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      Breslávia (Wroclaw)

      Texto por João Pedro Silveira
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      Breslávia em português, Breslau em alemão, Wroclaw em polaco, o nome da capital polaca da Silésia conta muito da conturbada história da cidade... Guerras, conquistas e destruição. Pablo Picasso um dia referiu que a reconstrução da cidade no pós-guerra foi uma inspiração para si, e de certa forma não é difícil perceber porquê. Breslávia é uma obra de arte que ao longo dos séculos esteve sempre em contínua mutação. Tal como Poznan, também nasceu numa ilha, Ostrów Tumski, e foi se espalhando por um conjunto de onze ilhas, que hoje se encontram unidas por 112 pontes, algumas delas que remontam à Idade Média.

      Raízes checas...

      Breslávia é a súmula de várias culturas, as suas ruas escondem as encruzilhadas da história que se sobrepõem na «Jóia da Silésia» como um bolo de inúmeras camadas. Fundada por um duque checo no século X, atraiu rapidamente a atenção dos monges polacos que aí fundaram uma diocese antes da conquista por Mieszko I, que tornou Breslávia numa cidade polaca, com o nome de Wroclaw.

      Reconquistada pelos boémios e novamente pelos polacos, aproveitou para sacudir o jugo estrangeiro e tornar-se temporariamente a capital de uma independente Silésia. Com a reunião dos ducados polacos a cidade voltou a tornar-se um certo importante da Polónia, até ser arrasada pela invasão mongol em 1241.
       
      Ostrów Tumski, a ilha da Catedral.
      Chegaram então os primeiro colonos germânicos, que se integraram na vida da cidade, juntamente com os boémios e checos, os polacos, judeus e os silésios. E a cidade foi mudando de mãos entre os reinos da Polónia e da Boémia, até à ascensão da Áustria ao estatuto de primeira potência europeia. Iniciando-se então o período de domínio dos Habsburgos vienenses que pôs fim ao período boémio-checo que tantas marcas deixou na cidade, abrindo caminho para a crescente germanização da cidade que ganhava o nome de Breslau.
       
      Influências germânicas
       
      No jogo de poderes da Idade Moderna, a Silésia era uma zona tampão entre três potências: Áustria, Prússia e Rússia, passando de mãos entre austríacos e prussianos durante o século XVIII. Iniciou-se então um processo de germanização acelerada e Breslau seria incluida no Império Alemão que surgiu em 1871, e assim permaneceu durante a República de Weimar e o III Reich, até ao fim da II Guerra Mundial, quando após o tratado de Potsdam voltou a ser polaca. 
       
      Ostrów Tumski e a Ilha de Piasek
       
      Visitar a cidade é sentir o peso da história, não obstante três quartos da cidade se encontrarem em ruínas no fim da II Guerra Mundial, fruto da forte resistência alemã ao avanço do exército vermelho, Breslávia foi reconstruída nas décadas seguintes, numa tentativa de manter o brilho de outras eras.
       
      Praça Rynek, o coração de Breslávia.
      A reconstrução sarou as feridas do passado e foi em grande medida fiel à Breslau que existia em 1939. Hoje passear pelo seu centro, é como que regressar a esses tempos de outrora, ao brilho que a cidade tinha na Belle Époque, com os seus cafés à Vianense, e aura de uma cidade joia do Império Austro-Húngaro.
       
      Caminhar por Breslávia é descobrir esses encantos de outras eras. A mais bela das cidades da Silésia é banhada pelo Rio Odra, e nasceu na Ostrów Tumski, uma parte da cidade cercada quase totalmente pelo Rio e canais, que em tempos foi uma ilha no meio do rio, mas que no século XIX viu o braço norte do rio encher de terra e a ilha deixar de o ser.
       
      Em Ostrów Tumski pode encontrar alguns dos ícones da cidade como a Catedral de São Baptista, o Palácio Arquiepiscopal e um conjunto de igrejas históricas. Poderá ainda visitar o Jardim botânico, um orgulho dos locais, que lembram regularmente quem os visita, que se trata do mais belo jardim de toda a Polónia.
       
      Depois de se perder pelas numerosas ruas e becos estreitos pode seguir pela Katedralna, deixando a Catedral para trás, encontrará a Ponte Tumski que liga Ostrów Tumski à Ilha de Piasek, um pequeno banco de areia que desde o século XII é casa dos cónegos regulares do Mosteiro da Igreja de Santa Maria em Piasek.
       
      O Centro
       
      Não muito longe fica o centro da cidade, a que pode aceder tanto por Piasek como pela Most Pokoju, que liga Ostrów Tumski ao coração de Breslávia. Poderá conhecer nesta bela zona da cidade a velha Universidade, fundada pelo Imperador Leopoldo I em 1702. 
       
      Por perto poderá descobrir a Plac Biskupa Nankera, uma praça famosa pelos seus edifícios, que representam períodos tão distintos como a Igreja Gótica de São Vicente ou mosteiro barroco do século XVII. Na Powstancow Warszawy poderá encontrar os melhores exemplos da arte silesiana e gótica, no Museu Nacional, local priveligiado para recordar a história, a cultura e a arte da cidade e da região.
       
       
       
       
      O Rynek, a segunda maior praça da Polónia, é um bom lugar para começar a exploração e a vizinha Câmara Municipal é tão grande que demorou quase 200 anos a construir e tem três ruas no seu interior. O complexo alberga um museu de arte e um tesouro, e é uma mistura de estilos arquitectónicos, o que também se nota no Rynek, que é um amálgama de gótico com extravagante Arte Nova, patente nas fachadas norte e sul, que foram reconstruídas depois de 1945.
      Vista aérea da Rynek e zona envolvente.
      Incontornável é a visita à Rynek, o coração da cidade, que é também a segunda maior praça da Polónia, uma cápsula do tempo, verdadeiro tesouro que combina estilos arquitetónicos tão diversos como o Gótico ou a Arte Nova.
       
      A Rynek, com as suas esplanadas e lojas, a azáfama dos locais e ócio dos turistas, é o local indicado para sentir o pulsar da cidade, antes de conhecer o vizinho edifício da Câmara Municipal, de dimensão tão grande que demorou aproximadamente 200 anos para terminar a construção. O complexo é tão grande que se encontram duas ruas dentro e alberga um Museu de Arte.
       
      Ao redor, a Praça exibe fachadas sumptuosas, portas com detalhes, candeeiros, pequenas estátuas e um conjunto sem fim de detalhes apaixonantes, que quase se pode jurar, que cada novo regresso à Rynek, providencia uma nova possibilidade de encontrar um tesouro e renovar a paixão pelo local.
       
      A não perder, é igualmente uma visita ao Panorama e Raclawice, a famosa Rotunda, onde o Panoram representa a histórica vitória na Batalha de Raclawice sobre os russos em 1794. 
      Comentários (1)
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      motivo:
      O Saber não ocupa lugar
      2012-06-08 07h54m por LEAOSELVAGEM
      Os felizardos que vão, foram ou irão assistir ao Euro ao vivo poderão ter nestes belos artigos do Zerozero autênticos guias turísticos com grande informação histórico-cultural da região a visitar.

      Nós que só "vamos" ao Euro através da TV, jornais e PC, temos nestes artigos autênticas fontes de informação, lições histórico-político-geográfico- culturais destes povos e destas cidades que recebem a fase final do Europeu de Futebol
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