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Alessandro Del Piero: Alessandro Magno

Texto por João Pedro Silveira
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Aos 31 anos, Alexandre (1) Magno tinha conquistado o mundo conhecido, e o espaço geográfico que compreendia todos os grandes impérios da antiguidade até então: Grécia, Fenícia, Babilónia, Assíria, Suméria, Pérsia, Egito. Derrotara o grande Império Persa e chegara aos confins do fim do mundo, iniciando a conquista da Índia. 

Para a História, «Alexandre, o Grande», como também é conhecido, é o conquistador genial, o mais bravo general e líder de homens que caminhou a face do planeta. Morreu aos 33 anos, imbatível, e com o mundo aos seus pés...

Alessandro, Del Piero, felizmente dura e durará muito mais que os 33 anos de Alexandre, mas tem em comum com o seu homónimo macedónio um facto incontornável... pois tal como o grande herói da antiguidade, foi aos 31 anos que Del Piero conquistou o mundo, celebrando com a maglia azzurra, a conquista do Campeonato Mundial de 2006.

O menino d'oiro de Conegliano

Veio ao mundo a 9 de novembro de 1974, ano de Mundial, disputado na Alemanha, onde a Itália teve uma das suas mais pobres prestações, perdendo com a Polónia, empatando com a Argentina e apenas conseguindo vencer o modesto Haiti por 3x1.

Nasceu em Conegliano, no Veneto, nordestede Itália, e seria lá perto, em San Vendemiano, uma pequena localidade perto de Treviso, que começou a jogar no clube local. Corria o ano de 1981...
 
Apesar da mãe não querer que jogasse, com medo que se magoasse, sujasse ou rasgasse as roupas, o pequeno Alessandro começou de miúdo a destacar-se pela sua raça, bravura e verdadeiro jeito para o futebol. O pároco de San Vendemiano, que também era o presidente do clube local, encantado com a qualidade do rapaz, chamou a atenção dos responsáveis do Padova para o «diamante bruto» que tinha em mãos.
 
Com 14 anos, mudou-se para Pádua, onde jogaria pela primeira equipa do Padova em 1991, a 22 de novembro, contava então somente dezasseis anos. Na primeira época, efetuaria apenas quatro jogos com a camisola do Calcio Padova, na época seguinte dez, mas rapidamente despertou a atenção de um dos colossos do futebol transalpino, a Juventus, que com cinco milhões de liras, afastou a concorrência dos outros possíveis interessados.
 
O menino bonito da «Namorada de Itália» (2)
 
Na Vecchia Signora, os primeiros tempos seriam complicados. Giovanni Trapatonni comandava uma constelação de estrelas, e achava que Del Piero precisava de tempo para crescer...
 
Cartaz apresentado pelos adeptos no último jogo de Del Piero com a camisola da Juve, a final da Taça de Itália contra o Nápoles.
Estreou-se no Estádio Pino Zaccharia em Foggia, substituindo Fabrizio Ravanelli, marcava o relógio 72 minutos.... Nas bancadas, poucos podiam imaginar o que um dia significaria para a história do clube, aquele rapaz de cabelo comprido, que entrara para substituir o icónico Ravanelli. Seria o primeiro de 14 jogos nessa época, em que apontou uns promissores cinco golos. Começava a escrever-se a relação de amor entre as bancadas do Delle Alpi e o jovem Alessandro.
 
Entretanto a Juventus trocava de treinador. Trapatonni dava lugar a Marcello Lippi, Del Piero ganhava um lugar no onze do clube, começando uma nova época de sucesso, no histórico clube de Turim.
 
Em 1994/95, festejou o seu primeiro scudetto, além de chegar pela primeira vez a uma final europeia, a da Taça UEFA, perdida para o Parma. Um ano depois, conquistou o sucesso maior, a Liga dos Campeões, numa final jogada em Roma contra o Ajax. No final da época, foi convocado por Arrigo Sacchi, para o Euro 96. Mas não obstante a grande expectativa, a Itália caiu na primeira fase, num grupo com Alemanha, Rússia e Rep. Checa.
 
As finais perdidas 
 
Um ano depois do sucesso em Roma, a Juventus não conseguiu defender a coroa na final de Munique contra o Dortmund. Del Piero voltava a sentir o triste sabor da final perdida, que seria repetido um ano mais tarde, em Amesterdão, contra o Real de Madrid.
 
Depois do insucesso em Amesterdão, Del Piero fez parte dos eleitos da Squadra Azzurra para o mundial de França, mas novamente a Itália voltaria a não ser feliz, caindo desta feita nos quartos-de-final às mãos da anfitriã.
 
Dois anos passados, nova oportunidade para a Itália de conquistar uma grande competição, e o «21» foi fundamental nessa caminhada até à final do Euro 2000, contudo, e mais uma vez, a França voltaria a levar a melhor, depois de empatar o jogo nos descontos, quando todos já imaginavam a Itália campeã da Europa. No tempo extra, novo golo francês, de «ouro», valeu nova tremenda desilusão para os italianos.
 
Uma noite mágica
 
Alessandro, e os italianos, esperavam desde 1982, voltar a viver a glória de Paolo Rossi e companhia. Os fracassos e as derrotas no momento decisivo acumulavam-se, mas por certo, nenhuma derrota terá sido tão dolorosa como a derrota na final de1994, contra o Brasil, o dia do célebre penálti falhado pelo grande Roberto Baggio, o ídolo de Alessandro...
 
Em 2006, já depois de outros traumas, a Itália chegava ao grande torneio minada por um escândalo que destruía as fundações do futebol transalpino: o calciopolis
 
O golo 250 de Del Piero, contra a Regina, em 2008/09.
A Juventus, mas também o Milan, a Lazio, entre outros, eram acusados de corrupção, sendo condenados à despromoção, com a Juventus a ver ser-lhe retirados os últimos títulos conquistados. 
 
Tal como em 1982, com o caso «Totonero», a Itália vivia acossada pelos adeptos, alguns clamando até pela expulsão do próprio país das competições da FIFA e da UEFA. Marcello Lippi tentava manter a equipa distante de tudo isto, e apesar de não convencer, a Itália lá passava da primeira fase, e nos oitavos, eliminava a Austrália com polémica...
 
Apesar da qualificação, os jogadores fugiam da imprensa, tentando esconder-se e ganhar alguma calma, tão necessária para a missão a que se propunham, quando o telefone tocou no centro de estágio em Duisburgo, onde a Squadra Azzurra estagiava, avisando que Gianluca Pessotto se tentara suicidar, depois de se atirar de uma janela da sede da Juventus em Turim.
 
Del Piero, juntamente com Zambrotta e Ferrara, voou num jacto particular para Turim e ali ficou, 80 minutos à cabeceira do amigo e companheiro. Voltou lavado em lágrimas para a Alemanha, onde o esperava uma equipa destroçada.
 
Como em muitos momentos da sua História, a Itália fez da fraqueza força, e por Pessotto, e por um país em suspenso, levou de vencida todos os adversários que lhe surgiram pelo caminho, conquistando o tetracampeonato mundial, numa noite mágica em Berlim.
 
 
 
 
A nova Juventus
 
Regressado a Itália, e ao contrário de muitos dos craques da equipa, Del Piero, tal como Buffon, recusou-se a abandonar o barco, baixando com a sua equipa para a segunda divisão, onde lutou e foi decisivo a recuperar a Juventus de volta à Serie A.
 
O regresso foi complicado, com a Juventus muito atrás dos rivais, em particular o dominante Inter. Os bianconeri demoraram anos a recuperar, mas em 2011/12, no ano da inauguração do novo estádio, a Vechia Signora voltou a conquistar a coroa de Itália.
 
Uma t-shirt comemorativa, dos 500 jogos que Del Piero fez ao serviço da Juventus.
A 25 de Março, no novo Juventus Stadium, apontou o segundo golo na vitória (2x0) sobre o Inter, conseguindo o extraordinário feito de apontar golos em todas as dezanoves épocas que defendeu a camisola da Juve no campeonato.
 
Ao todo, ao serviço da Juventus, apontou 208 golos em 513 jogos, ao que se soma 27 golos em 91 partidas jogadas com a camisola de Itália. Números apenas ao nível dos melhores. Dezanove anos depois, chegou a altura de abandonar o seu clube, rumando ao exótico Sydney FC, onde continuou a apontar golos e a apaixonar os adeptos com a sua magia.
 
 
 
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(1) - Alexandre em italiano Alessandro
(2) -  Pela sua enorme falange de apoio, que se estende de norte a sul do país, a Juventus é conhecida em Itália como «la fidanzata d'Italia», a noiva de Itália, na tradução portuguesa. 
Em 1982, a Itália conquistou o Campeonato do Mundo, e ele, e os seus amigos, passavam os dias a jogar futebol, imitando os momentos de Tardelli, Rossi, Conti, Zoff ou Altobelli.Nasceu a 9 de novembro de 1974, ano de Mundial, disputado na Alemanha, onde a Itália teve uma das suas mais pobres prestações, perdendo com a Polónia, empatando com a Argentina e apenas conseguindo vencer o modesto Haiti por 3x1.
Nasceu em Conegliano, no Veneto, nordeste de Itália, e seria lá perto, em San Vendemiano, uma pequena localidade perto de Treviso, que começou a jogar no clube local. Corria o ano de 1981...
Apesar da mãe não querer que jogasse, com medo que se magoasse, sujasse ou rasgasse as roupas, o pequeno Alessandro começou de miúdo a destacar-se pela sua raça, bravura e verdadeiro jeito para o futebol.
Em 1982, a Itália conquistou o Campeonato do Mundo, e ele, e os seus amigos, passavam os dias a jogar futebol, imitando os momentos de Tardelli, Rossi, Conti, Zoff ou Altobelli.

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Comentários (1)
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motivo:
LE
del piero
2013-09-13 21h44m por leo_scp
grande jogador!!!!