava em busca de palcos maiores, porque não o Palco dos Sonhos?

      A história enquanto red devil

      No verão de 2004, Rooney foi um dos jogadores que mais agitou o mercado. O jovem avançado inglês tinha vários clubes interessados na sua contratação, mas havia dois que disputaram a mesma durante algum tempo: Newcastle e Manchester United. O acordo com os magpies chegou a estar praticamente concluído, mas os red devils estavam determinados em garantir a contratação e não tiveram em dúvidas em abrir os cordões à bolsa.

      No mesmo ano em que o Chelsea começou a investir forte no mercado e gastou quase 40 milhões de euros para garantir a contratação de Didier Drogba junto do Marseille, o Manchester United gastou quase o mesmo valor para contratação um jovem britânico a surgir no mundo do futebol.

      ©Getty / Alex Livesey

      No total, foram 27 milhões de libras, o equivalente a cerca de 30 milhões de euros, o que fizeram de Rooney uma das maiores transferências do verão de 2004/05 e a maior transferência de um jogador inglês nesse ano e o «teenager» mais caro da história do futebol à data.

      Em Old Trafford, Rooney encontrou uma equipa que estava em busca do regresso à conquista de campeão inglês, que tinha Sir Alex Ferguson no comando e que contava com um plantel de luxo, com jogadores como Gary Neville, Rio Ferdinand, Gabriel Heinze, Ryan Giggs, Roy Keane, Paul Scholes, Rud van Nistelrooy, Solskjaer, Diego Forlán e até um jovem de seu nome Cristiano Ronaldo, que estava a cumprir a sua segunda temporada com a camisola do United.

      E se dúvidas existissem ainda em relação à sua contratação, Rooney tratou de as dissipar por completo logo na sua estreia. Após ter estado indisponível para as primeiras jornadas do campeonato, devido a uma lesão no metatarso, o avançado de apenas 18 ano estrear-se-ia com a camisola dos red devils na 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões de 2004/05. Alex Ferguson confiou-lhe desde logo a titularidade e este respondeu com um hat-trick em 54 minutos, sendo o homem do jogo na vitória por 6x2 frente ao Fenerbahçe.

      A nível individual, foi uma boa primeira temporada para o jovem avançado inglês em Old Trafford, totalizando 17 golos e 43 jogos, divididos entre todas as competições. Além disso, foi eleito o Melhor Jogador Jovem do ano da Premier League, sucedendo a nomes como Scott Parker, Nicolas Anelka, David Beckham, Michael Owen ou Steven Gerrard. No entanto, a nível coletivo, foi um ano para esquecer para o Manchester United, que ficou em 3º lugar na Premier League e ainda perdeu a final da FA Cup frente ao Arsenal, nas grandes penalidades.

      A ascensão de Wayne Rooney no Teatro dos Sonhos prosseguiu na segunda temporada e mesmo com a elevada concorrência que havia no ataque da equipa voltou a ser uma peça fundamental e recorrente para Ferguson, que o colocou a jogar em 48 jogos e este respondeu com 19 golos. Por esta altura, o inglês era um dos favoritos dos adeptos e foi mesmo votado pelos mesmos como o Jogador do ano do Manchester United, ao qual juntou o seu segundo prémio consecutivo de Melhor Jogador Jovem do ano da Professional Footballers Association (PFA). Alex Ferguson estava rendido ao seu jovem pupilo e afirmou mesmo que este era «o melhor jogador jovem» que já tinha visto em toda a sua carreira enquanto treinador. A nível de títulos coletivos, chegou o primeiro da sua carreira, com a conquista da Taça da Liga inglesa, numa final onde o United bateu o Wigan por 4x0 e Rooney fez o gosto ao pé por duas vezes.

      O seu primeiro título de campeão nacional inglês surgiu em 2006/07, com o Manchester United a terminar em 1º lugar com 89 pontos, mais seis que o Chelsea de José Mourinho. Juntamente com Cristiano Ronaldo (que foi o melhor marcador da equipa no campeonato nessa época), Rooney foi um dos jogadores mais importantes da equipa, jogando um total de 55 partidas, onde fez 23 golos, o melhor registo da carreira até aí.

      ©Getty /

      Nas temporadas seguintes as lesões começaram a fustigar o avançado inglês, o que impediu a sua explosão mais precoce como um dos melhores avançados da sua geração, mas nem por isso sucesso faltou e prova disso é que o Manchester United venceu a Premier League, a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes. Além disso, Rooney tornou-se mesmo no jogador mais jovem da história a completar 200 jogos na Premier League, com 22 anos, 11 meses e 11 dias, em 2008/09, numa temporada onde o United foi novamente finalista na Champions, mas acabou por perder para o Barcelona e falhou o bis na prova

      Quanto à alcunha do jogador, não referida até aqui? Pois essa deve-se também a Cristiano Ronaldo. Rooney tinha a alcunha de Wazza por causa do seu primeiro nome, e a estatura física motivou sempre algumas alcunhas menos simpáticas - Shrek foi bastante utilizado... -, mas a mais adequada de todas é «pitbull», como o português lhe chamava (ver vídeo abaixo). 

      O pico da carreira

      Coincidência ou não, a melhor temporada da carreira de Wayne Rooney, a nível individual, surgiu na temporada 2009/10, precisamente na mesma em que Cristiano Ronaldo trocou o Manchester United pelo Real Madrid, tornando, à data, o português na transferência mais cara da história do futebol. Nesse ano, Rooney assumiu a batuta da equipa e foi o melhor marcador, com um total de 34 golos (máximo de carreira, apenas igualado em 2011/12) em 44 jogos, ajudando na conquista da Taça da Liga. Foi, aliás, considerado o Melhor Jogador do ano pela PFA.

      ©Getty / Alex Livesey
      Os títulos de campeão nacional regressaram em 2010/11, num ano em que Rooney, a conta de lesões, disputou «apenas» 40 jogos e marcou 16 golos, mas um desses golos ficou marcado para a história como um dos melhores, senão mesmo o melhor, da sua carreira. No dia 12 de fevereiro de 2011, o United recebeu os seus eternos rivais, o Manchester City, em jogo a contar para a 27ª jornada e a 12 minutos do fim estava tudo empatado a uma bola (Nani e David Silva tinham marcado), quando Nani recebeu a bola na direita, levantou a cabeça e cruzou para o coração da área, onde surgiu Wayne Rooney a superiorizar-se aos centrais do City com um golo de bicicleta que ficou para a história, deu a vitória no dérbi de Manchester e embalou a equipa para o título de campeão.

      No ano seguinte, Rooney voltou a igualar o melhor registo da carreira a nível de golos (34 em x jogos), mas perderia o título de campeão nacional para o Manchester City, numa temporada em que tudo se decidiu na última jogada da última jornada. O Manchester United tinha cumprido a sua parte e vencido o Sunderland por 0x1, precisando apenas de um deslize do City na receção ao QPR para se sagrar novamente campeão. No entanto, foi já após o final do jogo que Rooney e companhia souberam daquele mítico golo de Aguero nos descontos, que entregou o título aos cityzens e deixou os red devils a morrer na praia.

      Em 2012/13, já com Robin van Persie como seu colega de ataque – os dois tinham batalhado pelo título de melhor marcador da Premier League na temporada passada, com o holandês a levar a melhor – Rooney e companhia voltariam a erguer o caneco de campeões nacionais. A nível individual, foi a partir daqui que os seus números começaram a decrescer (marcou 16 golos nessa época). Esta conquista coincidiu com o fim da era de Alex Ferguson enquanto treinador, terminando uma ligação de 27 anos.

      O regresso à origem, a aventura americana e o ponto final

      A saída de Ferguson do comando do United coincidiu com a cadência da equipa ao nível de resultados, assim como com a saída de vários dos elementos mais importantes da equipa, como Patrice Evra e Nemanja Vidic, o que fez de Rooney o capitão da equipa. Esteve mais quatro temporadas em Old Trafford, onde ultrapassou Thierry Henry como o jogador com maior número de golos apenas por um clube na Premier League, com 176 golos, chegou aos 500 jogos pelo Manchester United e alcançou os 250 golos pelos red devils. A sua ligação ao clube terminaria em 2016/17, 13 temporadas depois de ter chegado ao Teatro dos Sonhos.

      De saída do Manchester United, Rooney regressou ao seu clube de formação, o Everton, assinando um contrato válido por duas temporadas. No total, fez 40 jogos e 11 golos em 2017/18 pelos toffees, mas o seu regresso a Goddisson Park foi curto e no verão de 2018 abraçou a sua primeira experiência profissional fora do Reino Unido, assinando contrato com os norte-americanos do DC United.

      ©Getty / Ira L. Black - Corbis

      Aos 32 anos, o avançado de 32 anos decidiu mudar-se para a MLS, principal liga dos EUA, para concretizar o que disse ser um sonho: «Mudar-me para os Estados Unidos e jogar na MLS é o concretizar de outra ambição de carreira que tinha». Por lá ficou dois anos, onde falhou em alcançar títulos coletivos, mas ainda foi a tempo de se exibir a um bom nível, marcando 25 golos em 52 jogos. A sua estreia a marcar deu-se na vitória por 2x1 com o Colorado Rapids, marcando a Tim Howard, guarda-redes com quem dividiu o balneário nos seus primeiros anos em Old Trafford.

      Depois da aventura norte-americana, estava na altura de regressar a Inglaterra, mas a surpresa surgiu quando foi anunciado o seu novo clube. Aos 33 anos de idade, Rooney foi, pela primeira vez na sua já longa carreira, para o Championship, segundo escalão do futebol inglês, assinando pelo Derby County e começando o seu percurso nos Rams oficialmente a 1 de janeiro de 2020.

      Nesta fase mais adiantada da carreira, as funções de Rooney dentro, e fora, de campo. Dentro das quatro linhas o jogador inglês ocupava agora funções mais recuadas no terreno, chegando mesmo a jogar a médio defensivo numa altura de maior necessidade na equipa. No entanto, isso não o impediu de fazer sete golos em 35 jogos ao longo de cerca de um ano. Fora do campo, o trabalho de Rooney também começou, progressivamente, a ser outro. Em novembro de 2020, a meio da temporada, o jogador britânico assumiu a função de treinador interino e jogador simultaneamente, aquando da saída de Phillip Cocu do comando da equipa.

      Dois meses depois, o mítico Wayne Rooney anunciaria mesmo que iria deixar os relvados e dar por acabada a sua carreira de jogador, assumindo a posição de treinador principal do Derby County. Para trás, deixou um grande legado. Conquistou cinco vezes a Premier League, ganhou uma FA Cup, quatro Taças da Liga inglesa, cinco Community Shields (Supertaça inglesa), um Mundial de Clubes, uma Liga dos Campeões e ainda uma Liga Europa. No total, 366 golos em 883 jogos.

      Deixou a marca nos três leões

      E se Rooney deixou a sua marca goleadora ao longo dos clubes por onde passou, o mesmo aconteceu ao serviço dos Três Leões, a seleção nacional inglesa. Desses 366 golos ao longo da carreira, 53 foram ao serviço da seleção de Inglaterra. Tal como tinha acontecido na sua carreira ao nível de clubes, Rooney cedo queimou etapas nas seleções inglesas. Por isso mesmo, o avançado estreou-se pela seleção principal inglesa quando tinha apenas 17 anos, entrando ao intervalo num amigável frente à Austrália, que os ingleses venceriam por 3x1. Na altura, Rooney tornou-se mesmo o mais jovem jogador a representar Inglaterra. Nesse mesmo ano, em setembro, tornou-se também o mais novo de sempre a marcar pela seleção inglesa, ao fazer o primeira da vitória por 1x2 frente à Macedónia, em jogo a contar para a qualificação para o EURO 2004.

      ©Getty / Alex Livesey

      De resto, Rooney estaria mesmo presente nesse Campeonato Europeu, disputado em Portugal, o primeiro torneio de seleções da sua carreira. Foi titular naquele famoso jogo dos quarto-de-final contra a Seleção das Quinas, em que Ricardo defendeu as grandes penalidades sem luvas, mas saiu lesionado ao minuto 27, terminando a sua participação com quatro golos em quatro jogos. De resto, foi mesmo premiado com a nomeação para a melhor equipa do Europeu, juntamente com Cristiano Ronaldo, Maniche e Ricardo Carvalho.

      Desde aí, esteve em mais dois Campeonatos Europeus (2012 e 2016), assim como em três Mundiais (2006, 2010 e 2014), marcando um total de sete golos nessas seis participações e não conseguindo conquistar qualquer título por Inglaterra.

      Apesar dessa falta de títulos, o nome de Rooney ficou cravado na história da seleção de Inglaterra, uma vez que o avançado se tornou o melhor marcador da história – superando o eterno Bobby Charlton - dos Três Leões quando marcou o seu 50º golo na vitória por 2x0 frente à Suíça, em jogo a contar para a qualificação do EURO 2016. Desde aí, fez mais três golos, chegando aos 53, até que se retirou da seleção em agosto de 2017, após um total de 119 golos.

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