história
À volta do jogo

Problemas de Organização do Espanha 64

Texto por João Pedro Silveira
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A presença soviética no Euro 1964 colocou grandes problemas à organização do torneio. Como é que a Espanha iria receber a seleção de um país que não reconhecia? Não havia nenhuma relação diplomática entre os dois países desde o fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39) e nenhum símbolo ou ligação à URSS era permitido na Espanha franquista.

Desejosos de provocar uma boa imagem e mostrar ao mundo o rosto da nova Espanha, os governantes franquistas criaram um regime de exceção para permitir a presença da comitiva soviética e de alguns dos seus adeptos no país.
 
Precisa-se de uma bandeira e de um hino
 
Entre os diversos problemas que se apresentaram às autoridades, era a falta de uma bandeira da União Soviética para hastear no Estádio de Nou Camp.
Ninguém tinha uma bandeira com a foice e o martelo em toda a Catalunha, e foi preciso fabricar uma de propósito para apresentar no jogo de estreia dos soviéticos.
 
Outro detalhe que tinha escapado à organização, é que era preciso tocar o hino soviético antes do jogo e não havia nenhum disco ou músicos capazes de toca-lo. Após uma longa procura, e quando já se pensava mandar vir uma orquestra de fora, encontraram um músico em Barcelona que tinha uma preciosa pauta do Gosudarstvenny Gimn SSSR [Hino Nacional da URSS]. O melómano foi encarregado de copiar manualmente a partitura para entregar aos 50 músicos que iam tocar os hinos no principio do encontro.
 
Soviéticos e Dinamarqueses
 
Mas os problemas organizativos não ficaram por aí. O Dinamarca x URSS das meias-finais deixou o comité de organização à beira de um ataque de nervos. Primeiro foram os soviéticos que se manifestaram contra a hora da realização do jogo. O célebre guarda-redes, Lev Yashin, declara: «É a primeira vez que jogo uma partida às 22h30m, a essa hora normalmente já estou na cama.»
 
Os dinamarqueses por sua vez não se queixaram da hora, mas não quiseram ficar no hotel que a organização tinha escolhido, numa estância balnear afastada do bulício da Cidade Condal. Os nórdicos insistiram em ficar no centro de Barcelona : «Nós somos uns amadores que estão de férias e não nos queremos privar de uma visita a uma cidade só pelo simple facto de que temos que jogar uma partida de futebol».
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