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história
Clubes

Saint-Étienne

2015/08/27 15:55
Texto por João Pedro Silveira
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Entre o Ródano e o Loire houve um tempo em que ali residiu a maior equipa de França. Vestidos de verde, Keita, Herbin, Rocheteau, Santini, Blanc, and last and certainly not least, Michel Platini, fizeram vibrar a França e a Europa, levantando bem alto o nome do Saint-Étienne. 

Da mercearia ao profissionalismo

Em 1919 a família Guichard, proprietária do Grupo Casino (1), aceitou que os seus trabalhadores da principal loja da cidade de Saint-Étienne fundassem um clube para a prática desportiva. Nascia então o Amicale des Employés de la Société des Magasins Casino (ASC), com Geoffroy-Guichard, proprietário do grupo Casino como primeiro presidente. O verde, a cor das lojas do grupo, foi obviamente a escolhida, para estar presente tanto no emblema como nas camisolas do clube.

Um ano depois, no mês de Março, o clube teve de mudar de denominação, quando as autoridades desportivas francesas proibiram a utilização de nomes comerciais por clubes desportivos. O Casino saiu do nome e o clube passou a ser conhecido como Amical Sporting Club, conhecido por todos como ASC.

Sete anos passados, o novo presidente Pierre Guichard, filho de Geoffrey Guichard, fundiu o ASC com o Stade Forézien Universitaire, para o clube se passar a chamar Association Sportive Stéphanoise (ASS).

A profissionalização instituída no futebol gaulês em 1930 obrigou o clube a reestruturar-se, mudando novamente o nome para Association Sportive Saint-Étienne (ASSE). Ainda no mesmo ano adquiriu um terreno onde construiu o novo campo do clube, batizado como Stade Geoffrey-Guichard.

A estabilização

Falhando a qualificação para a primeira edição do Campeonato em 1932/33 o ASS acabou por disputar a 2.ª Divisão até finalmente conseguir a promoção ao primeiro escalão em 1938/39, onde conseguiu um extraordinário 4.º lugar em 16 equipas.

Contudo, em Setembro de 1939, o começo da Segunda Guerra Mundial interrompeu o futebol em França e a prova só se voltaria a disputar em 1945/46.

Depois da vitória alemã sobre a França em Junho de 1940, o governo francês rendeu-se e aceitou os termos impostos por Berlim. A França ficava dividida em duas zonas: a norte, debaixo da ocupação militar alemã, e a zona sul, onde o Marechal Petáin estabeleceu em Vichy o seu governo da França «Não Ocupada». 

Seria nessa zona da França de Vichy que o ASS continuaria a jogar até 1944, participando nos campeonatos regionais. O regresso do campeonato francês seria em 1945/46, com o ASSE a terminar em segundo lugar, a apenas a um ponto do campeão Lille

Na época de 1950/51 o austro-francês Ignace Tax cede o seu lugar Jean Snella. Seria preciso esperar pela época de 1956/57 para ver o Saint-Étienne com Claude Abbes a guardar os postes, Robert Herbin a comandar a defesa e Georges Peyroche a comandar o ataque, a conquistar pela primeira vez o título de campeão francês. Na estreia na Taça dos Campeões da época seguinte, o ASSE é eliminado logo na pré-eliminatória pelos escoceses do Glasgow Rangers. 

1961/1982: O consulado de Roche

Guichard cedeu o seu lugar a Roger Roche na liderança do clube em 1961. Snella abandonou o ASSE depois do clube não conseguir renovar o título e quedar-se somente pela sexta posição na classificação final.

Durante as épocas seguintes o ASSE ficou sempre longe do topo, acabando por ser despromovido no fim da época 1961/62, ano em que conquistou a Taça de França pela primeira vez no seu historial, garantindo o acesso à Taça das Taças na época seguinte, onde depois de eliminar o Vitória de Setúbal, acabou afastado pelos alemães do FC Nürnberg.

Roche convenceu Snella a voltar em 1963/64 para liderar a equipa que conquistaria do seu segundo título de campeão francês, logo na época de regresso.

Durante esses anos Snella lança o Saint-Étienne dominador das épocas seguintes, dando oportunidade a um conjunto de novos jogadores que ganham um lugar na história do clube como Bereta, Ravelli, Camérin, Jacquet, Mitoraj e Larqué. 

A França estava rendida ao futebol apaixonante dos verts. Em 1967 chega proveniente do Real Bamako o mago malinês Salif Keita, avançado centro que em cinco épocas fará 142 golos com a camisola verde, que logo no primeiro ano faz uma dupla demolidora com Hervé Revelli, que conduz a equipa ao título. 

Albert Batteux é o homem que se segue ao leme do ASSE, conquistando uma meritória dobradinha em 1968. Um ano depois, o histórico tricampeonato, feito conseguido pela primeira vez por um clube francês. 

Sonho Europeu

1969/70 é ainda mais brilhante, com a conquista do tetracampeonato e de uma segunda dobradinha, numa equipa que já contava com Jacques Santini.

Incapaz de renovar o título em 1970/71 Batteux cede o seu lugar a Roger Herbin, que recentemente acabara a sua carreira ao serviço dos verts. Símbolo do clube, muitos desconfiaram da sua escolha, mas Herbin aproveitou os ensinamentos de Snella e Batteux e começou a criar uma equipa extraordinária que mesclava os históricos da equipa com novas referências como Janvion, Curkovic, Piazza, Bathenay ou Sarramagna.

Meticuloso, frio, cerebral, Herbin assistia às partidas de forma tão impassível que ficou conhecido como la Sphinx, a esfinge.  

Todavia seria preciso esperar por 1973/74 para os títulos voltarem ao Geoffroy-Guichard, logo reforçada no ano seguinte com uma dobradinha em 1975 e novo tricampeonato em 1976. 

A França rendia-se à equipa de Herbin, que mesmo sem grandes estrelas mediáticas, mas já com Rocheteau, ameaçava tornar-se a primeira equipa francesa a vencer a Taça dos Clubes Campeões Europeus.

Em 1974/75, o sonho este perto, com os verdes a caírem na meia-final, eliminados pelo Bayern de Beckenbauer, que nesse ano revalidaria a vitória na prova.

No ano seguinte, uma caminhada imparável levou os verts até à final da prova, onde pela frente estava novamente o Bayern. Os franceses dominam o jogo, mas um golo de Roth aos 57 minutos é o suficiente para dar o tri aos alemães. 

O mago que veio de Nancy e o fim do ciclo

Depois da derrota em Glasgow, o Saint-Étienne passou por um período de desmoralização que só começou a ser alterado no fim da década com a chegada proveniente do Nancy de Michel Platini. Com Herbin, Platini aprimorou as qualidades inatas e guiou os verdes a mais um título, ao lado de nomes consagrados do futebol francês como Rocheteau, Battiston e o holandês Rep. Para a história ficou uma noite em Hamburgo, quando o Saint-Étienne humilhou o clube local, calando o Volksparkstadion com um extraordinário 0x5. 

O «mago» abandona o ASSE para rumar à Juventus e o Presidente envolto em polémica e acusado da utilização de um saco azul, demite-se após 20 anos à frente dos verdes, já depois de ter visto Herbin abandonar o clube.

Dois anos depois os verdes caiam para a segunda divisão. Apesar do regresso em 1986, o clube deixou de lutar por títulos e conquistas, acabando por voltar a cair na segunda divisão, estando mesmo em risco de tombar para a terceira em 1998.

Aos poucos a nova direção segurou o clube e a equipa voltou a subir ao primeiro escalão, e regressando à Europa em 2009. 

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(1) - Empresa com sede em Saint-Étienne, um dos principais grupos de retalho francês, detentora de diversas marcas de supermercados em França e no Estrangeiro, com destaque para a Casino, a Monoprix ou o Pão d´Açúcar no Brasil.

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Motivo:
Estádio
Stade Geoffroy-Guichard
Lotação41965
Medidas105x68
Inauguração1931