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      Rio Ferdinand: The Birdman

      Texto por Ricardo Rebelo
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      Podíamos falar de Paul Scholes, de Ryan Giggs ou até de Wayne Rooney: estaríamos absolutamente corretos. A lenda mais proeminente do Manchester United da era moderna é uma discussão capaz de gerar alguma discordância de opinião em opinião. Pois bem, se isso é um dado adquirido, a aclamação de outros nomes pelo meio também o é. Um deles, um dos que tem de estar obrigatoriamente nessa conversa, é Rio Ferdinand.

      Quem não se lembra da ação do birdman dentro das quatro linhas? A pujança era o prato da casa, assim como o rótulo de aterrorizador para quem tivesse a ousadia de o enfrentar. As vantagens físicas eram a ferramenta perfeita, a capacidade que muito ajudou à ascensão de um guarda-costas moldado por Sir Alex Ferguson. Carismático, temido, respeitado - manifestamente eficiente no seu jogo -, juntava as valias corporais à inteligência sobredotada, de uma capacidade rara dado o contexto onde apareceu, cresceu e triunfou. Enfim, a junção do estatuto que adquiriu com a qualidade inegável que detinha criaram uma figura inesquecível. Foram 12 anos a proteger a retaguarda das várias estrelas que deliciaram Old Trafford. Rio Ferdinand pode hoje gabar-se de ter um lugar no banquete limitado a ícones do Manchester United.

      «Agora, ser defesa-central não é apenas defender, ser duro e complicado. Trata-se de saber jogar futebol, controlar a bola, passar e ter mais conforto na posse de bola. Isso é algo que há 10 anos [na Inglaterra] eles não entendiam. O Rio foi o primeiro a fazer isso», Gerard Piqué, em 2015

      As outras cores antes de escolher o vermelho

      Descendente de mãe irlandesa e pai de uma pequena ilha chamada Santa Lucia, na América Central, Rio Gavin Ferdinand nasceu no sétimo dia de novembro, no King's College Hospital em Camberwell, em 1978. Foi bem ao lado, em Peckham, Londres, que cresceu com mais seis irmãos. Os seus progenitores nunca estiveram casados, separando-se quando Rio tinha 14 anos. A família Ferdinand levava uma vida humilde, mas sempre com uma ligação especial com a bola. Leslie - primo de Rio e Anton (outro futebolista da família) - começava a brilhar no Queen Park Rangers.

      Um feitio nem sempre fácil ©Getty / Scott Heavey
      Ferdinand tinha vários talentos. Para além de um ginasta notável, encantava com o jeito que tinha para a dança, nomeadamente, para o ballet, no entanto, e para sorte do futebol, os seus tendões eram demasiado pequenos para a prática a longo prazo. Aos 11 anos, o gosto pelo beautiful game adquiriu a faceta competitiva. Começou como médio ofensivo no Eltham Town, dadas as capacidades técnicas, porém, com o tempo, a estatura considerável levou-o a recuar à posição que lhe é reconhecida. Seguiram-se passagens por várias academias: Charlton Athletic, Chelsea, Millwall e Queens Park Rangers. Sem assentar em nenhum lugar, foi aos 14 anos que se hospedou, desta vez definitivamente, e com a consciência que o futebol era a sua prioridade, nas camadas jovens do West Ham. 

      Foi nas fileiras dos hammers que aprendeu, evoluiu e alcançou a primeira aparição na Premier League, no final da época 1995/96. Antes, já tinha envergado as cores inglesas nas seleções mais jovens. Os primeiros passos eram prometedores, ao ponto de Harry Redknapp começar a apostar com maior regularidade tanto em Ferdinand e Joe Cole, como noutro jogador de estaleca promissora, curiosamente, seu sobrinho: Frank Lampard. O defesa-central começou bem no centro defensivo da equipa londrina, isto na temporada seguinte, sendo emprestado ao Bournemouth na segunda metade da mesma. De regresso, o birdman pegou de estaca. 

      «No West Ham havia uma cultura de beber. Bebíamos sempre depois dos jogos. Desde então, tenho lacunas, as pessoas perguntam-me sobre os resultados da equipa e eu não me lembro. Enquanto o West Ham deu-me uma educação magnífica no futebol, alguns dos jogadores foram a pior influência que um jovem jogador pode ter. Fumar, beber, apostar, festas. Dicksy [Julian Dicks], Moncs [John Moncur] e afins diziam-me a mim e ao Frank: 'Venham e sentem-se aqui. Vejam como é ser um jogador de futebol'».

      A realidade da época não hipotecou o percurso de Ferdinand. Apesar das distrações, e das próprias «lacunas» que ficaram desses tempos, o impetuoso defesa-central continuou a sua caminhada. A consistência pautava as suas exibições e era abençoada com o prémio de hammer do ano em 1998, então com apenas 19 anos. Outros emblemas ingleses surgiram imediatamente no seu encalce, como o Manchester United, mas quem conseguiu roubar a jóia de Upton Park foi mesmo o Ledds United. 

      Privou muito com Cristiano ©Getty / Laurence Griffiths
      Vinte milhões de euros foi quanto desembolsou o conjunto de nomes como Danny Mills, David Batty ou Mark Viduka. A equipa vivia um bom momento, finalizando a Premier League na quarta posição e marcando presença nas meias-finais da competição milionária. Apesar de ter chegado a meio da época, o miúdo de Peckham arrebatava um lugar na defensiva peacock, assumindo a braçadeira de capitão pouco depois. Fortíssimo no jogo aéreo, perspicaz na arte de se antecipar, eficiente no desarme: o nível daquilo que oferecia ao jogo não parava de subir, e daí se justificou a estreia numa grande prova a nível de seleções.

      A primeira vez já lá ia. Cinco anos depois da inclusão de um jovem acabado de fazer 19 anos, numa partida amigável contra os Camarões, a história do potencial, de grande promessa, que até já o tinha levado ao França 1998 (sem somar qualquer minuto), dava lugar à certeza depois de um golo e, sobretudo, de uma mão cheia de exibições irrepreensíveis pela Inglaterra, no Mundial 2002. A parceria com Sol Campbell surtiu frutos. O frenético interesse de outros emblemas despontava. Prestes a mergulhar numa crise financeira, o Leeds libertou um dos seus ativos mais valiosos por uma verba a rondar os 35 milhões de euros. Old Trafford recebia Rio Ferdinand depois do brilharete em terras asiáticas.    

      O teste que colocou o futuro red devil em risco 

      O central era novamente o defesa mais caro do mundo, isto depois da transferência de Lilian Thuram para o Arsenal ter superado a verba que saiu dos cofres do Leeds. Ferdinand chegou e saltou imediatamente para a linha da frente, ou melhor dizendo, para a linha mais recuada. Atirado às feras, e é concebível retratar o auge da rivalidade red devil e gunner desta forma, o internacional inglês encaixou que nem uma luva, fortalecendo a defensiva de Sir Alex Ferguson. O título da Premier League viajava de Londres para Old Trafford, em 2003.

      Os primeiros vislumbres davam a ideia de que a cara nova do quarteto defensivo podia chegar ao nível de Gary Pallister, Steve Bruce ou Japp Stam: outros «monstros» de nomeada que passaram pelo reinado do técnico escocês. Não era preciso ser um génio para perceber que Ferdinand conseguia acrescentar outras coisas em relação aos seus antecessores de renome: qualidade técnica, capacidade posicional, leitura de jogo acima do normal. Opiniões assentes nestes princípios começaram aí a formar-se. O melhor é que assim como Ferdinand, há que fazer referência a um dos outros pináculos dessa era, também defesa-central, também lenda. Falamos de um sérvio, o outro responsável por uma dupla de centrais das mais lendárias de que há memória, mas já lá vamos. 

      O início foi então bastante prometedor e é correto dizer que a longo prazo revelou-se uma aposta ganha. O que é certo é que o birdman esteve perto de borrar a pintura. Ainda nesse ano, o jogador falhou um teste de controlo anti-doping surpresa, logo após a uma sessão de treino, em Carrington, na academia do Manchester United. Apesar de o ter feito no dia seguinte e de não ter acusado o uso de substâncias ilícitas, as consequências da sua ação saíram-lhe bem caras: oito meses de suspensão e uma coima avaliada em 57 mil euros.  

      Nos últimos tempos, no QPR ©Getty / Paul Gilham
      A popularidade, o sentimento de pertença e de carinho pelo público de Manchester conheceu aí o seu primeiro abalo. O Euro 2004, onde tinha lugar garantido, passou a uma miragem, assim como a temporada que coroou a equipa vermelha... de Londres. Seguiram-se tempos nublados para si e para o bicho-papão de anos anteriores. A equipa teve de lidar com uma nova força interna: o Chelsea de José Mourinho; os resultados não apareciam com a abundância do costume. O contexto não ajudava e a sua imagem não estava perfeitamente intacta. A relação com os seus adeptos esfriou-se definitivamente após a longa novela relativamente à renovação do seu contrato.

      E foi mesmo caso para se dizer que o verniz estalou. Ferdinand foi alvo de vaias do insatisfeito público red devil. Durante 16 meses de negociação de um novo contrato, as acusações de deslealdade escalaram de dia para dia. A massa adepta não perdoou o facto do Manchester United ter pago o salário do atleta durante o período em que esteve suspenso e, naquele momento, retardar o acordo, numa altura em que a saúde financeira do clube atravessava momentos de sobressalto. Mas o pior nem foi isso. Nessa mesma altura, o defesa-central foi visto com Peter Kenyon, CEO do Chelsea. O ponto de ebulição esteve a um passo em falso, mas a tempestade acabou por desaparecer com o prolongamento do vínculo. Finito o momento conturbado na sua carreira, Ferdinand estava prestes a voltar a sorrir, e muito.     

      Glory Glory Man United!

      A alegria dos títulos ©Getty / Alex Livesey
      E que bem repercutiram cada verso desta canção. 2007 foi o ponto de viragem de uma travessia que havia começado bem, mas esmorecido de seguida. O grande rival, agora vestido de azul, continuou por Londres. Derrotado, o Chelsea de José Mourinho perdeu o título para o conjunto de Ferdinand e companhia. Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney brilhavam, Paul Scholes e Ryan Giggs continuavam a um nível respeitável e lá atrás, entre Patrice Evra e Gary Neville, o tal sérvio fazia uma dupla inesquecível com a personagem principal desta história. Nemanja Vidic e Rio Ferdinand são dois nomes incontornáveis da posição que mais solidez, assertividade e sintonia deve trazer a qualquer equipa, e eles ofereciam isso e muito mais. Sem dúvida, uma das melhores associações defensivas: evidenciada em títulos, méritos e sobre um reconhecimento ímpar. E por falar em conquistas, o melhor ainda estava para vir.

      «A Liga dos Campeões foi uma noite inacreditável.Tu não pensas nos teus sonhos mais loucos que terás a chance de colocar as mãos naquele troféu. Ser capitão naquela noite foi fenomenal, um bônus em cima de tudo o resto».

      O epítome da glória chegou de Moscovo, ano de 2008. Lá, na distante capital russa, o Manchester United superiorizou-se novamente ao rival interno, o Chelsea de Avram Grant. Depois do bicampeonato, a terceira Liga dos Campeões dos red devils, levantada por Giggs e Ferdinand, o capitão que... nunca foi capitão. A ausência de Gary Neville levou-o a usar o símbolo de líder nessa final, tendo assumido essa responsabilidade diversas vezes, mas a verdade é que nunca foi designado como capitão permanentemente.

      As capacidades de liderança eram evidentes, sentia-se em cada jogo. Não é isso que está em causa, até porque para quem tinha a responsabilidade de o nomear, nunca colocou isso em questão. O entrave foi outro. O ícone daquela backline formidável admitiu que foi um dos maiores dissabores da sua carreira, revelando que a razão pela qual Sir Alex Ferguson nunca lhe concedeu o prazer de capitanear a equipa regularmente teve a ver com a gestão do seu ego, digamos assim: «A tua personalidade. Se eu te tivesse dado muito crédito, poderias empolgar-te demasiado».

      Na Champions, em 2009 ©Getty / Shaun Botterill
      Foi uma, mas podiam ter sido três. O impactante tiki taka de um Barcelona de outro mundo revelou-se, naturalmente, fora do alcance da força inglesa. Por Inglaterra, Ferdinand foi parte integrante na corrida a dois pelo título com o Chelsea, isto até o rival da cidade emergir novamente e roubar o célebre título de «Aguerooooooo...». Ainda antes, em 2006, no Mundial da Alemanha, foi um dos indiscutíveis de Sven-Göran Eriksson, no seu regresso aos grandes palcos pela seleção inglesa. A equipa caiu nos quartos-de-final, contra Portugal. Novamente às mãos dos portugueses, aquele conjunto de estrelas de quem se esperava muito, voltava a defraudar as expectativas. A esperança mantinha-se, porém, a história ditou um rumo bem diferente. Vitórias importantes pela seleção de Sua Majestade não se sucederam, mas que para Ferdinand as houve, houve.   

      Com ou sem braçadeira, a caminhada continuou da melhor maneira possível até 2013, ano de despedida do pai escocês dos seus e dos maiores êxitos dos de Manchester. Mesmo após a saída de Cristiano Ronaldo, a equipa continuou a ganhar. Vale mais a pena ver por si próprio a extensa lista de troféus que o birdman arrecadou: desde a conquista do Mundial de Clubes, até aos seis títulos de campeão inglês, sem esquecer os cerca de nove troféus domésticos. Como o Barcelona de Pep Guardiola teve um Puyol, como um Milan de Arrigo Sacchi teve um Baresi, como um Bayern de Dettmar Cramer teve um Beckenbauer, também Manchester United de Sir Alex Ferguson teve um defesa-central, este nem sempre com o «C» pregado ao braço, mas capaz de liderar, de guiar, de comandar uma defesa e uma equipa também campeã da Europa. 

      «Para mim, o maior idiota será sempre o John Terry» 

      Rio Ferdinand e John Terry foram dois símbolos da nova realidade defensiva a que o futebol inglês teve forçosamente de se adaptar. E são, inequivocamente, os dois melhores da sua geração. Depois de Sol Campbell e Martin Keown, antes de John Stones e Harry Maguire, estes dois nomes dominavam a posição central da defesa de Inglaterra, mas não se davam lá muito bem. O clima conturbado entre o blue e o red devil marcaram tempos instáveis naquela seleção.

      Tudo começou em outubro de 2011. Numa partida entre o Chelsea e o Queens Park Rangers, John Terry terá alegadamente proferido insultos racistas a Anton Ferdinand, irmão mais novo da lenda do United. Apesar de ter sido ilibado, a situação gerou bastantes consequências, desde logo, a nível da relação entre os dois. Ferdinand confessou que, após o sucedido, a sua família passou um mau bocado. Anton recebeu ameaças de morte e até a sua mãe acabou no hospital devido a uma crise de stress. A situação toda que se desenrolou levou Ferdinand e Terry a seguir caminhos diferentes, sendo que o silêncio do companheiro de posição foi fulcral para a decisão do central do Manchester United. De costas voltadas estavam, de costas voltadas permaneceriam:

      «Para mim, o maior idiota será sempre o John Terry. Como capitão de Inglaterra e meu parceiro na defesa, ele podia ter poupado muita dor ao admitir imediatamente que havia usado as palavras no calor do momento, mas que não era racista. Eu acho que foi isso mesmo que se sucedeu e que é essa a verdade. Eu e o Anton teríamos aceitado. Mas, em vez disso, nunca nos deu qualquer hipótese e é aí que está a traição. Ele procurou fugir ao que tinha feito», escreveu, na sua autobiografia publicada em 2014.

      A situação abriu o precedente que influenciou, e de que maneira, a carreira internacional de Ferdinand. Ainda que pelo meio, o central tenha assumido a braçadeira de capitão, também devido ao escândalo sexual em que John Terry esteve envolvido anteriormente, desde a chegada de Roy Hodgson, Ferdinand foi riscado. Depois do falhanço inglês em qualificar-se para o Euro 2008 e a lesão que o afastou do Mundial 2010, a opção técnica que o deixou de fora do Euro 2012. A especulação subiu de tom. Também em choque com Ashley Cole, devido ao lateral-esquerdo ter ido testemunhar a favor de Terry no caso «Anton», a decisão tomada pelo técnico inglês assentava apenas numa explicação lógica para a opinião pública: Ferdinand era preterido para salvaguardar a saúde do balneário inglês.

      Roy Hodgson abriu novamente as portas da seleção a Ferdinand, mas pouco depois, em 2013, o defesa-central anunciou que se ia aposentar, abandonando com 81 internacionalizações e três tentos no currículo. A nível de clubes, a história era bem diferente. Atormentado pelas lesões, o já mais do que impactante defesa-central marcou o último golo da era Alex Ferguson, na época 2012/13, despedindo-se na temporada seguinte de Old Trafford. Na extensa bagagem levou muitas vitórias, os melhores momentos da sua carreira e um amor indescritível:

      «Eu pensei que iria ficar no United por alguns anos, talvez três ou quatro, e depois iria para outro lugar. Mas apaixonei-me pelo Manchester United. Apaixonei-me por vencer, apaixonei-me pela história do clube e fazer parte disso era algo que eu nunca podia imaginar».   

      «Antes de morrer, disse-me que seria um ótimo pai e mãe para as crianças»

      O maior desafio da sua vida chegou depois de pendurar as chuteiras. O Queens Park Rangers foi a sua última e discreta etapa. Ferdinand retirou-se em 2015, praticamente na mesma altura em que teve de lidar com a morte da sua companheira: Rebecca Ellison...  

      «Ninguém está preparado para sofrer tal perda. Antes de falecer, ela disse-me que seria uma ótima mãe e pai para as crianças. Eu nunca pensei que aquilo ia mesmo acontecer. Mas ela morreu dez semanas depois de lhe ser diagnosticado o cancro. No início, bebia muito à noite depois de colocar os meus filhos a dormir. Até que um dia acordei e não podia leva-los à escola. Até um acidente de carro tive. Foi aí que percebi que não podia continuar assim» 

      Na Champions, em Braga ©Catarina Morais
      Com três filhos para criar, o período consequente à perda da sua esposa, com quem era casado desde 2009, revelou-se penoso. O que importa referir é que Ferdinand deu a volta por cima, e até encontrou um novo amor, Kate Wright. O ex-jogador voltou a casar-se em 2019, dois anos depois de sofrer outra perda dolorosa. A sua mãe faleceu, também de cancro, com 58 anos. Num curto de espaço de tempo, a vida pregou-lhe muitas partidas, muita agonia. Ferdinand, ao estilo do que mostrava em campo, teve força para superar o desaparecimento de duas das pessoas mais importantes da sua vida, sendo que mesmo nesse período, tornou-se um dos ex-futebolistas mais em cena depois de se aposentar.

      O que quer isto dizer? Certamente que se tiver por dentro do assunto, já reparou que Ferdinand é agora uma voz interventiva no mundo do comentário. O jogador dá a sua opinião em vários programas sobre futebol, é bastante interventivo nas redes sociais, nomeadamente, em conversas e entrevistas com personalidades ligadas ao desporto-rei e até tem o próprio canal no Youtube. Ao longo da sua carreira no futebol, teve também uma ligação especial ao cinema, realizando, entre vários exemplos, um documentário sobre Peckham, com o intuito de alertar os mais jovens sobre a vida criminosa. Em criança evidenciou-se em várias atividades, e após cortar relações com a bola, fez jus a essa peculiaridade, apostando no pugilismo. Não correu lá muito bem e retirou-se rapidamente da modalidade, sendo que a figura de comentador é mesmo aquela que mais podemos contar no futuro. 

      «Ser defesa-central não estava na moda. Eu queria ser um médio-centro que marcava golos e era a estrela. Aparecer na frente e no fim do jornal. Disseram-me 'Sim, mas eu acho que tens mais chances de o conseguir como defesa'. Fiquei de mau humor cerca de duas ou três semanas. Foi aí que percebi: 'Na verdade, talvez tenha razão. Esse é o meu melhor caminho para ser jogador de futebol profissional'».

      Até porque o futebol é feito de pormenores, em boa hora esse «alguém» pensou nisso, em boa hora alguém imaginou Ferdinand como um sucesso lá atrás. E, no fim de tudo, é seguro dizê-lo: em boa hora Old Trafford recebeu um produto pronto para brilhar, para fazer primeiras e últimas páginas dos jornais. Dito e feito. Ferdinand foi e será sempre uma lenda.

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      Rio Ferdinand (ENG)
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