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Just Fontaine: o «Matador» de Marraquexe

2012/08/14 18:31
Texto por João Pedro Silveira
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Treze, não será nunca o número de azar para Just Fontaine, pois treze foram os golos que apontou no verão de 1958, durante o Campeonato do Mundo disputado na Suécia. 

Treze golos que fizeram história, divididos pelos seis jogos disputados, num recorde que promete durar até ao fim dos dias... ou até que a bola se volte a enamorar perdidamente por um novo herói.
 
A infância em Marrocos
 
Nasceu e cresceu no então Marrocos francês, bem longe da fria e distante Suécia onde ganharia o direito à imortalidade. Filho de um colono francês e de uma espanhola - curiosamente Marrocos encontrava-se então dividido entre a Espanha e a França - , Just Fontaine nasceu a 18 de agosto de 1933 em Marraquexe, e foi na mística cidade às portas do Saara, que daria os primeiros passos e por certo os primeiros pontapés na bola, no bairro de Gueliz, zona nobre da cidade, de avenidas largas e ruas à francesa, onde vivia a esmagadora maioria da comunidade europeia. 
 
Mudou-se ainda novo com a família para Casablanca, a cidade eternizada no grande ecrã por Humprhey Bogart e Lauren Bacall, no filme que lhe «roubou» o nome. Foi na cidade branca que continuou os estudos no Lycée Lyautey. Seria na Union Sportive Marrocaine, um dos principais emblemas da cidade que iniciaria a carreira em 1950.
 
Passagem para Nice e glória em Reims
 
Como era comum nas sociedade coloniais da época, os grandes clubes da Metrópole tinham olheiros nos mais diversos campeonatos das colónias. Seria um desses olheiros, que informou os dirigentes do Nice, das capacidades goleadores de Just, que em 1953, assinou pelo clube da Côte d'Azur.
 
De tal maneira impressionou na estreia pelo Nice, que a 17 de dezembro do mesmo ano, estreava-se pela seleção, apontando um hattrick na goleada por 8x0 ao vizinho Luxemburgo.
 
Durante três anos, marcou muitos golos com a camisola do Nice, sendo fundamental na conquista do título de 1956, precisamente uns dias antes de assinar pelo Stade de Reims, que era nesse tempo a melhor equipa do futebol gaulês. 
 
Ao lado de Raymond Kopa e Roger Piantoni, marcou uma era no Stade de Reims e no futebol francês. Com os Les rouges et blancs conquistou três campeonatos, uma Taça de França, além ter disputado uma final da Taça dos Campeões Europeus, perdida para o demolidor Real Madrid de Di Stéfano e companhia.  Em seis épocas apontaria 145 golos em 152 partidas, superando os seus números no Nice. 
 
Mas se os números nos clubes são tremendos no que revelam da eficácia de Just, na seleção, apontou 30 golos em 21 partidas. Treze desses golos, no Campeonato Mundial de 1958, onde chegou à titularidade, após a inesperada lesão de René Bliard.
 
Verão sueco
 
Nos campos da Suécia, ao lado dos colegas Kopa e Piantoni, começou por marcar três golos ao Paraguai (7x3), antes de marcar os dois golos na derrota com a Jugolávia (2x3) e mais um contra a Escócia (2x1), que foi fundamental na qualificação para a segunda fase. 
 
Nos quartos-de-final uma vitória sobre a Irlanda do Norte (4x0) onde apontou dois golos, antes da derrota com o Brasil de Pelé nas meias por 2x5, jogo no qual Just apontou um dos golos dos bleus
 
No jogo de consolação, contra a campeã Alemanha Federal, marcou quatro golos com que ajudou a França a conseguir uma das mais históricas vitórias sobre o grande vizinho e rival (6x3).
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