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Maracanã: o Templo do Futebol

Texto por João Pedro Silveira
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«Ao longo da história só três pessoas conseguiram silenciar o Maracanã: o Papa, Frank Sinatra e eu.»

Alcides Ghiggia, jogador uruguaio, autor do golo decisivo que roubou o título ao Brasil em sua própria casa.
 
O Templo do Brasil
 
O Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como o Maracanã, é dos poucos estádios do mundo, que além de ser um estádio de futebol é também um monumento. A sua belíssima arquitetura, majestosa, a gigantesca capacidade de lotação, o ambiente mágico da torcida ferverosa, tornaram o Marcanã no palco oficioso do futebol, já que a primazia estava reservada por antiguidade ao não menos majestoso Wembley.
 
O mundial de 1950
 
Este foi o palco lendário onde brilharam ao mais alto nível estrelas como Pelé, Garrincha, Zico e Romário. O Maracanã é, e sempre foi, a quintessência do futebol brasileiro, a fortaleza do Pentacampeão mundial...
 
Quando o Brasil ganhou a organização do mundial de 1950, os brasileiros resolveram levar a sua paixão pelo futebol ao extremo e construir o maior estádio do mundo, superando de longe a lotação do Hampden Park em Glasgow que era até então o maior estádio do mundo com os seus 153 mil lugares...
 
A abertura do estádio estava prevista para 24 de junho de 1950 e a primeira pedra foi colocada a 2 de agosto de 1948, deixando pouco menos de dois anos para dar por terminada tão grande empreitada.
 
Debaixo do sol inclemente do Rio, chegaram a trabalhar ao mesmo tempo dez mil pessoas, num ritmo incansável que surpreendeu os visitantes estrangeiros que durante muito tempo tinham posto em causa a capacidade de organização dos brasileiros, tendo a FIFA nomeado inclusivamente o Presidente da Fed. Italiana, Ottorino Barassi, para acompanhar de perto a construção dos estádios e a organização do evento.
 
Na abertura, a 16 de junho, num jogo entre uma seleção do Rio e outra de São Paulo, que os paulistas venceram por 1x3, o estádio ainda não estava terminado. Na verdade, todo o projeto do Maracanã só ficou terminado em 1965, mas o estádio estava em condições para receber a abertura do mundial e a vitória brasileira sobre o México por 4x0.
 
O Maracanã recebeu ainda mais sete jogos na prova, entre eles, a derrota da Inglaterra com a Espanha, e a final em que o Uruguai bateu o Brasil por 1x2, perante 200 mil adeptos que ficaram em profundo estado de choque... Foi o Maracanazo, o dia em que ao Brasil bastava o empate para chegar ao seu primeiro título mundial - o Brasil 1950 foi o único mundial que não teve uma final como as restantes edições - e foi também o dia em que o Uruguai entrou em campo com o objetivo de não sofrer uma humilhante goleada. 
 
O Brasil saiu na frente e foi só na segunda parte que a Celeste Olímpica deu a volta ao resultado, deixando os mais de duzentos mil espetadores em pranto... No final do jogo, quem levantou a taça foi o uruguaio Obdulio Varela, o primeiro capitão de cor a levantar a Taça do Mundo. Varela diria um dia mais tarde que «Se soubesse o que era um povo inteiro a chorar, não sei se teria querido ganhar aquele jogo».
 
No final do dia quem levantou a taça foi o capitão uruguaio Obdulio Varela, o primeiro capitão de cor, a levantar a Taça do Mundo. Obdulio Varela disse um dia mais tarde que “Se soubesse o que era um povo inteiro a chorar, não sei se teria querido ganhar aquele jogo”.
 
O Pós-Maracanazo
 
Durante a década de 50 e depois a de 60, o estádio foi palco dos grandes jogos do futebol carioca e brasileiro, assim como casa de jogos importantes do «escrete». Numa das suas balizas, em 1969, Pelé apontou o seu golo número 1000. Vinte anos mais tarde, Zico, o «Pelé Branco», outro mítico «dez» do futebol canarinho apontou o seu último golo ao serviço do Flamengo num jogo contra o Vasco da Gama. Ao todo apontou 333 golos no Maracanã, um recorde que ainda hoje perdura...
 
Em 1992, uma das bancadas superiores colapsou, vitimando 3 pessoas e provocando mais de 50 feridos. Por motivos de segurança, tendo a sua lotação sido drasticamente reduzida, por culpa da colocação de cadeiras e de espaços de segurança entre as bancadas.
 
Após algumas renovações, o estádio recebeu grandes transformações para ser o palco principal dos Jogos Pan-americanos em 2007. Voltando a ser renovado para poder acolher o Campeonato do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
 
Nome
 
O nome oficial do estádio é uma merecida homenagem ao jornalista Mário Rodrigues Filho, que foi um dos principais defensores do projeto de construção do grande recinto carioca, e que após a sua morte em 1966 viu a sua memória perpetuada no nome do estádio.
 
O nome Maracanã, provém do rio vizinho, que cruza a Tijuca passando por São Cristóvão, desaguando no Canal do Mangue antes de desaguar nas águas cálidas do Atlântico na Baía de Guanabara.
 
Em tupi-guarani, a língua dos índios que habitavam a zona antes da chegada dos portugueses, a palavra Maracanã significa «semelhante a um chocalho», e era um som parecido a esse que faziam os pássaros Maracanã-Guaçu que habitavam a zona em volta do rio, que acabou por ganhar o nome Maracanã por sua culpa...
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Estádio
Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã)
Lotação78838
Medidas105x68
Inauguração1950