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      História da edição

      Champions 08/09: A vitória do tiki-taka

      Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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      Take the ball, Pass the ball. Talvez possa não estar familiarizado com a expressão, mas nós ajudamos. Para além de representar com a palavra uma forma e uma fórmula futebolística, ela também deu título ao documentário feito pelo Barcelona que serviu de celebração da equipa que encantou o mundo do futebol entre 2008 e 2012. Nessa viagem ao passado, há uma paragem obrigatória em Roma, cidade onde o passe, o talento e a arte pareceram, durante 90 minutos, eternos, naquele glorioso 27 de maio.  

      Mas nem só da final se fez o percurso do primeiro Barça de Guardiola, como é lógico. Até ao jogo decisivo, os blaugrana foram praticamente irrepreensíveis - nas próximas linhas trataremos de destacar o momento mais negativo entre tanta coisa boa -, chegando a goleadas e a exibições memoráveis com uma facilidade impressionante. As dúvidas iniciais rapidamente desapareceram e deram lugar a certezas e a uma ideia de jogo que respeitava a filosofia de Cruyff, com novas dinâmicas e outros protagonistas. 

      O Sporting, uma de duas equipas portuguesas presentes na fase de grupos, sentiu logo o peso deste futuro campeão europeu no mês de novembro, com uma goleada caseira (2x5) que seria o trampolim para uma reta final de participação leonina verdadeiramente trágica. Porque se chegar aos oitavos de final (pela primeira vez passou a fase de grupos) e perder a primeira-mão em Alvalade por 0x5 aos pés de um Bayern que não deslumbrava já podia ser considerado um drama, completar o ramalhete com um 7x1, em solo alemão, então, era a materialização de uma autêntica humilhação para um dos grandes do futebol luso. 

      Num campo completamente distinto aparece o FC Porto, que, curiosamente, até meio da fase de grupos, era a equipa portuguesa que menos convencia. Uma vitória sofrida na Ucrânia, diante do Dynamo de Kiev, acabou por ser decisiva na participação portista em mais uma Champions. O primeiro lugar foi mesmo conquistado, novamente às custas de um tubarão inglês - calhou ao Arsenal a fava que já tinha sido experimentada um ano antes pelo Liverpool -, o Atlético de Madrid foi ultrapassado nos oitavos com categoria e justiça e só o United foi capaz de deitar abaixo um Dragão cheio de força e ambição. O 2x2 em Old Trafford teve contornos épicos, pela boa exibição, pelo surgimento em grande de alguns jovens jogadores (Rolando e Fernando à cabeça), mas de pouco valeu, especialmente depois do míssil de Cristiano Ronaldo que resolveria a eliminatória. Por certo, um dos golos que o craque português jamais poderá esquecer - e o golo do ano, eleito mais tarde. 

      O momento inesquecível de Ronaldo no Dragão ©Getty / Shaun Botterill

      Nessa mesma fase de quartos de final, pudemos também assistir a um autêntico clássico da Liga Milionária. O Liverpool, que na fase anterior havia demonstrado que o antigo campeão Real Madrid tinha mesmo uma malapata muito grave com os oitavos de final, marcou uns impensáveis quatro golos em Stamford Bridge e, mesmo assim, não conseguiu passar. Porque o Chelsea, desde logo, também marcou quatro e porque já tinha também marcado três em Anfield. E a última oportunidade para o trio Benítez-Gerrard-Torres esfumou-se. 

      Enquanto as outras principais equipas tinham de se superar e de aparecer ao melhor nível para chegar o mais longe possível, o Barça respondia com uma autêntica limpeza. Marcar cinco golos a um crónico campeão e a uma formação com experiência de grandes jogos como o Lyon foi como um aviso à navegação, golear o Bayern por 4x0, em casa, numa vantagem construída ainda nos primeiros 45 minutos, serviu para que todos construíssem um cenário de, pelo menos, algum favoritismo catalão para a edição 08/09 da Champions

      Chegamos, então, à última barreira antes da final. E, aqui, não poderiam ter sido mais diferentes as duas eliminatórias. Comecemos pela mais desequilibrada. O Manchester United, campeão europeu em título, não teve grandes problemas para continuar a sonhar com a segunda dobradinha consecutiva (campeonato e Champions). E se o Arsenal poucas vezes demonstrou ter argumentos para contrariar o favoritismo dos red devils, então Cristiano Ronaldo tem uma quota parte muito importante nesses pratos desequilibrados da balança. No Emirates, e depois de um triunfo pela margem mínima na primeira-mão, com dois grandes golos e uma assistência, rubricou-se mais uma grande exibição para o atleta que entraria para a história da competição durante a década seguinte. 

      Apesar do festival de CR7, a eliminatória que todos ainda hoje verdadeiramente recordam é a que colocou frente a frente o Barcelona e o Chelsea. Parecia que os catalães eram favoritos, à partida. Tinham outra qualidade de jogo, um percurso mais consistente e pujante, em relação a um adversário que viveu o drama de uma chicotada psicológica e que colocou as fichas todas nas competições a eliminar. A fórmula estratégica de Hiddink começou por resultar em Camp Nou, na primeira mão (0x0), e acabou por se apresentar num grande nível em Stamford Bridge, uns dias depois. O grande golo de Essien serviu para abrir mais uma janela de esperança, mas o que verdadeiramente impressionou foi a capacidade dos blues em secarem o jogo dominador do Barça. Iniesta, nos minutos finais, com um remate irrepreensível, praticamente garantiu o passaporte para Roma, mas a partida não terminou sem mais um lance de possível grande penalidade na área de Valdés. Um de quatro possíveis castigos máximos que o norueguês Ovrebo não assinalou, naquela que foi das arbitragens mais polémicas do futebol moderno. 

      Enfim, voltemos a Roma, de vez, para contar a história de uma final que só foi verdadeiramente equilibrada durante os primeiros 10 minutos. Cristiano Ronaldo, que já começava a ganhar um carinho muito especial junto dos adeptos do Barcelona, entrou com tudo e esteve perto do golo num par de ocasiões. O Manchester United, com um estilo completamente diferente, mostrava-se capaz de não só discutir o jogo pelo jogo, como de superar em alguns momentos um Barcelona que tinha várias ausências no setor defensivo - Puyol foi lateral, Touré central e o suplente Sylvinho também foi chamado à titularidade - e que, talvez por isso, tenha entrado algo encolhido e desconfiado. 

      Iniesta foi fundamental ©Getty /
      Mas este conjunto catalão soube dar a estocada no momento certo. E foi o mágico Iniesta a abrir o caminho para Eto´o repetir a gracinha da final da Champions de 2006. Depois foi controlar, tocar, passar, enganar, até ao voo triunfal do pequenino Messi. Catalunha nas nuvens, como poucas vezes tinha estado antes. Quanto a Messi, artilheiro da competição, teria ali mais um argumento de peso para a sua coroa de melhor do Mundo, a primeira de muitas.

       

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      Comentários (2)
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      motivo:
      FC Barcelona
      2020-05-27 22h00m por Daniele
      Ainda nestes dias revi o documentário "Take the ball, Pass the ball". Fantástico.
      Podia ter sido no Prater em Viena
      2020-05-27 15h13m por Danubioazul
      A efeméride mais importante num 27 de Maio que o ZZ conseguiu arranjar.
      Só é pena que o jogo não tenha acontecido em Viena no estádio do Prater.
      jogos históricos
      U Quarta, 27 Maio 2009 - 19:45
      Stadio Olimpico
      Massimo Busacca
      2-0
      Samuel Eto’o 10'
      Lionel Messi 70'
      Estádio
      Stadio Olimpico
      Lotação70634
      Medidas105x68
      Inauguração1937