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      Argentina 1978

      Argentina 1978

      Texto por Filipe Ferreira
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      Em 1978 governada por uma Junta Militar, a Argentina vivia tempos difíceis. A ditadura argentina – no poder entre 1976 e 1983 – controlada com mão de ferro pelo General Videla, vangloriava-se de organizar o campeonato mundial.

      Todo o país se engalanou para receber o grande certame, e os dirigentes políticos argentinos não exigiam menos que o primeiro título mundial.

      Uma onda de protestos correu diversas cidades europeias, com manifestações apelando ao boicote, e o próprio Cruyff, estrela maior do mundial de 1974, recusou-se a participar num mundial organizado por tão vergonhosa ditadura, não deixando de ser curioso lembrar que em 1974 quando trocou o Ajax pelo Barcelona, não teve pruridos por trocar os Países Baixos pela Espanha de Franco.

      Apesar da Lei Marcial e da “mordaça” que o governo colocava em cada argentino, o povo aproveitou o grande evento, para fazer a festa o que ajudou literalmente a levar os alvicelestes «ao colo» até à vitória final.

      Entre os argentinos corria grande discussão, pela ausência de um jovem prodígio de seu nome Diego Armando Maradona, que ficou de fora dos eleitos de César Menotti e foi participar no Mundial de Juniores disputado no Japão.

      O Mundial começou com a RFA a defender o título no dia 1 de Junho, num empate a zero bolas com os polacos em jogo a contar para o grupo 2.

      O grupo seguiu com a surpresa que foi a vitória dos estreantes tunisinos sobre o México por 3-1, no que foi a primeira vitória de sempre de uma equipa africana numa fase final de um Campeonato do Mundo.

      Na segunda jornada, a RFA esmagou os mexicanos por 6-0, enquanto os polacos sofriam para vencer a Tunísia (1-0).

      Na última jornada enquanto a RFA empatava com as surpreendentes Águias de Cartago (0-0), a Polónia garantia a vitória no grupo vencendo os mexicanos por 3-1.

      No Grupo 1 a equipa da casa abria com uma vitória sobre os húngaros por 2-1, enquanto num grande jogo, a Itália vencia a França pelo mesmo resultado.

      Na segunda jornada, italianos e argentinos venceram os respectivos jogos e levaram a decisão sobre quem venceria o grupo para a última jornada, onde os italianos acabaram por levar a melhor, com um golo solitário de Bettega.

      Na primeira fase os brasileiros tiveram que enfrentar três adversários europeus: Áustria, Suécia e Espanha, e a verdade é que inesperadamente o Brasil teve grandes dificuldades. Primeiro empatando com suecos (1-1) e depois com espanhóis (0-0), para só no fim levar de vencida a Áustria (1-0) que guiada por Krankl, acompanhou os brasileiros para a fase seguinte graças as vitórias sobre Espanha e Suécia.

      No Grupo 4 o favoritismo holandês foi contrariado pelos peruanos que acabaram por vencer o grupo.

      Na primeira jornada Cubillas guiou a sua selecção a uma vitória clara sobre a regressada Escócia por 3-1.

      Já os holandeses estrearam-se com uma natural vitória (3-0) sobre os estreantes iranianos.

      Na segunda jornada o empate entre Perú e Holanda (0-0), quase garantiu a classificação de ambos, pois no outro jogo o Irão empatava com os escoceses a uma bola.

      Na última jornada a Holanda perdeu por 2-3 com a Escócia - num jogo onde o terceiro e último golo da autoria de Gemmill ainda hoje é considerado o momento mais belo do futebol escocês - e consequentemente perdeu a liderança do grupo para o Peru que esmagou o Irão por 4-1.

      Tal como em 1974 não existiram quartos de final, mas sim uma segunda fase dividida em dois grupos.

      O Grupo A da segunda fase era 100% europeu. Começou com uma goleada da Holanda sobre a Áustria (5-1) enquanto a RFA e a Itália empatavam a zero.

      Na segunda jornada os finalistas de 1974 encontraram-se, sendo desta vez o resultado final um empate (2-2). No outro jogo a Itália venceu a Áustria com um golo solitário de Paolo Rossi, jogador esse que, 4 anos volvidos, iria dar muito que falar.

      Na última jornada a RFA perdeu com a Áustria (2-3) e no jogo decisivo a Holanda venceu por 2-1 a Itália garantindo a presença na sua segunda final.

      O segundo grupo tinha 3 equipas sul-americanas: Argentina, Brasil e Peru, e a Polónia.

      Na primeira jornada os brasileiros bateram o Peru por 3-0, enquanto a Argentina venceu a Polónia por 2-0. A segunda jornada valeu um empate entre argentinos e brasileiros a zero.

      No último dia a Argentina atrasou a realização do seu jogo e como tal o Brasil jogou primeiro contra a Polónia e venceu por 3-1.

      Já conhecedores desse resultado, os argentinos sabiam que resultado tinham que obter para conseguir chegar a final.

      A Argentina esmagou o Peru por 6-0, que entrou em campo cabisbaixo, uma equipa bem diferente daquela que tinha chegado aquela fase da prova e que tinha maravilhado com o seu futebol.

      Muitos suspeitaram de resultado combinado, mas nunca se chegou a confirmar.

      Sendo assim, e depois de o Brasil ter levado a medalha de bronze ao vencer a Itália por 2-1, o mundo centrou os olhos no estádio Monumental em Buenos Aires onde 77.000 espectadores foram apoiar fervorosamente a equipa da casa.

      Duas equipas a disputarem a sua segunda Final e a promessa de um Campeão inédito.

      Kempes abriu o caminho com um golo aos 38’, enquanto o guarda-redes Fillol ia defendendo tudo.

      Já se acreditava no título argentino quando Nanninga aos 82’ empatou e obrigou que o jogo fosse levado a prolongamento.

      Mas aos 105’ Kempes novamente a bisar, colocava a Argentina muito perto do sonho, que seria consumado com o 3º golo, autoria de Bertoni aos 116’.

      Quarenta e oito anos depois da derrota na final de 1930 contra o Uruguai, os argentinos festejavam finalmente o seu primeiro título mundial.

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