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John Aldridge: Big Aldo

Texto por João Pedro Silveira
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Do Mersey para o País de Gales

John William Aldridge, nasceu a 18 de setembro de 1958 na cidade de Liverpool no seio de uma família irlandesa e foi na cidade dos Beatles que junto ao Rio Mersey deu os primeiros pontapés no South Liverpool FC, um pequeno clube que disputava campeonatos locais.

Em 1979, a troco de 3,500 libras, deu o salto para o vizinho País de Gales onde começou a jogar profissionalmente com a camisola do Newport County.

No clube que militava na quarta divisão do campeonato inglês conseguiu conquistar uma Taça do País de Gales. E foi ao serviço do pequeno clube galês, que Aldo escreveria uma das mais belas histórias da sua carreira, ao ajudar a equipa a chegar aos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças, depois de eliminar o Crusaders da Irlanda do Norte e o Hagar da Dinamarca. Sem Aldo, lesionado, o clube caiu nos quartos-de-final às mãos do Carl Zeiss Jena da Alemanha Oriental, perdendo apenas um jogo em toda a prova, curiosamente o último, 0x1 em casa, depois de ter empatado fora na primeira mão (2x2).

A boa época no Newport County, valeu a passagem para o Oxford United, onde se tornou o primeiro jogador a marcar mais de 30 golos na segunda divisão em 19 anos. Os seus golos faziam a alegria dos fãs do clube e despertavam a cobiça dos grandes clubes ingleses, além de chamar a atenção dos responsáveis da seleção da Rep. irlanda.
 
Em 1984/85, marcou 34 golos em 30 jogos, ajudando de maneira decisiva a fazer com que os Yellows chegassem à Primeira Divisão, onde na época de estreia no «clube dos grandes» só conseguiram a manutenção na última jornada, após uma vitória por 3x0 sobre o Arsenal.
Mas a maior supresa de todas, estava guardada para a Taça da Liga, conhecida então como Milk Cup [Taça do Leite] graças ao sponsor, que o Oxford venceu, batendo o QPR por 3x0 na grande final.
 
De volta a Liverpool
 
Entretanto o Liverpool perdia a sua estrela, o galês Ian Rush, que se mudava para a Juventus de Itália, seduzido pelas liras que tornavam o Calcio de então o campeonato mais apelativo do mundo.
 
Na sua Liverpool natal, Aldo parecia ser a solução para todos os problemas dos Reds. Por 750 mil libras, John Aldridge assinava pela equipa comandada por Kenny Dalglish e começava a escrever as páginas mais importantes da sua carreira. Depois de 72 golos em 114 jogos com o Oxford, seguiram-se 50 golos em 83 partidas com a mítica camisola vermelha do clube da sua cidade.
 
Infelizmente para Aldridge, este chegou ao clube quando o Liverpool se encontrava num fechar de ciclo, vendo partir as grandes estrelas que tinham ajudado o clube a conquistar a Europa nos anos 80.
 
Aldo ainda presenciou in loco a tragédia de Hillsborough que vítimou 96 adeptos do Liverpool, deixando-o de tal maneira horrorizado e tocado, que tentou estar presente no máximo possível de funerais.
 
Real Sociedad e Tranmere Rovers
 
Após falhar o título na primeira época, desforrou-se na segunda, tornando-se melhor marcador do campeonato e finalmente campeão. Pôde então ceder ao chamamento dos bascos da Real Sociedad, que escolheram Aldo para ser o primeiro não basco a fazer parte da equipa.  Por um milhão de libras, deixava o seu adorado Liverpool e tornava-se na grande estrela da afición do Atotxa, apontando 40 golos em 63 jogos, durante as duas épocas que vestiu de azu e branco.
 
Mas não só de golos vive um avançado, e a dificuldade da sua mulher em ambientar-se à vida em San Sebastian, levaram-no a regressar ao Reino Unido para defender as cores do Tranmere Rovers, num negócio de 250 mil libras, uma verba surpreendente para uma equipa que não era do primeiro escalão.
 
Na primeira época marcaria 40 golos, demonstrando ter o faro para golo ainda bem afinado, ajudando assim o clube a lutar taco-a-taco pela promoção. Em três épocas sucessivas, os Rovers ficaram à porta da Premier League, perdendo no play-off com o Swindon Town, Leicester City e Reading, provocando uma profunda tristeza em Aldo e nos seus companheiros...
 
A camisola verde
 
Juntamente com a camisola vermelha do Liverpool, a camisola verde da Irlanda foi a que trouxe mais visibilidade e fama a John Aldridge. De trevo ao peito, sendo mais um dos rapazes de verde, Aldridge fez parte da geração de ouro do futebol irlandês, que comandada por Jackie Charlton, estreou a Irlanda nos grandes palcos.
 
Primeiro foi o Euro 88, onde uma histórica vitória sobre a Inglaterra fez mais pela auto-estima dos habitantes da Ilha Esmeralda, que qualquer outro feito em quase cem anos. Seguiu-se um empate com a U.R.S.S, antes da derrota, mesmo ao cair do pano com a Holanda, que custou o apuramento para as meias-finais.
 
Dois anos depois, em Itália, durante o mundial a Irlanda empatou os três jogos do grupo com a Inglaterra, Holanda e Egipto, eliminado de seguida a Roménia no desempate por grandes penalidades, para só cair nos quartos às mãos da equipa da casa e do golo solitário de Schillaci.
 
Falhada a qualificação para o Euro 92, a Irlanda voltou ao mundial em terras do Tio Sam. Tudo começou bem com uma histórica vitória sobre a Itália, vingando o desfecho de quatro anos antes. Seguiu-se uma derrota com o México por 1x2, com o golo de Aldo, já perto do fim a ser decisivo nas contas finais do grupo...
 
Depois de um empate com a Noruega na última partida, a Irlanda seguiu em frente graças ao goal-average e encontrar novamente a Holanda, com quem perdeu por 0x2, numa tarde tórrida de sol em Orlando, Flórida.
 
Dois anos depois, Portugal impediu a qualificação para o Euro 96, obrigando a Irlanda a ir jogar um play-off disputado curiosamente em Liverpool. Pela frente estava novamente a Holanda, que voltou a ser superior aos irlandeses, acabando com a carreira de Charlton à frente da seleção verde, e acabando com a última esperança de Aldo jogar uma grande competição. 

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