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      História da edição

      Champions 98/99: A reviravolta inesquecível

      Texto por Vasco Sousa
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      A última edição da Champions antes do aumento para 32 equipas ficou na história: grandes equipas, grandes jogadores, grandes jogos e muita emoção. O culminar de tudo isto aconteceu no Camp Nou, com o Manchester United a conquistar uma épica vitória sobre o Bayern por 2x1, quando perdia aos 90 minutos. Incrível!

      Intervenientes na final, Manchester United e Bayern defrontaram-se na fase de grupos, num fantástico lote em que fazia parte igualmente o Barcelona. Os catalães realizaram dois espetaculares jogos frente ao Manchester United, que terminaram ambos empatados a três golos. Em Old Trafford, os catalães recuperaram de uma desvantagem de dois golos, enquanto no Camp Nou Rivaldo bisou, mas a dupla Yorke (que fez dois golos e uma assistência) e Cole destroçou a defensiva espanhola, num grande jogo. Manchester United e Bayern seguiam em frente, enquanto o Barcelona desiludia, numa época em que sonhava alto na prova, até por receber a final. Já para o Manchester United, esta era a primeira passagem com sucesso pelo Camp Nou

      A fase de grupos teve mais um duelo de candidatos, entre o campeão europeu Real Madrid e o Inter, de Ronaldo, Zamorano ou Roberto Baggio. As duas equipas qualificaram-se para os quartos de final, com os milaneses como vencedores do grupo.

      Presente nas três finais anteriores da prova, a Juventus sofreu bastante num grupo que registou seis empates em 12 jogos, mas seguiu em frente, enquanto o Dynamo Kyiv, de Shevchenko, deu sequência à boa prestação da época anterior, apurando-se num grupo em que faziam parte os campeões de Inglaterra (Arsenal) e França (Lens).

      Já as equipas portuguesas não guardam boas recordações desta época da Champions. Apesar do rendimento fantástico de Zahovic (sete golos em seis jogos), o FC Porto não se superiorizou ao surpreendente Olympiacos, enquanto o Benfica viu o campeão alemão Kaiserslautern, orientado por Otto Rehhagel seguir em frente, muito devido ao facto de não ter vencido qualquer jogo frente aos modestos e estreantes finlandenses do HJK.

      Nos quartos de final, e num duelo 100% alemão, o Bayern levou a melhor sobre o Kaiserslautern, enquanto a Juventus eliminou o Olympiacos graças a um golo de Conte a cinco minutos do fim. De forma surpreendente, o Dynamo Kyiv afastou o detentor do título Real Madrid – ou melhor, Shevchenko eliminou os merengues, já que foi o avançado que marcou os três golos dos ucranianos na eliminatória. Naquela que era considerada a principal eliminatória dos quartos de final, o Manchester United afastou o candidato Inter, com Yorke a bisar na primeira mão.

      As meias-finais foram emocionantes e com muitos golos. O Dynamo Kyiv desperdiçou uma vantagem de dois golos em casa na primeira-mão frente ao Bayern, num jogo que terminou 3x3. Os bávaros venceram em casa o segundo jogo por 1x0 e chegaram, mais de 10 anos depois, à final da Liga dos Campeões. Juventus e Manchester United protagonizaram uma fantástica eliminatória: na primeira-mão, os italianos estiveram muito próximos de uma vitória em Old Trafford, mas um golo de Giggs nos descontos significou o empate. Era, ainda assim, um resultado positivo para a Juventus, que parecia ter a qualificação para a quarta final consecutiva da prova garantida quando Inzaghi bisou: aos 11 minutos, a eliminatória parecia resolvida. Mas os ingleses reagiram em força: ainda na primeira parte, empatou o jogo e passou para a frente da eliminatória, no segundo tempo voltou a marcar e venceu por 2x3. Mais de 30 anos depois, os Red Devils estavam na final da Liga dos Campeões.

      A final, disputada no Camp Nou, significou um dos momentos mais marcantes do desporto-rei. Basler (que já tinha marcado nas meias-finais) inaugurou cedo o marcador na sequência de um livre direto e os bávaros partiram para uma grande exibição. O segundo golo esteve muito perto, mas os ferros, Schmeichel ou a ineficácia dos germânicos impediram-no. Ainda assim, o Manchester United, sem Keane e Scholes, não parecia ter argumentos para evitar a derrota. Aos 80 minutos, Matthaus, nome histórico dos bávaros, foi substituído sob uma chuva de aplausos dos adeptos. Vencedor nato, nunca tinha vencido a Liga dos Campeões, mas parecia que seria desta.

      ©Getty /
      Foi já no banco que Matthaus viu, sem querer acreditar, a reviravolta do Manchester United. Minuto 90+1: Canto de Beckham, confusão, remate de Giggs, emenda de Sheringham: 1x1. Minuto 90+3: Novo canto de Beckham, toque de Sheringham e, ao segundo poste, Solskjaer encontou para o fundo das redes. Era a loucura inglesa e o desespero alemão – inesquecível a fúria demonstrada por Kuffuor, a dar socos no relvado, frustrado por uma derrota impensável.

      Honra aos vencidos, glória aos vencedores. A equipa orientada por Sir Alex Ferguson conquistava uma inesquecível tripla (campeonato, taça e champions), num conjunto fantástico, que juntava Schmeichel, Stam, Keane, Scholes, Beckham, Giggs e quatro avançados fulminantes (Cole, Yorke, Sheringham e Solskjaer). Inesquecível!

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      jogos históricos
      U Quarta, 26 Maio 1999 - 19:45
      Camp Nou
      Pierluigi Collina
      2-1
      Teddy Sheringham 90'
      Ole Gunnar Solskjær 90'
      Mario Basler 5'
      Estádio
      Camp Nou
      Camp Nou
      Espanha
      Barcelona
      Lotação99354
      Medidas105x68
      Inauguração1957