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        Partizan

        Texto por Ricardo Miguel Gonçalves
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        Ser conhecido por ter uma das melhores camadas jovens de toda a Europa é bom, tão bom como a fama de ter um dos mais devotos e apaixonados adeptos do Mundo. O Partizan é enorme, disso ninguém duvida, mas as dimensões são ainda mais impressionantes quando comparadas a tudo aquilo que rodeia o emblema sérvio.

        Com o Estrela Vermelha (ou Crvena Zvezda) o Partizan disputa o Dérbi Eterno, que coloca frente a frente os dois maiores clubes de Belgrado e de todo o país, cujos estádios se separam por apenas algumas centenas de metros. É esse fervoroso rival que detém o rótulo de clube de maior sucesso na Sérvia, mas a distância entre títulos conquistados é muito pequena e há quem considere o  Partizan o clube com maior expressão internacional.

        Nem sempre formam em qualidade de classe mundial, mas a quantidade e consistência é de louvar: um relatório do CIES de 2019 destaca o Partizan como a formação mais produtiva, com 75 atletas espalhados pelos principais escalões da Europa. Ainda assim, de um clube que se diz formador, esperam-se nomes: Só neste século produziram jovens como Jovetic, Ljajic, Mitrovic, Sulejmani, Markovic, Zivkovic, Milenkovic e Vlahovic.

        Origem militar e... bianconera

        O Partizan foi fundado, tal como a esmagadora maioria dos emblemas da então Jugoslávia, em tempos que serão permanentemente associados à Guerra. Foi em outubro de 1945 que o clube nasceu, com ligação militar inegável: uma secção de futebol da Casa Central do Exército Jugoslavo. «Partizan», em homenagem aos partidários, a formação militar comunista que lutou contra o fascismo.

        Uma vez que ainda nenhuma competição oficial tinha sido restaurada, o Partizan jogava apenas encontros particulares, dentro da Jugoslávia. Primeiro derrotou a seleção do Zemun por 4x2, com Silvester Seres a marcar o primeiro golo da história do clube. A nível internacional só jogaria mais tarde, numa viagem à Checoslováquia.

        No início dos anos 50 surgiria a separação entre clube e exército, com essa mudança a ter impacto no símbolo do clube. As cores (vermelho e azul) ainda se mantiveram até 1958, altura em que as cores mudaram para as atuais, que se mantém até hoje.

        Essa história é, no entanto, demasiado interessante para não ser partilhada. As camisolas pretas e brancas remontam a uma digressão na América do Sul em que defrontaram um jogo contra a Juventus. O clube italiano ficou impressionado com a qualidade do adversário e, como prenda, ofereceu dois conjuntos de equipamentos bianconeri. Seriam para guardar, mas os jogadores ficaram tão impressionados com a qualidade do material e cor que decidiram utilizar como novo uniforme.

        Uma máquina de formar jogadores

        Formada em 1950, apenas cinco anos após a fundação do clube, a Youth School Belin - Lazarevic - Nadoveza, batizada em honra de três jogadores históricos no clube, é uma das melhores do mundo, pelo célebre e dedicado trabalho do clube no que toca ao futebol jovem.

        A filosofia de treino vai muito além do desenvolvimento dos jogadores de futebol, mas também zelar pelo seu crescimento e formação da personalidade, ao mesmo tempo em que ensina o espírito desportivo. Esse é, segundo o clube, a máxima que os difere da concorrência na hora de formar jovens atletas.

        Para além de ser destacada pelo CIES em 2019 como a formação mais produtiva, com 75 atletas espalhados pelos principais escalões da Europa, o Observatório do Futebol coloca o emblema sérvio no topo de todos os clubes formadores, no seu relatório mensal.

        Inesquecível campanha Europeia

        Dois títulos e quatro taças não foram suficientes para um clube que, como o Partizan, tinha ambição de ser um dos maiores da Europa. Com a mudança dos equipamentos, também a equipa do clube mudou, com a aposta na formação a ficar ainda mais proeminente, numa mudança que ficaria recordada como «Os bebés do Partizan».

        A decisão de confiar principalmente em jovens talentosos observados de todo o país rapidamente deu resultados - o Partizan conquistou três títulos consecutivos do campeonato, em 1961, 1962 e 1963, o primeiro hat-trick de títulos na Jugoslávia. Esse domínio, por sua vez, geraria nova alcunha: «Parni valjak», ou, em português, «rolo compressor».

        A campanha na edição de 1965/66 da Taça dos Campeões Europeus foi a coroa desta geração, que superou o Nantes, o campeão alemão Werder Bremen, antes de encontrar o Sparta Praga nos quartos de final. Fora de casa, o Partizan sofreu uma pesada derrota por 4x1, mas na receção aos checos, perante 50 mil adeptos, venceu por 5x0 e assegurou um lugar nas meias, onde superaria o Manchester United com um agregado de 2x1.

        Os «bebés» estavam na final, que seria disputada em Bruxelas frente ao Real Madrid. Nesse histórico duelo, os alvinegros ainda estiveram a vencer até aos 70 minutos, graças a um golo de Velibor Vasovic, mas acabariam por perder por 2x1 e perder a chance de celebrar com uma geração de ouro, que começou a desmontar-se a partir desse verão.

        Ainda assim, o Partizan será lembrado como a primeira equipa de Leste e dos Balcãs a atingir uma final europeia.

        A vingança europeia e a tragédia Mance

        Em 1976 o Partizan voltou a formar uma boa equipa, com uma formada reminiscente àquela que dez anos antes brilhou nos maiores palcos. Foram campeões na última jornada, superando o Hadjuk Split. Nesse mesmo ano, vingou a final perdida da década anterior com a conquista da Mitropa Cup, uma competição europeia que se extinguiria em 1992.

        Mais um sucesso gerou novo êxodo da boa geração que o conquistou, e a geração dourada seguinte surgiria já nos anos 80, com Dragan Mance à cabeça. O avançado comandou o Partizan à conquista do título com 15 golos marcados quando tinha apenas 19 anos, mas viveria o seu maior momento na Taça Uefa de 1984/85, quando o Partizan bateu o Queens Park Rangers por 4x0 depois de ter perdido por 6x2 em Londres, num jogo que será para sempre recordado pelos adeptos pelo quarto golo, marcado pelo ícone da equipa.

        Após muita especulação, o clube conseguiu que Mance renovasse até 1989, mas poucos meses depois desse acordo, ainda em 1985, o ídolo dos adeptos faleceu num trágico acidente rodoviário. Desde 2011, a rua que leva ao estádio do Partizan tem esse mesmo nome

        No ano seguinte ao trágico acontecimento, o Partizan conquistaria um título que lhe seria retirado por acusações de fraude, mas devolvido no ano seguinte quando a situação foi esclarecida. Em 1987 fizeram história ao contratar dois internacionais chineses (Xiuquan e Halguang), os primeiros a jogar na Europa, e dois anos depois levantaram a Taça, conquistada 32 anos depois da última, naquele que foi o último troféu conquistado antes da dissolução da Jugoslávia.

        Século XXI

        Depois de uma década negra nos anos 90, ainda que tenham chegado alguns troféus domésticos, o Partizan chegou pela primeira vez à nova UEFA Champions League em 2003, depois de ultrapassar o Newcastle de Bobby Robson em fase de acesso. O grupo era praticamente impossível, mas os sérvios não perderam qualquer jogo caseiro: um 0x0 com o galático Real Madrid, um 1x1 com o FC Porto de José Mourinho e o mesmo resultado com o Marseille de Barthez e Drogba.

        Jogar na Europa refletiu-se no campeonato, que o Partizan não venceu, mas nova liderança técnica (Vermezovic) permitiu aos alvinegros atingir a fase a eliminar da Taça UEFA em 2004/05, a única vez que tal aconteceu desde os novos formatos. Cairiam nos oitavos, perante o eventual vencedor CSKA.

        O clube vivia um período de sucesso doméstico entre 2007 e 2009 quando fez a dobradinha, mas a nível Europeu era banido por conflitos causados pelos adeptos, por vezes demasiado apaixonados pelo clube. regressaram na temporada seguinte, com uma vitória de 9x0 sobre o campeão galês Rhyl. O regresso à fase de grupos da Champions seria em 2010/11, num grupo com Shakhtar Donetsk, Arsenal e SC Braga.

        Em 2012/13, o Partizan chegou aos seis títulos consecutivos na Liga da Sérvia, competição iniciada em 2006 com a separação de Montenegro e da qual é recordista até aos dias de hoje, ainda o último título tenha sido em 2016/17.

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