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Gunnar Nordahl: il Cannoniere

2012/06/04 18:23
Texto por João Pedro Silveira
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Nordahl foi o primeiro sueco a tornar-se jogador profissional de futebol, mudando-se então para o AC Milan onde conquistou dois campeonatos italianos e se sagrou por cinco vezes o melhor marcador da competição.

Campeão olímpico em 1948, recordista de golos na Suécia e em Itália, ainda hoje é reconhecido pelos adeptos rossoneri, como um dos grandes, senão o maior avançado que vestiu a mítica camisola do AC Milan

Os primeiros passos em Hörnefors

Gunnar Nordahl, nasceu a 19 de outubro de 1921, em Hörnefors, uma pequena cidade costeira no norte da Suécia, no seio de uma família pobre, em que o pai trabalhava arduamente numa fábrica para ajudar a criar os dez filhos, enquanto a mãe ficava em casa a tomar conta deles.
 
Sem dinheiro para os estudos, e muito menos para mimos, os filhos do casal Nordahl começaram a trabalhar muito cedo, aproveitando os poucos tempos livres para jogar futebol. Quatro dos seus cinco irmãos homens foram jogadores de futebol e três deles chegaram a vestir a camisola nacional da Suécia.
 
Enquanto trabalhava numa cervejaria, começou a jogar no Hörnefors, com 16 anos, onde em três épocas (41 jogos) apontou 68 golos. Com este registo chamou a atenção do Degerfors que o contratou para jogar na I Divisão da Suécia.
 
Degerfors e Norrköping
 
Eram os anos da II Guerra Mundial, e apesar da neutralidade sueca, as dificuldades adensavam-se, e o futebol era um dos poucos escapes num mundo difícil. Nordahl jogava e trabalhava, marcava muitos golos ao mesmo tempo que dava no duro na cervejaria. Calejado pelo trabalho, tinha sempre tempo para jogar e quem o via no campo, não imaginava que a maior parte do dia daquele homem, era passado num lugar lúgubre, a desgastar-se com uma extenuante rotina.
 
Os muitos golos com o Degerfors, valeram a contratação pelo IFK Norrköping, que convenceu Nordahl a mudar de clube, a troco de um contrato como bombeiro na cidade. 
 
Durante quatro épocas ganhou quatro campeonatos, foi quatro vezes o melhor marcador, apontando ao todo uns assombrosos 87 golos em 85 jogos do campeonato sueco que disputou. Tornou-se na principal estrela do futebol sueco e ajudou o IFK, então a melhor equipa da Suécia, a tornar-se um clube respeitado dentro e fora das fronteiras do país.
 
Medalha de ouro nos Jogos de Londres
 
Estreou-se na seleção sueca em 1942, mas só começaria a jogar regularmente em 1945, após o fim da guerra. Em 1948, nos Jogos Olímpicos de Londres, foi fundamental na primeira grande conquista do futebol sueco, marcando sete golos e sagrando-se o melhor marcador da competição, sendo fundamental na conquista da medalha de ouro pelas cores suecas.
 
Os suecos não eram tidos como favoritos a conquistar uma medalha, mas a vitória sobre a Áustria no jogo de estreia, despertou logo o interesse dos espetadores ingleses que assistiram a esse histórico 3x0 em White Hart Lane, em que Nordahl contribuiu para o score final com dois golos.
 
No segundo jogo uma goleada por 12x0 sobre a Coreia deixou a Suécia com o caminho aberto para as meias-finais, onde iriam defrontar os arquirrivais dinamarqueses. A vitória por 4x2 colocou a Suécia com a possibilidade de conquistar o primeiro grande troféu da sua história. 
 
A uma sexta-feira 13, de agosto de 1948, a Suécia teve o seu dia de sorte, e os amarelos bateram os jugoslavos com três golos contra um. Nordahl marcou o golo decisivo que valeu a vitória e festejou efusivamente a conquista da medalha de ouro, que ao longo da sua vida sempre considerou ser o seu prémio mais importante.
 
Profissionalismo
 
Os jogos de Londres e os ecos das suas façanhas na Suécia chegaram à Itália, mais concretamente a Milão, onde os dirigentes do AC Milan enviaram uma proposta tentadora para Norrköping. Gunnar era um rapaz humilde e trabalhador, e a ideia de se mudar para Itália e ficar longe da familia e dos seus assustou-o primeiramente e resolveu pedir um tempo para pensar melhor...
 
Após alguma ponderação, Gunnar aceitou e partiu para Itália, deixando para trás a sua Suécia natal e a possibilidade de jogar pela seleção, pois nesses tempos, os profissionais ainda estavam impedidos de representar as seleções nacionais nas competições como o Campeonato do Mundo ou os Jogos Olímpicos.
 
O choque com Itália, as suas idiossincrasias, o profissionalismo e tudo o que ele acarreta, deu-se logo no primeiro dia de treino, quando Nordahl, vestido humildemente, encontrou os seus colegas vestidos com fatos caros, relógios de luxo no pulso, cultivando a imagem de estrela - como no cinema - que era absolutamente estranha ao jogador sueco.
 
O contacto com o estrelato em Itália, a imprensa que diariamente o assediava, os tiffosi que o apoiavam na rua, levaram Nordahl a ponderar seriamente regressar a casa. 
 
Mas o tempo passou e os golos surgiram, os treinos e os jogos iam-se sucedendo, e foram os colegas de Nordahl que ficaram de boca a aberta com a simplicidade com que o mesmo marcava golos...
 
Gre-No-Li
 
No ano de estreia com a camisola rossonera apontou 16 golos em 15 jogos. Satisfeitos com o contributo do sueco, aceitaram a sugestão deste para contratar os seus conterrâneos Nils Liedholm e Gunnar Gren, que Nordahl garantia serem de uma eficácia letal.
 
Os três juntos formariam uma das mais famosas parcerias da história do futebol em Itália, que passou à história como «Gre-No-Li», tal a sua capacidade de marcar golos, que o próprio Nordhal considerou que os três tinham uma telepatia única, que destroçava as defesas que lhe apareciam pela frente.
Nordahl era o membro mais profícuo desta máquina demolidora, marcando 210 golos em 256 jogos.
 
Ajudando a conquistar dois scudettos para o AC Milan, o primeiro dos quais quebrou um jejum de 44 anos. Melhor marcador do Campeonato Italiano por cinco vezes, o que ainda hoje é um recorde absoluto, Nordahl é o segundo melhor marcador da história do Calcio, batido apenas por Silvio Piola, que apontou mais 49 golos que o sueco, mas que para tal feito, precisou de jogar mais 15 épocas que il cannoniere.
Os três juntos formariam uma das mais famosas parcerias da história do futebol em Itália, que passou à história como Gre-No-Li, tal a sua capacidade de marcar golos, que o próprio Nordhal considerou que os três tinham uma telepatia única, que destroçava as defesas que lhe apareciam pela frente.
Nordahl era o membro mais profícuo desta máquina demolidora, marcando 210 golos em 256 jogos. Ajudando a conquistar dois scudettos para o AC Milan, o primeiro dos quais quebrou um jejum de 44 anos. Melhor marcador do Campeonato Italiano por cinco vezes, o que ainda hoje é um recorde absoluto, Nordahl é o segundo melhor marcador da história do Calcio, batido apenas por Silvio Piola, que apontou mais 49 golos que o sueco, mas que para tal feito, precisou de jogar mais 15 épocas que o avançado nórdico. 
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