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      História da edição

      Champions 02/03: A caminhada épica de Ancelotti

      Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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      Gigante do futebol italiano e europeu, o Milan teve, ao longo da sua história, grandes equipas. Conjuntos de grandes jogadores que elevaram o estatuto do clube e que tornaram os rossoneri num fenómeno mundial. Mais ofensivo ou defensivo, o «Milão» foi sempre um daqueles clientes VIP da Champions, sempre pronto a chegar longe e a ganhar aquela Taça que todos cobiçam. 

      A vitória na Liga dos Campeões de 2002/2003 foi uma autêntica maratona para Ancelotti. Na primeira época completa em San Siro, o antigo jogador construiu uma verdadeira equipa, capaz de ser forte como poucas logo aí e nos anos seguintes no mais alto patamar do futebol europeu. No Teatro dos Sonhos, a grande Juventus assistiu de cadeirinha ao triunfo de Maldini, Pirlo, Sheva, no início de uma dinastia marcante.  

      Não é muito habitual, mas este Milan faz parte daquele conjunto de equipas que conquistaram o título europeu começando a sua participação ainda nas pré-eliminatórias. Devido ao quarto lugar na época anterior, os rossoneri foram obrigadod a jogar dois jogos para entrarem na fase de grupos. Diante do Slovan Liberec, o equilíbrio foi nota dominante. Uma vitória por 1x0 em San Siro, uma derrota por 2x1 na República Checa. Seria assim o percurso do futuro campeão, recheado de dificuldades e de terrenos minados. 

      Para a fase de grupos seguiu o Milan, sem a companhia de qualquer equipa portuguesa. Por esta altura, o ranking não era propriamente simpático e o campeão nacional e segundo classificado tinham que disputar dois jogos para entrar Champions propriamente dita. Não só Sporting e Boavista desiludiram, como passaram uma péssima imagem do futebol luso. Quatro jogos na eliminatória, nem um único golo marcado. Inter e Auxerre agradeceram. 

      Esta foi a última edição com duas fases de grupos. Na primeira não se assistiu a grandes surpresas. Os favoritos confirmaram a superioridade, tendo apenas duas formações desiludido verdadeiramente. Desde logo o Bayern, campeão nessa época, que terminou em último do seu grupo, atrás de Milan, Deportivo e Lens, mas também o Liverpool, segundo classificado da Premier League anterior, que ficou a um ponto do segundo classificado Basileia. 

      Partimos para a segunda e definitiva fase de grupos, antes das eliminatórias, e, aí, o equilíbrio foi nota dominante. E escrever sobre um grupo equilibrado é escrever sobre o grupo D de 2001/2002, composto por Manchester United, a finalista Juventus, Deportivo da Corunha e Basileia. Os red devils ganharam os primeiros quatro jogos e logo garantiram a qualificação, mas a luta pelo segundo lugar foi verdadeiramente feroz. Três equipas acabaram com duas vitórias, um empate e três derrotas, mas apenas a vecchia signora teve uma diferença de golos não negativa (11-11). Não por acaso, os italianos garantiram a qualificação na penúltima jornada.

      Ronaldo foi Fenomenal em Old Trafford ©Getty /

      Ainda mais emocionante, porventura, foi aquilo que aconteceu no grupo B. Quatro equipas na luta pelo apuramento, à partida, quatro equipas na luta pelo apuramento à entrada para a última jornada. O segundo classificado da Serie A Roma e o campeão inglês Arsenal entraram com aspirações para o derradeiro jogo, mas para os oitavos acabaram por seguir Ajax e Valência, campeão espanhol. 

      Se a Juventus, como já se viu, passou por muitas dificuldades, o Milan, que partilhou a final de Old Trafford com a vecchia signora, foi dominador na segunda fase de grupos. Quem olhar para a classificação e vir o segundo classificado a um ponto e o terceiro a dois, até pode pensar em sofrimento, mas o que aconteceu foi que os rossoneri ganharam os quatro primeiros jogos e depois relaxaram, garantindo, ainda assim, a liderança. Calhou a fava ao campeão alemão Dortmund, que ficou, então, a um empate do Real Madrid e do apuramento. 

      A partir do momento em que apareceram os jogos a eliminar, o equilíbrio foi ainda mais evidente. Nenhum dos quatro duelos teve uma diferença de mais do que um golo. Milan, Juventus, Real Madrid e Inter garantiram as meias-finais, mas não sem antes protagonizarem partidas emocionantes, decididas no pormenor. 

      Comecemos pelo duelo mais espetacular de todos, entre Manchester United e Real Madrid. Um autêntico clássico da Champions que acabou, até, por superar as melhores expetativas. O campeão europeu em título tinha muitos Galácticos, é certo, mas valia, acima de tudo, pelo coletivo. Uma equipa bem oleada que castigou os red devils com um 3x1 na primeira mão, antes do festival de Ronaldo em Old Trafford. O hat-trick do brasileiro, em pleno Teatro dos Sonhos, materializou uma das grandes exibições individuais da história recente da Champions. É certo que a equipa de Ferguson ganhou 4x3 essa partida, mas a eliminatória já estava decidida desde o minuto 60. 

      Para lá da passagem do Inter, que eliminou o Valência com muita dificuldade, foram as outras duas equipas italianas que passaram por jogos mais apertados. O Milan, depois de um empate a zero na primeira-mão, em Amesterdão, sofreu muito no jogo de San Siro, chegando mesmo ao minuto 90 virtualmente eliminado, com um possivelmente fatal empate a dois. No entanto, o dinamarquês Jon Dahl Tomasson, à entrada para os descontos, carimbou a passagem rossonera para as meias. 

      Se o Milan sofreu contra o Ajax, a Juve precisou de mais do que 180 minutos para eliminar o Barcelona. Apesar de ter acabado em sexto na Liga, o conjunto catalão foi bastante competitivo nos dois jogos e dois empates a uma bola encaminharam a segunda-mão para prolongamento. Depois dos golos de Nedved e de Xavi, apareceu Zalayeta, uma espécie de arma secreta, para carimbar a passagem da vecchia signora às meias-finais. 

      Um dérbi de Milão e um confronto entre dois gigantes do futebol europeu. Não faltavam razões para acompanhar as últimas etapas antes da grande final de Manchester. Sobre o duelo entre Inter e Milan, aquilo que se pode dizer é que foi à italiana. Equilibrado, rígido, aqui e ali aborrecido, apenas decidido na segunda-mão, depois de um nulo, quando os rossoneri eram visitantes e os nerazzurri visitados. Um golo de Shevchenko abriu caminho e o empate de Obafemi Martins, a cinco minutos do final, acabou por ser insuficiente, muito por culpa de um falhanço incrível de Mohamed Kallon, avançado natural da Serra Leoa que fica diretamente ligado a 2002/2003. Ancelotti regressava a uma final de Liga dos Campeões, agora como treinador. 

      Buffon defendeu penálti de Figo na segunda-mão ©Getty / Sandra Behne
      O Real Madrid tinha dado uma grande demonstração de classe na eliminatória anterior e Ronaldo vivia uma segunda vida quando a Juventus visitou o Santiago Bernabéu para a primeira-mão. E foi mesmo o Fenómeno a abrir as hostilidades, com Trezeguet a empatar muito perto do intervalo. Quando tudo parecia indicar empate, Roberto Carlos utilizou o seu pontapé canhão para bater Buffon e para deixar os merengues em vantagem. Em Turim, a vecchia signora foi muito mais forte, contando com uma grande dose de talento e com um Buffon que já era um caso sério na baliza. Trezeguet, Del Piero e Nedved, três símbolos desta era, marcaram os golos de uma vitória clara que valeu bilhete até ao Teatro dos Sonhos. 

      Quanto à final, acabou por ser uma das mais desinteressantes da era Champions. Demasiado rigor tático, pouca criatividade, apesar do muito talento presente em campo, um golo mal anulado a Sheva, um par de bolas no poste e grandes desempenhos defensivos, com Nesta à cabeça. Tudo ficou adiado para as grandes penalidades e, aí, o Milan foi mais forte, conquistando uma Liga dos Campeões inesquecível. É que bater os dois grandes rivais para o título mais importante de todos está acima de qualquer nota artística. 

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      U Quarta, 28 Maio 2003 - 19:45
      Old Trafford
      Markus Merk
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      Lotação75643
      Medidas105x68m
      Inauguração1910