história
Jogadores

Xavi Hernández: o pequeno grande jogador

Texto por João Pedro Silveira
l0
E0
A vitória da Espanha no Euro 2008 marcou mais que o fim de um longo jejum de 44 anos, o inicio da era dourada do futebol espanhol e muito desse sucesso e ascensão do futebol da Roja se deveu a classe e ao génio do Xavi Hernández.

Um pequeno gigante dentro das 4 linhas

Num desporto em que a tática e a força atlética se tornaram uma obsessão de treinadores e adeptos um pouco por todo o mundo, olhar para a equipa espanhola de 2008 (e mais tarde a do mundial de 2010, ou a do FC Barcelona de Guardiola) faz pensar que a inteligência e a arte no futebol ainda superam tudo.
 
Olhar para os 170 cm de Xavi Hernández e perceber a dimensão de gigante do futebol que o pequeno génio catalão detém, é bem mais fácil, do que à primeira vista poderia parecer.
 
O pequeno craque do FC Barcelona, tal como o seu colega e compatriota Iniesta, ou o também colega Messi o são, é um predestinado do futebol, que nasceu para resolver partidas e conquistar competições.
 
Num mundo dividido entre Cristiano Ronaldo e Messi, a vã glória de Xavi será ser um terceiro melhor jogador do mundo. O futuro dirá se nos perdoam o pecado de nunca dar a Xavi o trono de melhor jogador do mundo. 
 
Graças à sua seleção, e sem Messi ao lado, Xavi chamou a si a glória no Euro 2008. Decisivo, magistral, genial, assim categorizou a imprensa europeia o maestro da orquestra espanhola, que foi eleito pela UEFA como o melhor jogador a pisar os relvados da Áustria e Suíça durante a prova maior do continente europeu.
 
Made In Barça
 
Produto de La Masia, a escola de formação do Barcelona, cedo se destacou no clube, mostrando ser um fiel seguidor da filosofia lançada pelo clube por Johan Cruyff. Chegou à equipa principal em 1998/99, lançado por van Gaal. Logo na estreia, frente ao Mallorca, na Supertaça, marcou - mas os catalães perderam a competição. Iniciou-se aqui um percurso de 17 anos na equipa principal do Barça, clube pelo qual conquistou 25 títulos e é o jogador com mais jogos. 
 
Xavi fez parte de algumas das melhores equipas de sempre do Barcelona. Em 2006, conquistou a Champions pela primeira vez, no ápice de uma fantástica equipa que reunia Ronaldinho, Etoo, Deco, Puyol ou o jovem Iniesta. Ainda assim, Xavi não era peça indispensável para o técnico holandês, e nem sequer foi utilizado na final. Em 2008, Guardiola - que, enquanto jogador, foi colega de Xavi no meio campo do Barcelona - foi apontado treinador do clube e Xavi viveu os melhores momentos da carreira, conquistando a Champions por mais duas vezes e sagrando-se tricampeão espanhol. Foi a consagração definitiva do tiki-tika, numa das melhores equipas de sempre.
 
Ao mesmo tempo que o Barcelona de Guardiola encantava a Europa, a Espanha conquistava o Mundo. Em 2010, na África do Sul, conquistou o seu primeiro (e, até hoje, único) título de campeão mundial e em 2012 sagrou-se bicampeã europeia, tornando-se a primeira seleção a vencer dois Campeonatos da Europa consecutivos. Em toda esta era vencedora, Xavi foi um dos elementos fundamentais.
 
Classe também na Ásia
 
Aos poucos, Xavi começou a perder espaço no onze do Barcelona e da Espanha. A sua despedida pela seleção foi no Mundial 2014, num jogo de má memória para os Nuestros Hermanos (1x5 frente à Espanha), e na época seguinte despediu-se do seu Barcelona, conquistando a sua quarta Champions.
 
Rumou depois ao Catar, onde representou o Al-Sadd e conquistou mais quatro títulos até terminar a carreira em 2019, já com 39 anos.
 
Seis vezes na equipa do ano da FIFA e três vezes no pódio do Melhor Jogador do Mundo, Xavi é um gigante do futebol mundial, que fez parte de uma das gerações mais talentosas e vencedoras de sempre. Poucos serão os jogadores, antes e depois de Xavi, com a sua inteligência, classe e visão de jogo na história do futebol.

Fotografias(74)

Capítulos
Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
motivo:
EAinda não foram registados comentários...