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Steve Bloomer: a primeira estrela

Texto por João Pedro Silveira
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Quando hoje em dia se fala da grandeza de Cristiano Ronaldo e Messi, comparando os feitos de ambos com os de Maradona ou Pelé, muitos recordam outros grandes jogadores que viram jogar... Cada geração teve o seu herói e todos os apaixonados do futebol reclamam igual tratamento para o ídolo que viram jogar, seja ele Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Baggio, Platini, Zico, Cruijff, Eusébio, Charlton, Di Stéfano, Puskas ou Matthews... 

De Steve Bloomer  - Stephen Bloomer de nascimento - poucos falam. O mais provável é que já não haja ninguém que o tenha visto jogar, mas no seu tempo - fim do século XIX, primeiras décadas do século XX - não havia jogador mais celebrado que este filho de uma pequena família judaica de Worcestershire. Com a camisola do Derby (e também do Middlesbrough e da Inglaterra), Bloomer tornou-se a primeira grande vedeta do futebol. Ídolo de multidões, herói de milhões.

Durante a sua profícua carreira, Bloomer apontou golos, muitos golos, tanto com as camisolas do Derby County e Middlesbrough, como com a camisola da seleção nacional inglesa. Ameaça constante da defesa, famoso pelo seu remate cruzado, o famoso Daisy Cutter (1) - um pontapé seco, certeiro que quando saído de qualquer um dos seus pés, era por norma indefensável. 

Em 536 presenças em jogos do primeiro escalão, apontou 317, o que faz dele o segundo jogador com mais golos marcados na primeira divisão, apenas superado por Jimmy Greaves com 357 remates certeiros. Com a camisola dos «três leões», com que conquistaria oito British Home Championships, apontou 28 golos em 23 jogoss, o último dos quais, em 1907 contra a Escócia. Tornando-se então o mais internacional de todos os súbditos de «Sua Majestade».

Além de ser um brilhante goleador, Bloomer também jogou beisebol, defendendo as cores do Derby County Baseball Club, ao serviço do qual foi campeão britânico em 1890 (o primeiro de três títulos). Desportista nato, ainda praticou críquete ao nível amador, além de outras atividades desportivas.

Carreira como jogador

Aos 18 anos, Bloomer iniciou a sua carreira no Derby County - clube onde o seu pai já havia jogado - onde por cinco vezes se sagraria  goleador mor do campeonato (1896,1897,1899,1901 e 1904), recorde que não foi superado até aos nossos dias.

No entanto não conseguiu nenhum título ao serviço dos The Rams, tendo de se contentar com a presença em duas finais da Taça de Inglaterra (1898 e 1899).

Em 1906 o Middlesbrough, perdeu a cabeça, oferecendo 750 libras esterlinas pelo seu passe, o que era uma verdadeira fortuna para os parâmetros da época. Quatro anos depois, voltaria ao seu Derby County, onde pendurou as botas em 1914.
 
De herói a prisioneiro
 
Penduradas as botas, Bloomer encetou a carreira de treinado e aceitou o convite para ir para a Alemanha treinar o Britannia Berlin, em julho de 1914. Inesperadamente, a I Guerra Mundial começou pouco depois e Bloomer encontrava-se na capital do principal inimigo da Grã-Bretanha.
 
Três semanas depois de ter começado a treinar, foi detido e levado para um campo de prisioneiros em Ruhleben, Spandau, onde permaneceria como prisioneiro de Guerra, até ao fim do conflito em Novembro de 1918.
 
Durante a sua estadia em Spandau, conheceu diversos compatriotas que foram chegando ao campo, após terem sido capturados na Frente Ocidental. Juntamente com eles organizou torneios com diversas equipas de prisioneiros, que em certos encontros, chegaram a ser presenciados por cerca de outros cinco mil prisioneiros.
 
Com o fim do conflito, em vez de regressar a casa, passou para a Holanda, onde treinou o Blau-Wit Amsterdam. Seguiu-se o Real Unión, de Irún, no País Basco, onde em 1924, conduziu o clube à conquista da Taça do Rei, batendo na final o Real de Madrid por 1x0, já depois de ter goleado o Barcelona nas meias finais (6x1).
Depois de regressar a Inglaterra, ainda foi treinador-jogador das reservas do Derby, enquanto assumiu as funções de jornalista num jornal local e ajudava no seu clube de beisebol. Acabou por falecer em 1938, após prolongada doença, três semanas depois de ter regressado a um cruzeiro à Austrália e Nova Zelândia que fora oferecido pelo seu Derby County.

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(1) - Daisy Cutter - «Corta-Margaridas» - Remate potente e tenso, assim conhecido por avançar rente ao relvado, dando a impressão de poder cortar as flores que nasciam espontaneamente na relva que cobria os campos de futebol. 

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