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        Liga dos Campeões 2011/2012
        Grandes jogos

        Real Madrid x Bayern: Mourinho de joelhos, alemães nas nuvens

        Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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        Perder a oportunidade de disputar uma final da Liga dos Campeões é, independentemente das circunstâncias, um momento duro na carreira de qualquer profissional de futebol ao mais alto nível. Chegar muito perto e ver o sonho fugir no desempate das grandes penalidades, ainda por cima a jogar em casa, é ainda mais dramático. Foi precisamente isso que aconteceu ao Real Madrid de Cristiano Ronaldo e de José Mourinho, a 25 de abril de 2012. O Bayern de Munique foi o vilão desta história toda. 

        Esta foi, sobretudo, uma Champions com finais tristes e dramáticos para os dois colossos do futebol espanhol, Barcelona e Real Madrid. Duas equipas que travaram uma batalha incrível pelo título de campeão e que, na Champions, pagaram caro o esforço físico de meses de trabalho árduo. Se o Chelsea de Di Matteo aproveitou para gelar Camp Nou com uma abordagem defensiva, o Bayern chegou ao Bernabéu e foi para cima do adversário, numa postura valente, atacante, que teve o seu proveito nos penáltis. 

        Este era um conjunto bávaro que já só pensava, praticamente, na Liga dos Campeões e na possibilidade de disputar a final, o jogo de todos os jogos, em casa, na Allianz Arena. O título já tinha fugido irremediavelmente para o Dortmund, mas, mesmo assim, havia uma final da Taça doméstica para disputar e um possível dia histórico europeu para viver. Porque não é todos os dias que se pode ganhar uma competição destas no relvado e junto às bancadas que, semana após semana, vivem os sabores e dissabores do clube. 

        Não faltava qualidade nenhuma a este adversário de Mourinho que tinha ganho vantagem na primeira mão, com um 2x1 que não deixava de espelhar o equilíbrio que existia entre os dois concorrentes. Kroos e Schweinsteiger davam solidez, consistência e qualidade de passe a meio, Robben e Ribery desequilibravam pela direita e pela esquerda, respetivamente, Gómez tinha a responsabilidade de finalizar todos estes caminhos possíveis para a felicidade. 

        Mais atrás, começava a aparecer um pequeno fenómeno da posição de lateral esquerdo. Alaba até era médio, de origem, mas o deslocamento para a faixa canhota permitiu ao austríaco aproveitar ainda mais as suas qualidades de velocidade, aceleração, transporte, qualidade técnica e cruzamento. O Real, que já tinha problemas de sobra nas alas adversárias, teve de lidar com um miúdo pronto a atacar qualquer espaço que surgisse. Lances perigosos e ameaçadores junto à baliza de Casillas não faltaram e os adeptos do desporto-rei puderam assistir a uma autêntica aula de um novo craque.

        Mourinho acabou assim, à procura de ajuda divina ©Getty /

        Em 2011/2012, o Real acabou por destronar o Barcelona de Guardiola, numa Liga feita de recordes. Era, de facto, uma equipa poderosa em todos os sentidos: físico, tático e técnico. O onze pouco mudava e, na receção ao Bayern, apenas o mais ofensivo Marcelo foi escolhido em detrimento do mais defensivo Coentrão - o português passou a ter outras valências na função de lateral. Khedira e Xabi asseguravam os equilíbrios a meio, Di María dava largura pela direita, Ozil criatividade, Ronaldo partia da esquerda, ainda que estivesse cada vez mais perto do centro e, por consequência, de Benzema. 

        A primeira parte foi um autêntico rolo compressor. A precisar de apenas um golo, o Real marcou dois nos primeiros 15 minutos. Cristiano Ronaldo fez o primeiro de grande penalidade, antes de responder da melhor forma ao passe venenoso de Ozil, na zona preferida do alemão. Parecia tudo mais ou menos perfeito para os merengues, mas o Bayern, mesmo entre aqueles momentos de infelicidade, ia construindo jogadas de perigo. Muitas, talvez demasiadas, perante um futuro campeão espanhol demasiado receoso e recuado. 

        Quando, ainda antes da meia hora, Robben, na conversão de um penálti, empatou a eliminatória, o Bayern já tinha feito mais do que o suficiente para marcar um golo no Bernabéu. E os ataques não pararam até ao intervalo. Era um futebol envolvente, rápido, objetivo, construído nos três corredores, capaz de fomentar as melhores qualidades dos 11 intérpretes. Casillas teve trabalho de sobra, a bola andou a rondar a baliza merengue em muitas ocasiões, mas era o 2x1 que imperava no momento de regressar aos balneários. 

        Sobre a segunda parte e todo o prolongamento há pouco para contar. Muito mais receio, o que é natural, ainda menos força física e resistência, especialmente do lado bávaro, para atacar as balizas e predominância dos lances de bola parada e dos desequilíbrios individuais. Não faltavam artistas em campo, mas nem Ronaldo, com os seus livres, nem Robben, com as suas diagonais, nem Gómez e Benzema, com a sua capacidade finalizadora, impediram que a decisão chegasse às grandes penalidades. 

        Aí, Mourinho ajoelhou-se, pedindo uma qualquer bênção divina. Mas na terra os heróis não estavam muito inspirados. Cristiano Ronaldo falhou em mais um desempate decisivo na Liga dos Campeões, tal como na final de Moscovo, Sergio Ramos enviou a bola para as bancadas...as superiores, leia-se, e Schweinsteiger carimbou o passaporte do Bayern para a final. Quem diria que, no meio de toda esta euforia, umas semanas depois, a época deste colosso alemão se transformaria num autêntico filme de terror...

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        jogos históricos
        U Quarta, 25 Abril 2012 - 19:45
        Santiago Bernabéu
        Viktor Kassai
        2-1
        Cristiano Ronaldo 6' (g.p.) 14'
        Arjen Robben 27' (g.p.)
        Estádio
        Santiago Bernabéu
        Lotação81044
        Medidas105x68
        Inauguração1947