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Supertaça Cândido de Oliveira

Texto por João Pedro Silveira
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A competição que honra a memória do Mestre Cândido Oliveira, é desde a sua nascença, uma prova capaz de gerar momentos de rara emoção. Jogada numa primeira fase a duas mãos, com finalíssimas que chegaram a ser disputadas em Paris, a história da Supertaça ficou marcada por momentos inesquecíveis como o 0x5 com que o FC Porto brindou o Benfica em casa, ou o 3x0 com que os leões derrubaram o FC Porto de Robson em Paris.

Lembrar a história da Supertaça é recordar um domínio avassalador do F.C. Porto na competição, como tão bem o atestam as 18 vitórias em 27 presenças. O grande freguês dos portistas é incontestavelmente o Benfica, que em treze finais com o FC Porto, conseguiu vencer apenas uma. Já o Sporting, é o adversário a evitar pelos dragões. Ao longo dos anos enfrentaram-se em quatro edições e em nove jogos disputados, os leões nunca sentiram o sabor da derrota. 
 
A Taça Império: o primeiro antecendente
 
A Supertaça teve um antecedente na Taça Império que se disputou a 10 de junho de 1944 para celebrar a inauguração do Estádio Nacional do Jamor, com a presença do Campeão Nacional Sporting e do vencedor da Taça de Portugal Benfica. Os leões venceram por 3x2, num ambiente de festa e num estádio cheio que vitoriava o regime com o grito da ordem: «Salazar promete, Salazar cumpre!».
 
Portugal mantinha-se fora da guerra que devastava a Europa, tinha um Estádio Nacional novinho em folha, o povo estava agradecido ao seu líder, leões e águias davam provas de fair-play, o Sporting levava a Taça, mas a ideia do campeão e vencedor da Taça disputarem um troféu caía no esquecimento durante longos e longos anos...
 
Durante décadas a ideia deorganizar uma prova em que se enfrentassem o campeão e o vencedor da Taça aflorou o pensamento de alguns dirigentes, mas pelos mais diversos motivos, a ideia nunca chegaria sequer a discussão. 
 
As edições oficiosas
 
Já no pós 25 de abril, e à imagem do que acontecia nos principais países da Europa, resolveu-se disputar a Supertaça, já com esse nome, mas ainda sem estatuto oficial. Em 1979, nas Antas, o FC Porto campeão defrontou o vizinho Boavista, vencedor da Taça de Portugal. Perante uma multidão entusiasta, o Boavista repetiu o feito do Leixões em 1961 e bateu o FC Porto na sua própria casa.
 
Um ano depois, o campeão Sporting defrontou o vencedor da Taça Benfica, desta feita a duas mãos, com a vitória a sorrir aos encarnados. O sucesso das duas edições oficiosas levou a FPF a chamar a si a organização da prova, denominando-a oficialmente de Supertaça Cândido Oliveira, em honra do grande Mestre, treinador, jogador, desportista, jornalista e opositor do antigo regime, um dos fundadores do Jornal «A Bola».
 
A rivalidade Benfica x Porto
 
O pontapé oficial na prova, foi dado no 1º de dezembro de 1981, no Estádio da Luz num jogo entre águias e dragões. O Benfica venceria por 2x0, mas uma semana depois, nas Antas, sofreria uma goleada por 4x1, que valeu ao FC Porto a primeira das suas muitas vitórias. No ano seguinte, o recorde de goleada seria batido em Alvalade, com os leões a baterem o Braga por 6x1, dando assim a volta à goleada sofrida na primeira mão no Estádio 1º de Maio em Braga.
 
Nas quatro edições que sucederam, águias e dragões discutiram entre si a vitória, ajudando a cimentar a rivalidade entre ambos, que até esses tempos era algo mais comum entre Sporting em Benfica. Em quatro anos, o FC Porto venceu por três vezes, perdendo apenas uma única vez com o Benfica em 1985.
 
Como potência emergente, o FC Porto deve às suas conquistas na Supertaça, muito do crescimento no panorama futebolístico nacional. As constantes vitórias sobre o rival da Luz, não só valiam troféus, como mostravam ao Benfica que havia uma nova potência a emergir a norte, que prometia roubar-lhe a primazia na bola indígena.
 
Sporting e Guimarães intrometem-se
 
Os leões voltaram a disputar a prova em 1986-87 surpreendendo com uma vitória clara por 0x3 em pleno Estádio da Luz. Quinze dias depois, uma nova vitória por 1x0 em Alvalade, selou a conquista.
 
Um ano depois foi a vez do FC Porto ser surpreendido pelo Vitória de Guimarães que depois de uma vitória em casa, foi segurar o nulo às Antas, que lhe valeu a primeira conquista de um grande troféu nacional.
 
Benfica x Porto: take 2
 
Passadas as intromissões de leões e vimaranenses, o Benfica voltou a conquistar a competição depois de bater o Belenenses na final. Seguiram-se duas vitórias do Porto, a primeira sobre o Estrela da Amadora, e a segunda sobre o Benfica, na primeira final que teve direito a finalíssima em Coimbra. 
 
Em 1992 o FC Porto voltou a conhecer o sabor da derrota, novamente às mãos do Boavista, que comandado por Manuel José, gelou as Antas com uma vitória por 1x2. Mas nos dois anos seguintes o Benfica pagou a fatura da derrota portista com o Boavista, e viu os azuis-e-brancos conquistar mais duas supertaças às suas mãos. Primeiro numa finalíssima em Coimbra, e a segunda no Parque dos Príncipes em Paris, onde pela primeira vez se disputou uma competição nacional em solo estrangeiro.
 
Relativamente a 1994-95, mas já jogado em 1996, foi o Porto x Sporting, que marcou o regresso da Supertaça à «Cidade Luz». Um ano depois de terem sido felizes, os portistas foram batidos sem apelo nem agravo pelo Sporting com um claro 0x3, e uma grande exibição de Sá Pinto.
 
Foram cinco...
 
A 18 de setembro de 1996, o FC Porto comandado por António Oliveira, foi ao Estádio da Luz humilhar o eterno rival com uma mão cheia de golos, que mais do que valerem uma Supertaça ao clube nortenho, provocaram um profundo pesar e sentimento de humilhação para as bandas da Luz.... Edmilson, Artur, Jorge Costa, Wetl e Drulovic, escreveram a letras  de ouro, uma das mais históricas vitórias do dragão.
 
Volvidos doze meses, um golo de Fernando Mendes na segunda mão, não conseguiu recuperar da derrota sofrida no Bessa na primeira mão por 2x0, fruto dos golos de Ayew e Timofte. Mais uma vez, os axadrezados batiam o vizinho e rival.
 
Em pleno período do «penta» o FC Porto era presença constante na Supertaça. Depois do insucesso com os axadrezados, seguiram-se vitórias sem dificuldade com bracarenses e Beira-Mar, até que o Sporting se voltou a cruzar no seu caminho. A bête noire dos portistas, voltou a fazer das suas, batendo o FC Porto em nova finalíssima, desta feita na cidade do Mondego. 
 
Novo modelo
 
Os constantes empates, que obrigavam a finalíssimas, algumas das vezes disputadas mais de um ano depois da época a que a competição pertencia, acabaram por gerar muitas críticas, forçando a FPF a mexer no modelo competitivo, passando a final a ser disputado num jogo só, em local neutro.
 
Já disputada nos novos moldes, a edição de 2001 coroou o FC Porto, que finalmente levou de vencida o vizinho Boavista, que fora campeão, numa final disputada no Estádio dos Arcos em Vila do Conde. Um ano depois, a novidade era a ausência do FC Porto,  a primeira vez que tal acontecia desde 1989! No Bonfim, em Setúbal, o Sporting, campeão e vencedor da Taça, enfrentou o finalista vencido Leixões, que jogava na 2ª Divisão B e venceu sem dificuldades por 5x1.
 
Sucederam-se mais duas vitórias portistas sobre o Leiria e novamente o Benfica, antes dos encarnados quebrarem um longo jejum que durava desde 1989 e conquistarem a sua quarta Supertaça, batendo na final o Vitória de Setúbal, com um golo solitário de Nuno Gomes.
 
A partir da última vitória benfiquista, a prova ficou «entregue» a dragões e leões, que dividiram entre si todas as edições. O FC Porto, crónico campeão, bateu sadinos, pacenses, benfiquistas, vimaranenses e academistas, e só sairam vencidos nas duas edições em que encontraram o Sporting
 
Primeiro em Leiria, com um golaço de Izmailov e depois no Algarve, com Derlei e Djaló em grande noite, o  FC Porto não conseguiu superar a malapata e viu os leões levarem a Supertaça outra vez.
 
O pontapé oficial na prova, foi dado no 1º de dezembro de 1981, no Estádio da Luz num jogo entre águias e dragões. O Benfica venceria por 2x0, mas uma semana depois, nas Antas, sofreria uma goleada por 4x1, que valeu ao FC Porto a primeira das suas muitas vitórias. 
No ano seguinte, o recorde de goleada seria batido em Alvalade, com os leões a baterem o Braga por 6x1, dando assim a volta à goleada sofrida na primeira mão no Estádio 1º de Maio em Braga.
Nas quatro edições que sucederam, águias e dragões discutiram entre si a vitória, ajudando a cimentar a rivalidade entre ambos, que até esses tempos era algo mais comum entre Sporting em Benfica. Em quatro anos, o FC Porto venceu por três vezes, perdendo apenas uma única vez com o Benfica em 1985.
Como potência emergente, o FC Porto deve às suas conquistas na Supertaça, muito do crescimento no panorama futebolístico nacional. As constantes vitórias sobre o rival da Luz, não só valiam troféus, como mostravam ao Benfica que havia uma nova potência a emergir a norte, que prometia roubar-lhe a primazia na bola indígena.
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