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Grandes jogos

Milan x Juventus: a Velha Senhora humilha Milão

2015/11/10 11:41
Texto por João Pedro Silveira
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Passagem de testemunho, fim de um ciclo, lei natural das coisas? O que se passou em Milão na noite de 6 de Abril de 1997 pode ter muitas explicações, mas nenhuma será fiel ao que se passou entre aquelas quatro linhas, durante aqueles históricos 90 minutos.

Três Taças/Ligas dos Campeões, Cinco Ligas, Duas Taças Intercontinentais e umas quantas supertaças europeias e nacionais, eram os números dos últimos dez anos de conquistas rossoneras

Era aquele um Milan destinado à glória. Podiam mudar as peças, mantinha-se a constância. O Milan vencia muitas vezes, convencia outras tantas, tanto pela força do seu futebol como pela força dos números. A Itália, e com ela a Europa habituara-se à ideia que AC Milan rimava com vitória. 

Mas esse tempo parecia estar a chegar ao fim com a equipa a arrastar-se no sétimo lugar, 13 pontos atrás da líder Juventus.

Sem rumo e sem liderança, este Milan era bem diferente da equipa de Capello. Oscar Tabarez fora um enorme erro de casting, sentindo-se como um peixe fora de água em Milanello. Para o seu lugar viera Arrigo Sacchi, mas o mestre do grande Milan de Gullit-Van Basten-Rijkaard não conseguiu mudar o rumo da época.

O jogo contra a Vecchia Signora era a última hipótese de limpar a face e passar o testemunho, um fim digno para uma carreira de peso tanto para Franco Baresi como Pietro Vierchowod (que juntos somavam 74 anos!). Os milaneses com Simone, Maldini, Rossi, Desailly, Savicevic, Boban, Tassoti ou Baggio tinham o prestígio das suas vitórias a defender. 

Pela frente estava a orquestra de Marcello Lippi, onde brilhava intensamente o solista - então ainda com cabelo - que respondia pelo nome de Zinedine Zidane. Aquela Juve era uma equipa de raça, com uma espinha dorsal de nomes que fizeram história no futebol transalpino, gente da casa que vestia com amor a camisola bianconera: Peruzzi, Ferrara, Di Livio, Porrini, Pessotto, Lombardo, Amoruso, Iuliano.

Um jogo histórico sem história

Falamos da melhor Juventus da era de Lippi, para muitos superior até à que vencera a Liga dos Campeões aproximadamente um ano antes. Apenas três dias depois de calar Milão, a Juve seria imponente em Amesterdão, numa demonstração de força sobre o Ajax de van Gaal a que o resultado de 1x2 não faria justiça.

A partida de 6 de Abril tratou-se de uma lenta e cruel tortura. Os adeptos do Milan foram iludidos com uma ilusão de equilíbrio durante o primeiro tempo. 
 
Vieri parecia ter facilidade em ultrapassar Baresi mas não o ultrapassava. O golo da Juventus, Jugovic aos 19 minutos, deixou os visitantes descansados e sem necessidade de acelerar o jogo. Na outra baliza Peruzzi parava tudo.
 
Maldini derrubou Boksic e colocou Zidane sozinho perante Rossi na marca dos onze metros: 0x2, venha o intervalo!
 
O afundamento do barco milanês
 
O segundo tempo é ainda lembrado para os lados de Milão como uma crónica de horrores. Por toda a Milão não, que a família interista não terá desdenhado o rumo do jogo, se bem que em abono da verdade, se o resultado fosse o inverso, o comum adepto nerazzurro também não ficaria certamente incomodado...
 
Mas deixando o Inter e voltando à segunda parte do clássico Milan x Juventus, voltamos à história no momento em Jugovic avança pela esquerda e faz Reiziger bailar na sua frente, colocando a bola entre o posto e um "despistado" Rossi. 0x3, a Itália abria a boca de espanto...
 
Bola ao meio-campo e Zidane guarda-a para si. A Juve joga onde e quando quer, o Milan parece não entender o que lhe esta a acontecer. A Juve, matreira, abranda o ritmo, até aos 70 minutos parece que está satisfeita, mas eis que Tacchinardi abre o livro e faz a bola sobrevoar as duas linhas defensivas do Milan, Christian Vieri fica sozinho perante Rossi, atrapalha-se, mas naquela noite dava mesmo para tudo e faz com calma o 0x4, perante o olhar incrédulo das bancadas de San Siro.
 
Mais três minutos e Jugovic abre fogo sobre a baliza rossonera, Rossi sente as mãos a queimar e pára a bola para a frente, esta vai parar a Nicola Amoruso que não perdoa, 0x5. Nick Dinamite, como era conhecido o avançado natural de Cerignola jamais falharia uma oportunidade destas, deixando para trás a fama de Nick Piedi Caldo como também era conhecido (1).
 
A Fossa dei Leoni está silenciada, felizmente para os jogadores da retaguarda milanesa que certamente estariam a ouvir das boas dos seus adeptos, se estes não estivessem petrificados de boca aberta a olhar para o que sucedia no relvado.
 
O Milan reagia, mas Peruzzi continuava a parar tudo, inclusive um golo cantado que saiu da cabeça de Dugarry, numa das defesas mais espetaculares do ano.
 
Por fim um canto na esquerda, apontado com requinte por Roberto «Il Codino» Baggio, deixou a bola na cabeça da área onde apareceu Marco Simone, para de primeira bater Peruzzi com um golo magistral. 
 
Mas a Juventus ainda não tinha fechado as contas e Attilio Lombardo lança Vieri, este, com quatro defesas pela frente avança e deixa-os para trás, lentos, perdidos, um sombra do que tinham sido. Remata cruzado e bate Rossi. Milan 1, Juventus 6, o gigante milanês tombava com estrondo.
 
Pelo meio Sacchi não poupara Roberto Baggio da enésima humilhação, lançando-o em campo para sentir na pele o peso da goleada. Para completar o ramalhete tirou Desailly meteu Tassotti, o último "idoso" que faltava alinhar no clássico. O Milan saía de cabeça baixa, vergado, humilhado pertante a Juventus que voltava a reclamar para si o potentado sobre o futebol italiano. Lippi era o novo senhor do Calcio. O Scudetto tinha dono.
 
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(1) Nicola Amoruso era conhecido por ambas as alcunhas: Piedi Caldo, em português Pé frio, e  Nicky Dynamite. 
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Motivo:
jogos históricos
U Domingo, 06 Abril 1997 - 16:00
Stadio Giuseppe Meazza
1-6
Marco Simone 75'
Vladimir Jugović 19' 49'
Zinedine Zidane 31' (g.p.)
Christian Vieri 70' 80'
Nicola Amoruso 73'
Estádio
Stadio Giuseppe Meazza
Lotação80018
Medidas105x68
Inauguração1925