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      Euro 1976

      Euro 1976: Afinal não ganha sempre a Alemanha

      Texto por João Pedro Silveira
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      Nas discotecas da Europa dançava-se ao som da "Dancing Queen" dos Abba, o disco sound vivia a sua era dourada nas pistas à volta do mundo. Em Inglaterra, em movimento de contracultura, os Sex Pistols editavam o iconográfico «Never Mind the Bullocks» e uma geração cantava a plenos pulmões que não havia futuro; enquanto nos céus voava pela primeira vez o Concorde. No grande ecrã, Robert De Niro brilhava em «Taxi Driver», mas o oscar de melhor filme foi parar ao não menos iconográfico «Rocky». 

      No ano em que falecia Mao Tse-tung, os E.U.A. comemoravam o duo centenário da independência e em Montreal disputavam-se os Jogos Olímpicos e Nadia Comăneci, rapariga romena de 14 anos, tornava-se a primeira ginasta a receber a nota "10" nas Olimpíadas, surpreendendo tudo e todos, inclusive o quadro eletrónico que não estava preparado para dar mais que 9.99.

      O longo caminho até Belgrado
       
      A qualificação do euro 1976 deixou pelo caminho algumas das grandes seleções do «velho continente», como a Inglaterra, que ao empatar os dois jogos com Portugal viu-se ultrapassada pelos checoslovacos; Por sua vez a Itália ficou atrás da Laranja Mecânica (e da Polónia) no grupo mais forte da qualificação; e a França desiludia por completo, ficando longe de belgas e alemães de leste, conseguindo vencer apenas um jogo na qualificação, um 3x0 sobre a fraca Islândia.
       
      Soviéticos, alemães ocidentais, espanhóis e jugoslavos confirmaram a sua força, e a grande surpresa foi protagonizada pela combativa seleção galesa, que com John Toschack em grande forma, superou a concorrência de austríacos e húngaros, qualificando-se para a fase seguinte em primeiro lugar no grupo 2.
       
      Primeira paragem: os quartos-de-final
       
      Os quartos fizeram prevalecer a lei do mais forte. A Holanda esmagou a vizinha Bélgica com um agregado de (7x1), a Alemanha venceu em casa e empatou em Espanha, a Jugoslávia fez exatamente o mesmo com o País de Gales. 
       
      A surpresa estava reservada para o Checoslováquia x URSS. Em Praga, uma vitória por 2x0 deixou tudo encaminhado, mas ainda faltava uma difícil deslocação a Kiev.
       
      No coração da Ucrânia, os checoslovacos foram heroicos e pela primeira vez na história dos euros, eliminaram os soviéticos da fase final. O 2x2 foi festejado efusivamente por jogadores e equipa técnica, que depois da Inglaterra deixavam outro "gigante" pelo caminho.
       
      A «Utopia de Tito» recebe a fase final
       
      O Marechal Tito aproveitou a competição para mostrar uma nova faceta da Jugoslávia
      A fase final realizou-se na Jugoslávia, o país dos Balcãs, governado com «mão de ferro» pelo Marechal Tito e a sua famosa política de não alinhamento com soviéticos nem americanos. Procurando o governo de Belgrado um novo caminho para o Socialismo, um pouco à imagem das vizinhas experiências na Roménia de Nicolae Ceaușescu, ou na Albânia de Enver Hoxha.
       
      Da Eslovénia a norte até as cidades do Sul da Macedónia, o país engalanou-se para receber a prova, tentado provar ao mundo que a política de não alinhamento dos jugoslavos era um sucesso, e que o país era um exemplo para o mundo com a sua Federação que reunia pacificamente povos das mais diversas nacionalidades como sérvios, croatas, eslovenos, bósnios...
       
      Uma laranja com pouco sumo...
       
      Todo a pátria se mobilizou, apesar dos jogos só terem lugar no Marakana de Belgrado, casa do Estrela Vermelha, e no emblemático Maksimir em Zagreb.
      Foi precisamente na capital croata que a 16 de Junho surgiu a primeira grande surpresa da competição. A Laranja mecânica que tinha estado tão perto da glória no mundial e 1974, partia como grande favorita contra a Checoslováquia com uma constelação de estrelas que "cegava" os adversários.
       
      Krol, Rep, Neeskens, van de Kerkhof, Rensenbrink, e claro, Johann Cruijff, tinham pela frente uma equipa checoslovaca sem grandes nomes numa tarde de dilúvio na encharcada capital croata.
       
      Os checoslovacos adiantaram-se com um golo do capitão Anton Ondruš, jogador do Slovan Bratislava. Os holandeses tentaram furar a barreira defensiva checoslovaca, mas sem grandes resultados. Seria apenas a 13 minutos do fim, quando já poucos acreditavam, que o mesmo Anton Ondruš voltava a marcar, desta vez na baliza errada, empatando a partida com um autogolo e obrigando a um prolongamento.
       
      Johann Cruijff, a estrela maior da Holanda e o mais destacado jogador a pisar os palcos do Euro 76.
      Debaixo da chuva que assolava a capital croata as duas equipas lutaram até à exaustão num campo que após os 90 minutos apenas era relvado de denominação. Indiferentes ao estado do campo e às incapacidades holandesas, Zdeněk Nehoda primeiro, e František Veselý depois, fizeram os dois golos que levaram a Checoslováquia pela primeira vez a uma grande final, deixando pelo caminho a super favorita «Laranja Mecânica».
       
      Müller: take 2
       
      A histórica vitória dos centro-europeus levou ao delírio os adeptos jugoslavos que festejaram a vitória como sua, antecipando a possibilidade de um mesmo surpreendente resultado no confronto em que a sua Jugoslávia iria enfrentar a favorita R.F.A no dia seguinte. 
       
      A 17 de Junho, num Marakana repleto, e perante a "supervisão" do próprio Marechal Tito, a Jugoslávia entrou a todo o gás com dois golos de Popivoda (19´) e Džajić (30´) e o estádio quase que vinha abaixo, tal era o alvoroço.
       
      Os alemães atónitos, aguentaram o jogo até ao fim do primeiro tempo sem sofrer mais nenhum golo. Ao intervalo, o treinador Helmut Schön lançou Heinz Flohe para o lugar de Dietmar Danner e vinte minutos depois colheu os primeiros frutos. 
       
      A onze minutos do fim fez, aquela que talvez seja, a melhor substituição da história dos euros, colocando o então avançado do Colónia, Dieter Müller, no lugar de um desinspirado Herbert Wimmer. 
       
      Três minutos depois surgia o empate por intermédio do mesmo Müller, e os alemães estavam de volta ao jogo e, levando uma partida que parecia perdida para o prolongamento, onde perante o desespero dos adeptos locais, Müller completou um hattrick, que valeu uma vitória por 2x4 para a R.F.A. no dia em que o avançado se estreava com a camisola da Mannschaft.
       
      A final e a grande penalidade mais famosa da história
       
      Campeões europeus e mundiais e em título, os germânicos eram os óbvios favoritos à vitória na grande final, não obstante os checoslovacos estarem invictos há 20 jogos, desde uma derrota por 3x0 em Wembley, logo no inicio da qualificação.
       
      Os rapazes de Helmut Schön ficaram em desvantagem por 2x0 logo nos primeiros 25´, mas um golo de Dieter Müller aos 28´ trouxe os alemães de volta à partida. O jogo arrastou-se sem mais golos até ao intervalo e na segunda parte os checoslovacos conseguiram suster as iniciativas alemãs até a um minuto do fim, quando Bernd Hölzenbein empatou a contenda. 
       
      A grande penalidade convertida por Panenka que valeu o título à Checoslováquia.
      Sem golos durante os trinta minutos extra, a final teve de ser decidida através do desempate por grandes penalidades, ao que acontecia pela primeira vez numa grande competição.
       
      Apesar da tensão, e da novidade de resolver um jogo tão importante através de tal "loteria", nenhum jogador falhou nas primeiras três rondas. Jurkemik marcou a quarta grande penalidade, antes de Hoeness ser o primeiro a falhar e foi a vez de Antonín Panenka preparar-se para rematar.
       
      Na sua frente estava Sepp Maier, talvez o melhor guarda-redes do mundo, como que indiferente ao rival, o médio do Bohemians de Praga correu para a bola sem perder tempo e "forçando" a queda de Maier, picou-lhe a bola por cima com um suave chapéu, num movimento que com o tempo ficou universalmente conhecido como um penálti à Panenka. 
       
      O longo caminho até Belgrado
      A qualificação do euro 1976 deixou pelo caminho algumas das grandes equipas da competição. A Inglaterra ao empatar os dois jogos com Portugal viu-se ultrapassada pelos checoslovacos, enquanto a Itália ficou atrás da Laranja Mecânica (e da Polónia) no grupo mais forte da qualificação; por sua vez a França desiludiu por completo, ficando longe de belgas e alemães de leste, conseguindo vencer apenas um jogo na qualificação (3x0 sobre a fraca Islândia).
      Soviéticos, alemães ocidentais, espanhóis e jugoslavos confirmaram a sua força, e a grande surpresa foi protagonizada pela combativa seleção galesa, que com John Toschak em grande forma, superou austríacos e húngaros, qualificando-se para a fase seguinte.
      Os quartos fizeram prevalecer a lei do mais forte. A Holanda esmagou a vizinha Bélgica com um agregado de (7-1), a Alemanha venceu em casa e empatou em Espanha, a Jugoslávia fez exatamente o mesmo com o País de Gales. 
      A surpresa estava reservada para o Checoslováquia x URSS. Em Praga, uma vitória por 2x0 deixou tudo encaminhado, mas ainda faltava uma difícil deslocação a Kiev.
      No coração da Ucrânia, os checoslovacos foram heroicos e pela primeira vez na história dos euros, eliminaram os soviéticos da fase final. O 2x2 foi festejado efusivamente por jogadores e equipa técnica, que depois da Inglaterra deixavam outro "gigante" pelo caminho.
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