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Le Carré Magique: A França de 1984

Texto por João Pedro Silveira
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Entre triângulos e losangos, o futebol sempre glorificou a geometria, contudo nem todas as formas geométricas fizeram história. Não mencionando o improvável rectângulo, ou o inviável círculo, a verdade é que o futebol nunca pareceu simpatizar muito com o quadrado.

O mesmo se passa com os números. Desde os «cinco violinos» até aos «cinco nº 10» que o Brasil apresentou no México 70, passando pelos famosos trios de Law, Charlton e Best, que brilhavam no Manchester United dos idos de sessenta, ou falando dos três R's brasileiros do Mundial de 2002: Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, a figura do trio, o "tridente", sempre figurou no imaginário dos amantes do jogo. Já o quarteto, e com ele o quadrado, talvez pela sua figura obtusa, não é lembrado regularmente...

Mas como em todas as regras há uma exceção, e há um quadrado que perdurou na memória, um quadrado mágico, «Le Carré Magique», a França de 1984. A saber: Michel Platini, Jean Tigana, Alain Giresse e Luis Fernández, o quarteto que fez história e levou a França ao seu primeiro grande troféu internacional.
 
E tudo começou em Espanha
 
A grande equipa francesa já tinha brilhado no mundial de Espanha em 1982, onde chegara às meias-finais (derrota com a R.F.A. no desempate por grandes penalidades), com os «três mosqueteiros»: Platini, Giresse e Tigana, mas seria com a inclusão de um quarto elemento (Fernández), como na história de Alexandre Dumas, que os «mosqueteiros» franceses chegariam à glória.
 
Por mais discutível que possa ser a atribuição, a verdade, é que muitos analistas consideravam que em 1984 a França era a melhor seleção do mundo. Com o Campeonato da Europa em casa, depois das promessas deixadas nos relvados de Espanha, os «bleus» partiram para o seu europeu embalados nos bons resultados dos jogos de preparação.
 
Um quadrado mágico
 
Desde a derrota nas meias-finais em Sevilha que a França seguia de vitória em vitória, alimentando o prestígio e as expectativas. A 29 de Fevereiro de 1984, no Parc des Princes, uma vitória sobre a Inglaterra por 2x0, marcava a estreia do «quadrado mágico», o dia em que os quatro jogadores iniciaram pela primeira vez a partida com um dos «onze» da seleção nacional francesa.
 
Até ao pontapé-de-saída no euro, os «bleus» perderam apenas uma partida em Copenhaga, 3x1 com a Dinamarca. Mas na fase final puderam vingar-se, batendo os nórdicos por 1x0. Seguiu-se uma goleada magistral por 5x0 sobre a vizinha Bélgica e uma reviravolta com a Jugoslávia por 3x2, com duplo hattrick de Platini que assim caminhava para os nove golos que marcou na fase final, recorde que ainda hoje vigora.
 
Seguiu-se uma vitória épica na meia-final em Marselha sobre Portugal (3x2), com reviravoltas, muito drama e o golo da vitória a surgir ao cair do pano por intermédio do inevitável Platini.
 
Na final, e, apesar do contributo de Arconada, a França foi claramente superior à Espanha e chamou a si o troféu, e o Parc des Princes cantou orgulhosamente a Marselhesa...
 
Dois anos depois, no calor do verão mexicano, a França voltou a encantar com o seu futebol de filigrana, vencendo primeiramente um grupo com soviéticos e húngaros, antes de eliminar os campeões do mundo (Itália). Nos quartos-de-final apearam o Brasil de Zico, antes de caírem novamente aos pés da R.F.A. na meia-final.
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