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        Amesterdão 1928
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        Amesterdão 1928: a estreia portuguesa

        Texto por João Pedro Silveira
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        Uma estreia

        A estreia de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928, perdurou durante muito tempo na memória dos adeptos como o maior momento do futebol nacional. Até à saga dos «Magriços» em 1966, os portugueses não voltariam a pisar os grandes palcos, acumulando desilusão atrás de desilusão.
         
        Mas a cada nova derrota era recordada a gesta desses pioneiros da bola. Nomes que ficaram no imaginário do «desporto-rei», como o belenense José Manuel Soares, conhecido por Pepe, ou o treinador Cândido de Oliveira, o grande mestre do futebol nacional na primeira metade do século XX.
         
        A seleção nacional ainda dava os primeiros passos. Em 1914 nascera a Federação, mas o primeiro jogo só seria disputado sete anos mais tarde. 
        Em virtude do crescimento da modalidade no nosso país, em 1928 surgiu o convite para a participação nos Jogos de Amesterdão. Portugal preparou-se com alguns resultados de destaque, como um empate com a Argentina, uma goleada sobre a Itália no primeiro jogo da seleção disputado no Porto, e um empate em Paris com a seleção francesa.
         
        Longa viagem
         
        A 21 de Maio, a delegação nacional partia rumo a Paris, embarcando no «Sud express» na Estação do Rossio com esperança e o objetivo não declarado de fazer história. Uma multidão foi-se despedir dos jogadores e da restante comitiva. 
         
        Além dos atletas, rumaram à cidade Luz toda a equipa técnica e diretores, além da atriz Laura Costa, que acompanhava a equipa, para emprestar algum glamour e beleza, cantando para animar as hostes e tornando-se na mascote da comitiva. 30 horas depois, o selecionado nacional chegava à Cidade Luz, onde teve que apanhar um novo comboio, e viajar por mais nove horas para a capital holandesa.
         
        Magia de Pepe 
         
        Chegados a Amesterdão, a equipa teve de se preparar para a pré-eliminatória contra o Chile, ciente de que uma derrota obrigaria além de um regresso prematuro a casa, a triste condição de ser a primeira equipa a sair de prova e a deixar Amesterdão ainda antes das outras 15 equipas entrarem em competição.
         
        Talvez cientes do risco e toldados pela estreia, os jogadores portugueses entraram em campo a acusar demasiado o nervosismo, sofrendo um golo logo aos três minutos, e um segundo aos onze.  Nem um quarto de hora e Portugal estava com um pé no comboio de regresso a casa...
         
        Uma lesão de Armando Martins, numa época em que não havia substituições, fez perigar ainda mais o resultado, e rezam as crónicas que o Chile esteve muito perto de apontar o terceiro.
         
        Mas aos 38 minutos o benfiquista Vítor Silva apontava o golo que dava esperança a Portugal. Esperança redobrada, apenas dois minutos depois com o empate, autoria do inevitável Pepe.
         
        Na segunda parte, mais um golo do belenense e outro de Waldemar Mota, valeram a vitória portuguesa. Seguia-se a Jugoslávia e mais uns dias de permanência em Amesterdão.
         
        Os oitavos
         
        Com muitas goleadas, os oitavos de final faziam a seleção natural entre os verdadeiros candidatos e as equipas que tinham ido a Amesterdão pelo passeio... Portugal e Jugoslávia, eram então, duas equipas pouco cotadas, e a esperança em ambos os lados era alta.
         
        Portugal tomou a liderança com um golo de Vítor Silva, ao qual os jugoslavos responderam com o empate ainda antes do intervalo. No segundo tempo, num verdadeiro jogo de sangue, suor e lágrimas, portugueses e jugoslavos deixaram tudo em campo, e o resultado só foi decidido ao cair do pano, com um golo de Augusto Silva.
         
        O Egito e o fim da aventura
         
        Ultrapassados chilenos e jugoslavos, restava um jogo para Portugal ir disputar a luta pelas medalhas. Pela frente havia apenas um obstáculo, a desconhecida e pouco cotada seleção do Egito.
         
        As expectativas eram grandes, uma certa sobranceria já dava como certa a presença de Portugal na luta pela atribuição das medalhas, mas os «faraós» também queriam fazer história, e apesar do domínio lusitano, marcaram dois golos em contra-ataque deixando Portugal encostado às cordas.
         
        O golo tardio de Vítor Silva não conseguiu impedir a derrota, e o sonho português chega ao fim. Era o triste fado de ficar à porta da história, um desafio que o futebol português ao longo das décadas, em vão, tentaria mudar.
         
        Enquanto Portugal voltava para casa - onde o esperava uma triunfante receção - os Jogos continuavam e o Egito era esmagado por 6x0 pela Argentina, antes de perder por uns humilhantes 11x3 no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugar com a Itália, a mesma Itália, que meses antes da prova fora humilhada com quatro golos na cidade do Porto. 
         
        A medalha de Ouro ficaria para o Uruguai, que se sagrava bicampeão olímpico e se autodenominava campeão mundial. A FIFA, também reunida em Amesterdão, resolvia então criar o Campeonato do Mundo, competição que dois anos mais tarde teria a sua primeira edição no Uruguai. Onde a Celeste Olímpica venceria novamente depois de levar de vencida a rival Argentina no jogo da grande final.
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