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      Reinaldo Teles: O Chefinho

      Texto por Ricardo Miguel Gonçalves
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      Chefinho, como era caridosamente tratado pelos jogadores do FC Porto de várias gerações diferentes, foi sempre discreto enquanto esteve ligado ao FC Porto, mas não deixou de ser marcante no clube. No FC Porto foi atleta, seccionista, diretor, vice-presidente e administrador da SAD, sempre com grande impacto no clube e nas pessoas do clube.

      Foi um dirigente de realce e uma figura na história dos azuis e brancos, onde esteve desde durante 58 anos dos 70 que viveu, quase sempre com ligação direta a Pinto da Costa, naquele que foi um dos períodos mais importantes na história do FC Porto.

      O Dragão que não ia ao tapete

      Nasceu em Frazão, freguesia de Paços de Ferreira, no dia 14 de fevereiro de 1950, no seio de uma família de origens muito humildes. Não seriam precisos muitos anos para Reinaldo Teles se ligar ao FC Porto, ainda jovem.

      Começou no clube quando se inscreveu na secção de pugilismo, ainda menor. Em 1967 chegaria também à secção de pugilismo Jorge Nuno Pinto da Costa, para chefiar a mesma.

      «No primeiro dia que vim para aqui, cheguei, como se costuma dizer, de pé descalço. Vinha treinar de sapatilhas, nem dinheiro tinha para sapatos, e o meio de transporte eram as pernas», recordou sobre os dias de boxe, numa entrevista de 1992 ao jornal O Jogo.

      Os atletas da modalidade no FC Porto treinam atualmente no «Espaço Reinaldo Teles» ©FC Porto

      Com 21 anos, Reinaldo Teles sagrou-se campeão regional na categoria de pesos médios, e três anos depois chegaria ao título nacional na mesma categoria. A carreira não foi particularmente longa, mas foi marcada por trabalho, como o próprio contaria, então, à Tribuna de Macau:

      «Tinha muito jeito mas, acima de tudo, treinava muito. Chegava a estar mais de uma hora aos murros ao saco e fui campeão porque era mais forte, mais ágil de pernas e braços. Que me lembre, nunca fui ao tapete e nunca fui derrotado por KO».

      Em 1979 Reinaldo Teles pendurava as luvas para assumir o papel de seccionista, a convite de Pinto da Costa, que era então diretor de futebol no FC Porto. Começa aí uma ligação profissional que seria bastante duradoura, e com impacto na história do clube.

      Braço direito

      Durante várias décadas foi criada e reforçada uma relação entre Pinto da Costa e Reinaldo Teles, com o segundo a desempenhar um papel cada vez mais preponderante na estrutura do FC Porto.

      Em 1982 foi eleito diretor adjunto do futebol, no ano em que Pinto da Costa chega à presidência dos dragões, e quatro anos depois deixaria de ser adjunto nesse cargo, passando a ser diretor de futebol. Em 1989, já como principal responsável pelo futebol sénior dos dragões, Reinaldo Teles foi distinguido com o Dragão de Ouro para dirigente do ano.

      Levantaria a Liga dos Campeões duas vezes enquanto dirigente ©FC Porto

      Uma rápida ascensão na estrutura do clube, sempre como um verdadeiro braço direito para o líder Pinto da Costa, não terminou assim tão cedo. Em 1990 começa uma nova etapa no clube, quando Pinto da Costa é eleito para o seu terceiro mandato e Reinaldo Teles é o vice-presidente na lista. Torna-se também membro do conselho superior do clube.

      A ascensão fazia prever Reinaldo Teles como eventual sucessor de Pinto da Costa na presidência do clube, um cenário que o próprio desvalorizava.

      qPresidente? Nunca. E assumo a resposta sem complexos. A minha carreira termina aqui, como vice-presidente
      Reinaldo Teles

      Em 1917, com a criação da Sociedade Anónima Desportiva portista, Reinaldo Teles torna-se administrador executivo, naquele que foi o cargo que desempenhou durante mais tempo. Foi até 2020, altura em que começou a atuar enquanto dirigente não executivo, poucos meses antes de falecer.


       

       

      Símbolo

      Não gostava da ribalta nem da atenção mediática a ela associada, preferindo ser uma figura silenciosa que não deixava de ser ativa ou preponderante no clube. Aliás, a presença comedida fora de portas nem representava realmente como era Reinaldo Teles no seio do clube.

      Mantinha-se próximo dos jogadores ©Catarina Morais

      Era próximo de todos, especialmente nas várias equipas de futebol do FC Porto ao longo dos anos. Era acarinhado não só por todos os elementos de equipa técnica, mas também pelos jogadores, que admitia tratar «como se fossem filhos». Estes, em resposta, devolviam o carinho ao dirigente, chamando-lhe de «tio» ou, como ficaria conhecido, de «chefinho».

      Foi uma das grandes figuras do FC Porto durante várias décadas, fora do futebol e dentro do mesmo, onde esteve ligado a algumas das mais importantes conquistas do clube a nível nacional e internacional. Será, para sempre, um símbolo do Futebol Clube do Porto.

      Faleceu em novembro de 2020, no mesmo dia que Diego Armando Maradona, depois de contrair Covid-19. Era um paciente de risco e apesar de uma resposta promissora a tratamentos iniciais, Reinaldo Teles acabaria por sucumbir perante o vírus, na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São João.

      Por ser uma figura incontornável do futebol português, foi alvo de várias homenagens, embora em particular do FC Porto. No dia seguinte teve a si dedicada uma vitória europeia dos dragões, em Marselha, (0x2) a contar para a frase de grupos da Liga dos Campeões. Nesse dia motivaria palavras carregadas de emoção por parte de ambos os treinadores: André Villas-Boas, então no Marseille, e Sérgio Conceição.

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      Comentários (1)
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      motivo:
      Tio Reinaldo
      2021-02-02 20h33m por carlosfcpfan
      Descanse em paz. Para além da pena de ter morrido, também foi pena ter logo falecido no mesmo dia do grande Diego Armando, que de certa forma , "ofuscou" o seu desaparecimento. Mas não será esquecido. RIP.
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