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Jean-Pierre Papin: Monsieur But!

Texto por João Pedro Silveira
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Durante a segunda metade da década de 80 e os primeiros anos dos anos 90, Jean-Pierre Papin era sinónimo de golo. Franzino, com uma constituição física que lhe dava uma aparente fragilidade, era contudo um jogador com uma velocidade de execução impressionante, Papin era o protótipo do avançado: mortífero, letal, literalmente não se lhe podia dar um espaço. Um eleito da arte de fazer golos, marcou uma era em Marselha e no futebol francês.

Nasceu na pequena vila costeira de Boulogne-sur-Mer, no Pas-De-Calais, com vista para o Canal da Mancha. Cresceu em Jeumount, uma pequena vila próxima da fronteira com a Bélgica. Seria no pequeno clube local que começou a jogar em 1970, contava então sete anos. Com quinze, mudou-se para o Trith-Saint-Léger, e pouco depois para o Valenciennes FC, onde jogaria até 1981, ano em que passou a defender as cores do RC Vichy, antes de voltar novamente a Valenciennes, para iniciar a sua carreira profissional em 1984.
 
Herói marselhês
 
Seguiu para Brugges, onde apontou 21 golos em 30 jogos, chamando a atenção de diversos clubes europeus. Em França, o magnata Bernard Tapie, que recentemente se tornara presidente do Olympique de Marselha, não perdeu tempo e trouxe Papin para a grande equipa que estava a formar. Ainda em 1986, fez parte da equipa francesa que conquistou a medalha de bronze no mundial do México.
 
Regressado do Campeonato do Mundo, deu o pontapé de saída na sua era marselhesa, ganhando rapidamente o lugar na equipa, e apontando golos com uma impressionante regularidade. Os anos de Papin no Olympique seriam lendários. 
 
Em Marselha, JPP conquistou um histórico tetracampeonato, festejou a dobradinha em 1989, foi coroado Rei dos goleadores franceses por cinco épocas consecutivas, vencedor do Ballon d'or, prémio instituido pelo France Football para o melhor jogador do continente europeu.
 
Na Europa, foi semifinalista da Taça dos Campeões Europeu em 1990 (derrotado pela mão de Vata na Luz) e finalista um ano depois em Bari, jogo em que o Olympique foi derrotado no desempate por grandes penalidades pelo Estrela Vermelha de Belgrado. Ao todo, em competições nacionais ou internacionais, apontou 185 golos em 244 jogos que vestiu a maillot branca do Marselha. 
 
De Tapie para Berlusconi
 
Depois da sua contratação ter sido um sonho de Bernard Tapie, os seus golos tornaram-no num alvo óbvio da cobiça do AC Milan e do seu icónico presidente Silvio Berlusconi.
 
O Milan de Berlusconi e do treinador Arrigo Sacchi era então a melhor equipa da Europa, e contava com alguns dos maiores craques do planeta como van Basten, Rijkaard, Gullit, Savicevic, Boban, Lentini, Maldini, Baresi... 
 
Nos rossoneri Papin teria algumas dificuldades para se impor, debatendo-se com algumas lesões e a forte concorrência. Em 1993 chegou à sua segunda final da Taça dos Campeões, e voltou a perder, desta feita com o seu antigo clube. Todavia, a nível interno, conquistaria o seu primeiro Scudetto, ajudando à vitória com treze remates certeiros.
 
Passado uma época, voltou a conquistar o Campeonato, e venceria a Taça dos Campeões, apesar de não ter participado na final. Chegava ao fim a sua etapa milanesa, aproveitando o fim-da-época e um convite do todo poderoso Bayern de Munique, para experimentar outras paragens...
 
Passagem pela Alemanha e regresso a França
 
Por terras bávaras continuou a não ser muito feliz, voltando a ceder às lesões e perdendo o seu faro por golos. Na primeira época jogou apenas sete jogos na Bundesliga, apontando somente um golo. A época seguinte não trouxe grandes melhorias, com JPP a apontar apenas três golos numa vintena de jogos. 
 
Nas competições europeias, jogou um dos dois jogos da final da Taça UEFA contra o Bordéus, conquistando assim mais um troféu para a sua coleção.  A nível interno, a passagem pelo Bayern não acrescentou mais ao seu curriculum, muito por culpa da crise de resultados do colosso bávaro, por esses tempos, claramente ultrapassado pelo Dortmund.
 
Sem lugar na nova seleção de Aimé Jacquet, JPP resolveu regressar a casa, ainda com a esperança de voltar a vestir a camisola dos bleus. Contudo, e apesar do regresso  aos golos em Bordéus, Papin não voltaria a vestir a camisola da seleção francesa. Após duas épocas e 22 golos, mudou-se para o Guingamp, onde terminaria a sua carreira profissional. 

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Jean-Pierre Papin
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