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TSV 1860 München

Texto por Mário Rui Mateus
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Fundado a 17 de maio de 1860 (a secção de futebol foi criada a 25 de abril de 1899), o Turn und Sport Verein 1860 Munique é um dos clubes mais antigos da Alemanha. A sua história é bastante atribulada, marcada pela política, por sucessos, falências, bons jogadores e uma massa associativa apaixonada.

Com alguns títulos e boas classificações nas ligas regionais, o Munique 1860 conseguiu apurar-se cinco vezes para o campeonato alemão, entre 1903 e 1948, sendo que, em 1930/31, foi vice-campeão da prova.

Em 1911, o clube germânico passou a jogar no icónico Estádio Grunwalder, com capacidade para 40 mil pessoas, que partilhou com o Bayern, entre 1926 e 1972 (quando ambos se mudaram para o Estádio Olímpico de Munique).

Nazis... e os anos dourados

Na década de 30, numa Alemanha onde o nacional-socialismo ganhava força, os nazis apoderaram-se do TSV, ao contrário do seu grande rival, Bayern de Munique, que era, por isso, considerado um «clube judeu» e mal visto pelo regime. Estas boas relações d’Os Leões com o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães não só impediram a sua bancarrota, como melhoraram consideravelmente as suas condições.

A situação estável do 1860 Munique, entre os anos 40 e 60, permitiu as conquistas dos seus únicos títulos: duas Taças da Alemanha (1941/42 e 1963/1964) e uma Bundesliga (1965/66), da qual foi cofundador em 1963. Curiosamente, a qualificação para a primeira edição da Bundesliga (o novo campeonato alemão de futebol) deveu-se ao segundo lugar alcançado na Oberliga Sud (campeonato da Baviera), atrás do Nuremberga, e que impediu o Bayern de ser totalista nesta prova (feito que apenas o Hamburgo detém).

A nível europeu, o Sessenta chegou à final das Taças e, em 1964/65, onde perdeu 2x0 com o West Ham, perante 97 974 espetadores, em pleno Wembley. Na Taça dos Campeões Europeus, em 1966/67, caiu na segunda ronda, derrotado pelo Real Madrid de Gento e Puskás.

Primeira descida forçada que demorou 13 anos a ser reparada

Nos anos 70, o percurso do clube bávaro não foi tão positivo, alternando entre a I e a II divisão, até que, em 1981, mais um problema financeiro atirou o clube para a Bayernliga (equivalente à 3. Liga). Esta despromoção originou a saída da estrela da equipa, Rudi Voller, para o Werder Bremen, por 500 mil euros e o regresso ao Grunwalder (até 1995).

Sempre com os adeptos do seu lado, pelos estádios da Baviera, Os Leões conseguiram ultrapassar os problemas e chegaram à Bundesliga, 13 anos depois, em 1994/95, após duas promoções consecutivas. Conseguiram estabilizar-se no primeiro escalão e voltaram às provas europeias: na Taça UEFA, em 1997/98 e 2000/01 (derrotados na 3ª ronda, pelo Parma de Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Sérgio Conceição e Lilian Thuram) e na Liga dos Campeões, também em 2000/01, eliminados na terceira pré-eliminatória, pelo Leeds United.

Em 2004, chega mais um capítulo negro para o 60: o presidente, Karl-Heinz Wildmoser é preso por subornos durante a construção da Allianz Arena (gerou muita discórdia entre os adeptos e revelou-se prejudicial para o clube), estádio que iria dividir com o rival Bayern, após ambos abandonarem o Estádio Olímpico. O 1860 entrou numa crise financeira e desceu à 2. Bundesliga.

Conformação na 2. Bundesliga e nova crise financeira

A passagem pela segunda liga, marcada pelas constantes mudanças de treinador (15, até 2016/17) e pela eminente falência, teve como único aspeto positivo a formação. Em 2005/06, os Sub-17, liderados pelos irmãos Lars e Sven Bender, conquistaram o primeiro título da história. Das escolas do Munique saíram outros internacionais alemães como, Kevin Volland, Christian Trasch (jogou nos juniores com o atual treinador do Hoffenheim, Julian Nagelsmann) e o capitão mais jovem de sempre (18 anos) d’Os Leões, Julian Weigl.

O débito de 10 milhões de euros, em 2010, levaram à procura de financiamentos externos. O milionário jordano Hasan Ismaik acabou por comprar 49% do capital do 60, já que, segundo a lei alemã, 51% das ações do clube devem pertencer ao próprio. Os adeptos mostraram-se descontentes, preferindo mesmo jogar nos regionais do que entregar o clube a desconhecidos.

©TSV 1860 Munchen


Do sonho ao pesadelo com Ismaik e Vítor Pereira

Alheio à situação, Ismaik idealizou um projeto que passava pela estabilidade financeira e a promoção à Bundesliga, no espaço de três anos. Logo na temporada de 2016/17 houve uma aposta forte nesse sentido. A equipa investiu em nomes experientes do futebol germânico como Stefan Aigner e Ivica Olic. No entanto, saiu tudo ao contrário e, após o despedimento de Kosta Runjaic, Vítor Pereira chegou a Munique com a missão de assegurar a manutenção, trazendo jogadores como, Abdoulaye Ba, Amilton ou Lumor, e, inicialmente, alcançou bons resultados. A permanência na 2. Bundesliga parecia garantida, mas complicou-se devido a algum desleixo e o clube foi obrigado a disputar os play-offs de manutenção, frente ao Jahn Regensburg (III escalão). Após um empate prometedor fora (1x1), os adeptos, que lotaram a Allianz Arena, viram o TSV 1860 Munique perder 2x0, na segunda mão.

Esta derrota significava a descida ao terceiro escalão do futebol alemão. No entanto, o investidor jordano não assumiu as despesas da licença de participação na 3. Liga (como aconteceu em Portugal, com o Beira-Mar e a União de Leiria) e o clube foi despromovido à Regionalliga Bayern (quarta divisão).

Nunca Os Leões de Munique tinham estado num nível tão baixo em toda a sua história. A equipa B, que disputava o quarto escalão, foi, inclusive, obrigada a descer ao quinto escalão do futebol germânico.

Estaca zero: Regionalliga Bayern

Após o choque, começou a preparação de uma caminhada, que se avizinha longa e complicada. O primeiro passo foi o regresso ao Grunwalder, estádio amado pelos seus adeptos. O segundo foi a escolha do treinador, por parte do novo presidente, Robert Reisinger : Daniel Bierofka, antigo jogador do 1860, filho de Willi Bierofka, que também jogou no clube de Munique. O internacional alemão, que salvou o clube da descida à 3. Liga, em 2015/16, pegou na base da equipa B para construir o novo 1860 Munique, que apresenta uma média de idades de 23,4 anos.

O plantel 2017/18 conta com 13 jogadores provenientes da equipa secundária, 13 reforços (três deles formados no clube, destacando-se Timo Gebhart) e quatro jogadores que desceram com o clube: Nico Karger, Sascha Molders, Jan Mauersberger e Nicholas Helmbrecht. A experiência destes jogadores, que mostraram o seu amor ao 1860 e que despertam o romantismo futebolístico (à semelhança do que aconteceu na Juventus, quandofoi relegada à Serie B), vai ser fundamental para os Leões de Munique conseguirem subir ao terceiro escalão e continuar a caminhada rumo ao topo do futebol alemão.

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