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      Suécia 1958

      Suécia 1958

      Texto por João Pedro Silveira
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      E finalmente o Brasil foi campeão! É assim que tem de começar a história do mundial de 1958, pois foi no mundial sueco que o Brasil conquistou o primeiro dos seus cinco títulos mundiais.

      A verdade é que o mundial da Suécia não ficou só conhecido por ter colocado a primeira estrelinha de campeão no símbolo da CBF, foi também o certame que deu a conhecer ao mundo Edson Arantes do Nascimento, eternizado a letras de ouro, com a alcunha de Pelé.

      Com apenas 17 anos de idade, Pelé abriu o livro, marcando 6 golos na competição, dois deles na final, sendo inesquecível o momento em que fazendo a bola a passar em chapéu por dois adversários, rematou a bola em cheio, sem a deixar bater no chão, batendo o sueco Svensson.

      Mas voltemos ao princípio…

      Em 1958 dezasseis equipas reuniram-se na Suécia para discutir a VIª edição do Mundial de futebol. Entre as ausências destacavam-se a Itália (campeã em 34 e 38), o Uruguai (campeão em 30 e 50), a Espanha, a Holanda, a Suíça e Portugal (que mais uma vez falhava a qualificação).

      Por sua vez a U.R.S.S., a Escócia, a Irlanda do Norte e o País de Gales estreavam-se na aventura dos mundiais. Aliás, o mundial de 58 foi o mais britânico de sempre, estando presentes pela única vez até hoje as 4 associations que fazem parte do Reino Unido.

      Entre os favoritos contava-se a Alemanha - campeã em título, o Brasil  de Pelé, Vavá, Garrincha e Didi, a Inglaterra, a França de Kopa e Fontaine, a regressada Argentina e a estreante U.R.S.S. que queria obter no mundial o sucesso que já obtivera nos Jogos Olímpicos de Melbourne em 1956, onde se tornara campeã.

      Por outro lado a Hungria, que após o mundial tinha espalhado a sua classe pelos campos europeus, viu a sua fantástica selecção ser desmembrada após a invasão soviética em 1956 e apresentava-se na Suécia sem grandes ambições, enquanto os Jugoslavos, vice campeões olímpicos ambicionavam causar uma surpresa.

      No Grupo 1 a Alemanha fez jus aos galões de campeã do mundo e qualificou-se ao empatar com a Irlanda do Norte (2-2) e os checos (2-2), depois de já ter vencido os argentinos por 3-1. A surpresa deste grupo foi a Irlanda do Norte que ao vencer os checos no jogo de desempate (2-1) garantiu uma surpreendente vaga nos quartos de final.

      Já no Grupo 2 a França esmagou o Paraguai por 7-3 e venceu os escoceses (2-1), conseguindo assim, apesar da derrota com o Jugoslavos (2-3), garantir o primeiro lugar no grupo.

      A equipa da casa, que ficou no Grupo 3, venceu sem dificuldades o México e a Hungria, e cedeu apenas um empate com Gales, que mesmo empatando todos os jogos que disputou, garantiu a 2ª vaga para a fase seguinte.

      No “grupo da morte” que incluía o Brasil, a Inglaterra, a U.R.S.S e a Áustria, os ingleses empataram os 3 jogos, enquanto o Brasil garantia o primeiro lugar ao vencer a Áustria (3-0) e a U.R.S.S (2-0).

      Os soviéticos bateram os austríacos e tiveram o direito a um desempate contra os súbditos de Sua Majestade - que venceram por 1-0 - num jogo que teve no seu guarda redes Yashin, a grande figura.

      Nos quartos de final a França dizimou a Irlanda do Norte com uns claros 4-0. A Alemanha suou para eliminar a Jugoslávia, enquanto a Suécia de Liedholm e Simonsson, deixava a U.R.S.S. pelo caminho.

      Já o Brasil sofreu para marcar o golo, que eliminou os defensivos galeses do mundial, e garantiu a passagem para as meias-finais onde passeou a sua classe e venceu a França por esclarecedores 5-2, naquela que foi considerada a final antecipada da prova.

      De um lado Kopa, o magistral médio francês e Just Fontaine, autor de 13 golos no mundial, um recorde que ainda não foi batido, defrontavam um Brasil mágico onde se destacavam Garrincha, Vavá, Zagallo, Djalma , Didi e o já tão supracitado Pelé.

      Na outra meia-final com todo o país a torcer, e o Rei Gustavo VI Adolfona bancada, os suecos eliminaram os campeões do mundo por 3-1 e carimbaram a presença para o jogo decisivo no Estádio Rasunda em Estocolmo.

      No dia da final os suecos acreditaram que podiam sagrar-se campeões do mundo quando aos 5’ Liedholm levou as bancadas ao rubro com o golo inaugural.

      Mas dois minutos depois Vavá repunha a igualdade, e o entusiasmo dos da casa refreava um pouco…

      Aos 32’ Vavá bisava, mas foi só após o intervalo quando Pelé marcou o 3-1 aos 55’ que se abriram as portas para o primeiro título brasileiro.

      Os suecos tentaram reagir mas Zagallo fazia o 4-1. Nas bancadas, o público rendido à magia canarinha aplaudia cada golo de pé.

      Simonsson ainda reduziu a 10 minutos do fim mas Pelé no último minuto bisou, num dos mais belos golos marcados até hoje numa final de um mundial.

      O Brasil finalmente era campeão, e o fantasma do Maracanazo já podia morrer em Paz. Pela primeira e única vez até aos nossos dias uma selecção não europeia, era campeã do mundo em solo europeu. A vez dos europeus chegaria somente em 2010, quando a Espanha conquistou o Mundo na África do Sul.

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      Comentários (1)
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      motivo:
      DO
      zz
      2014-06-03 15h22m por dokas2
      Se possivel, retificar a ultima afirmação que está errada. 2010 Espanha venceu na Africa do Sul, tornando-se 1º seleçãi europeia a ganhar fora da Europa
      Agradecimento
      hm por zerozero.pt
      Correto. Obrigado pela chamada de atenção, o texto encontrava-se desatualizado.
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