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      Espanha 1982
      Grandes jogos

      Itália x Brasil: O milagre de San Paolo Rossi

      Texto por João Pedro Silveira
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      Dos vencidos não reza a história, há muito se convencionou dizer. Mas a verdade é que a história do Campeonato do Mundo lembra e recorda, com especial carinho, três equipas que perderam o título, mas que perduram na memória não pelo troféu, mas pela beleza do seu futebol que ofuscou inclusivamente os vencedores. A Hungria de Ouro de 1954 com Puskás, Czibor, Kocsis; a Laranja Mecânica de Cruijff em 1974 e o maravilhoso Brasil de Zico, Sócrates e companhia que encantou o mundo com as suas exibições no Mundial de Espanha em 1982.

      A 5 de julho de 1982, no Estádio Sarrià em Barcelona, Itália e Brasil protagonizaram um dos encontros mais marcantes de sempre. Transalpinos e canarinhos encontravam-se num jogo decisivo de acesso às meias-finais e o favoritismo pendia todo para os sul-americanos. 
       
      Sócrates e Zico celebram o primeiro golo brasileiro na partida.
      Um ano antes do Mundial, o escrete fizera uma tournée pela Europa que espantou os espetadores e a crítica especializada. Primeiro apresentou-se no mítico palco de Wembley, em Londres, vencendo por 0x1, naquela que foi a primeira derrota inglesa contra uma equipa sul-americana em território inglês.
       
      Depois do feito em terras de Sua Majestade, os magos brasileiros atravessam o Canal da Mancha e levaram de vencida a França com um claro 1x3 na Cidade Luz. Seguiu-se, então, a Alemanha Federal e nova vitória por 1x2. Três das melhores seleções do continente eram batidas no seu reduto por um grupo de jogadores tecnicamente sobredotados que encantavam tudo e todos com o seu futebol arte. Nascia a lenda da melhor equipa de sempre...
       
      O Brasil de 1982
       
      Depois de um estágio em terras portuguesas, os brasileiros chegaram a Espanha preparados para conquistar o mundo. Estrearam-se com a União Soviética, venceram - e convenceram - por 2x1 e continuaram a saga, batendo a Escócia por 4x1 com mais uma exibição de sonho pincelada por verdadeiras obras de arte.
       
      A terminar a primeira fase, um 4x0 aos neozelandeses - com direito a uma bicicleta de Zico - no jogo de despedida da cidade de Sevilha. Então, a canarinha fez as malas e seguiu para Barcelona, onde esperavam Argentina e Itália para um grupo disputado a três na segunda fase.
       
      Despachada a Argentina por 3x1, e graças à vitória pela margem mínima que os italianos tinham conseguido no primeiro jogo contra os alvicelestes, ao Brasil bastava o empate nessa tarde mágica de Barcelona para carimbar o passaporte para as meias-finais.
       
      A Itália, que tinha chegado à segunda fase sem nenhuma vitória fruto de três empates com Polónia, Camarões e Peru e que vencera apenas o jogo com os argentinos dias antes, via-se agora na obrigação de bater os brasileiros para jogar com a Polónia o acesso à final de Madrid. Já aos sul-americanos bastava o empate, mas o futebol demonstrado - e os resultados anteriores - fazia esperar por mais uma vitória.
       
      Grande dia
       
      O jogo começou com festa e muito samba nas bancadas perante uma enorme falange de apoio brasileira alegre que pintava de amarelo as bancadas do velhinho estádio do Espanyol de Barcelona. Batuques, tambores, pandeiretas, dança e cânticos e muita festa desde o apito inicial contagiaram todos na bancada, menos os italianos...
       
      Mas, aos oito minutos, sem nenhum aviso prévio, a Itália inaugurou o marcador por intermédio de Paolo Rossi e baralhou as contas do adversário. O Brasil reagiu de pronto e Sócrates empatou a passagem dos doze minutos após uma belíssima jogada de combinação com Zico.
       
      Paolo Rossi aproveita um erro da defesa brasileira e faz o segundo golo italiano.
      Confiantes, os canarinhos pressionaram os italianos, mas, após uma desatenção da defesa brasileira, o inevitável Paolo Rossi intercetou um passe e bisou aos 25’. Telé Santana, o treinador brasileiro, obreiro do futebol arte da canarinha, levava as mãos a cabeça. O Brasil tinha que voltar a correr atrás do prejuízo.
       
      O intervalo chegou com os italianos na frente. A segunda parte começava como a primeira tinha terminado: com o Brasil a jogar um futebol pressionante e ofensivo, trocando a bola ao primeiro toque com pormenores de fino recorte e encostando a Itália lá atrás.
       
      Aos 68 minutos, Falcão, após uma jogada brilhante do coletivo brasileiro empatou novamente a partida, provocando a natural explosão da torcida nas bancadas do Sarriá. O Brasil voltava a ter um pé na meia-final.
       
      Contudo, seis minutos depois, com uma frieza incrível após a marcação de um pontapé de canto, Paolo Rossi fez um hat-trick e abriu a porta das meias para a Squadra Azzurra. Faltavam 16 minutos e o Brasil voltou a empurrar a Itália para trás, mas os azzurri não cederam mais e os canarinhos foram perdendo a cabeça e a lucidez.
       
      Quando o árbitro israelita Abraham Klein apitou para o final, os sul-americanos caíram prostrados no relvado e a Itália acordou em festejos, acreditando ser possível voltar a ser campeã 42 anos depois.
       
      Rossi tornava-se o novo herói italiano e continuaria a deixar a sua marca com mais dois golos na meia-final e o primeiro golo na grande final de Madrid que valeu aos transalpinos a conquista do seu terceiro Mundial, 42 anos depois da conquista dos rapazes de Pozzo.

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      Comentários (2)
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      motivo:
      E o mais incrivel. . .
      2014-07-05 12h37m por Stromp1906
      E o mais incrível é que bastava o Brasil empatar para passar às meias-finais.

      Em 1994 acabaram por se vingar. . . !
      PI
      Brasil (82)
      2014-06-07 17h43m por Pirisca
      Era claramente a melhor equipa do mundo nesta altura, simplesmente teve um jogo em que defensivamente só fez disparates e acabou por perder.

      Lembro-me bem q esta equipa era tão forte q n havia nenhum ser vivo q em 82 n achasse q o brasil n ía ser campeão do mundo. . .

      jogos históricos
      U Segunda, 05 Julho 1982 - 16:15
      Estadi de Sarrià
      Avraham Klein
      3-2
      Paolo Rossi 5' 25' 74'
      Sócrates 12'
      Falcão 68'
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      Estádio
      Estadi de Sarrià
      Lotação41000
      Medidas-
      Inauguração1923
      TEXTO DISPONÍVEL EM...
      Competição
      Futebol italiano