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Grandes jogos

Man United x FC Porto: a glória nos descontos

2014/03/08 17:51
Texto por Pedro Marques Silveira
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Antes de José Mourinho ser o Special One, apresentou-se um ano antes, com uma célebre correria junto à linha lateral para festejar o golo de Costinha, no último minuto, que garantia a qualificação dos dragões para os quartos-de-final da Liga dos Campeões de 2003/04, edição que haveriam de vencer, em Maio desse ano, goleando o Mónaco em Gelsenkirschen. Mas voltemos ao princípio, duas semanas antes, na Cidade Invicta...

Vitória suada «Made in South Africa»

No Dragão, o FC Porto olhava o gigante inglês de frente. O ainda recentemente inaugurado anfiteatro portista encheu-se de fãs - dos dois clubes - para presenciar uma partida que prometia. 

Alex Ferguson escalou um onze ambicioso, onde na frente pontificava a dupla van Nistelrooy - Saha, deixando no banco o ainda jovem Cristiano Ronaldo. Por sua vez Mourinho apostava num meio-campo reforçado com Pedro Mendes e o russo Alenichev. Costinha ficava guardado para a segunda mão...

O jogo no Dragão foi espectacular, com os azuis e brancos a serem surpreendidos pelo golo madrugador do sul africano Fortune, aproveitando uma defesa incompleta de Baía, mas reagiu com dois golos do também sul africano Benni McCarthy, o segundo dos quais, uma cabeçada extraordinária, que Tim Howard apenas pode acompanhar com os olhos. No fim Roy Keane era expulso e o treinador escocês ganhava uma dor de cabeça para a segunda volta. 

Olhar o gigante nos olhos

Duas semanas depois, o FC Porto chegava ao «Teatro dos Sonhos» para jogar o jogo pelo jogo, tentando não cair no risco de esperar pela iniciativa dos locais. 

Mourinho escolheu um onze votado para o sucesso: atrás o quinteto que era garantia de sucesso: Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente e Paulo Ferreira. No miolo havia a magia de Deco, o encanto de Alenichev, o pulmão de Maniche e a regra e ordem de Costinha. Na frente, Carlos Alberto e Benni McCarthy tinham ordem para pôr a defesa mancuniana em xeque. 

Apesar das cautelas lusas, a toada do jogo revelou um Manchester incisivo na procura do golo. Ao 23º minuto o holandês van Nistelrooy apareceu isolado, mas Baía «roubou-lhe» o golo, contudo os ingleses não desistiram e a pressão acabou por dar frutos com o golo de Scholes aos 32 minutos. 

Mesmo a chegar ao intervalo, o médio inglês podia ter bisado, mas o russo Ivanov invalidou o golo por fora-de-jogo, depois da indicação errada do auxiliar. 

Golpe de teatro

Se na primeira parte, aqui e ali o Porto já tinha deixado a defesa dos red devils em sentido, na segunda parte, muito por fruto das alterações de Mourinho, o campeão português foi apertando o «nó górdio» em volta dos ingleses, como se fosse asfixiando o adversário, adormecendo a fera, esperando pelo momento exacto para desferir o golpe final.

No banco, Ferguson percebia o objectivo de Mourinho e lançava Cristiano Ronaldo para espevitar o jogo, mas há muito que Mourinho antecipara as jogadas do escocês e pouco depois lançou Ricardo Fernandes para o lugar de Alenichev, apostando as últimas fichas no jogo directo. 

O Manchester aceitou o repto e recuou mais um pouco, acabando por pagar caro no minuto 90, quando Costinha foi mais rápido que os defesas e chegou primeiro à bola defendida por Howard, rematando para a baliza com convicção. O médio avançou para a bandeirola de canto, perseguido pelos colegas, mas imagem de marca da vitória portista foi a épica corrida de Mourinho junto à linha final.

Minutos depois Ivanov apitava para o fim do jogo e o FC Porto fazia história, abrindo caminho para uma aventura, que seria coroada de sucesso alguns meses depois em Gelsenkirschen.

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Motivo:
jogos históricos
U Terça, 09 Março 2004 - 19:45
Old Trafford
Valentin Ivanov
1-1
Paul Scholes 32'
Costinha 90'
Estádio
Old Trafford
Old Trafford
Inglaterra
Manchester
Lotação76212
Medidas105x68
Inauguração1910