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FC Porto x Leixões: «Bebés» gelam as Antas

Texto por João Pedro Silveira
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A polémica do local da final

A final estava marcada para Lisboa e para o Estádio Nacional, palco habitual das finais da Taça, mas o FC Porto argumentou que se tratando de dois clubes do Norte, faria sentido que o jogo não se disputasse em Lisboa.
 
Daí à decisão do jogo ser mudada para a cidade invicta e mais concretamente para o Estádio das Antas foi um pequeno passo.
Não havia memória duma final da Taça de Portugal ser jogada em casa de um dos contendores, e até hoje só o FC Porto teve a possibilidade de jogar em casa a final da Taça, e por três vezes: contra o Leixões em 1961, contra o SC Braga em 1977 e contra o Benfica em 1983.
 
De pouco adiantou a contestação leixonense, que como era norma na época, foi branda e pouco assertiva. A festa ficou marcada para a casa dos azuis-e-brancos e com a presença garantida do Presidente da República Américo Thomaz.
 
O país inteiro acreditava que seria uma festa azul-e-branca e o Leixões seria um simpático conviva. No Porto a expectativa era grande e os bilhetes voaram das bilheteiras. A cidade estava engalanada e em festa, mas do outro lado da circunvalação também havia esperança.
 
O vermelho e branco do Leixões engalanava janelas e portas, e alicerçados na ideia de justiça e numa inabalável esperança nos seus "bebés" os matosinhenses acreditavam que a vitória era possível para os comandados de Filpo Nuñez, além do mais confiavam que Osvaldo Silva dispensado anteriormente pelos dragões teria umas contas a ajustar com o FC Porto.
 
Dizem as crónicas da época que o FC Porto entrou um pouco altaneiro, muito confiante nas suas capacidades e na inevitabilidade da sua vitória. Os leixonenses acusaram o toque dessa "fanfarronice" azul-e-branca e cerraram fileiras no objectivo comum de vencer Virgílio, Hernani, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa e todos os outros, na sua própria casa.
 
Ao futebol pouco característico do FC Porto respondeu o Leixões com muita garra equilibrando a partida e chegando a dominar o jogo durante largos minutos. O jogo chegou ao intervalo com um nulo e com Osvaldo Silva a coxear, ameaçando não voltar ao jogo.
 
A segunda parte de sonho dos bebés de Matosinhos
 
A segunda parte recomeça e a estrela leixonense não reentra em campo, se dúvidas havia, tudo corria a favor do FC Porto.
Em Matosinhos ainda hoje se fala que foram as mãos miraculosas do massagista Auricélio que recuperaram Osvaldo Silva, e o craque voltou ao terreno, e rapidamente o Leixões marca por intermédio de Silva aos 66 minutos.
 
O FC Porto abana, o Estádio das Antas fica mudo, com a evidente excepção da pequena bancada reservada aos matosinhenses. Três minutos depois chega o 0x2 quando Oliveirinha bate um surpreendido Acúrsio e deixa o estádio incrédulo.
Os portões abrem-se e os adeptos portistas começam a abandonar as Antas 15 minutos antes do tempo. Quando Décio de Freitas apitou para o final da partida foi a explosão de contentamento leixonense.
 
As bandeiras vermelhas e brancas desfraldadas vitoriosamente ao vento enquanto Raul Machado recebia a Taça das mãos do Presidente da República.
Depois seguiu-se um cortejo de festa de volta a Matosinhos para agradecer o apoio da terra e do Senhor de Matosinhos, a festa continuou com jogadores e adeptos festejando até altas horas, enquanto no Porto o jornal Norte Desportivo tentava recuperar os exemplares que já tinham saído do prelo com a notícia que o FC Porto tinha vencido a Taça de Portugal batendo o Leixões por 4-1...
 
Para a história fica o onze comandado pelo argentino Filpo Nuñez: Rosas; Santana e Pacheco; Ventura, Raul (capitão) e Jacinto; Medeiros, Osvaldo, Oliveira, Silva e Gomes. Os heróis do Mar, responsáveis pela maior façanha de um dos mais carismáticos clubes portugueses.
 
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Comentários (1)
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motivo:
Bébés Fantásticos !!!
2013-02-03 13h25m por amadeusmozart
Resultado excelente no campo do adversário e com armas diferentes.
Histórico Leixões no seu ponto mais alto .
jogos históricos
U Domingo, 09 Julho 1961 - 00:00
Estádio do Futebol Clube do Porto (Antas)
Décio de Freitas
2-0
Silva 68'
Oliveirinha 70'
Estádio
Estádio do Futebol Clube do Porto (Antas)
Lotação75000
Medidas105x68
Inauguração1952