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      Krasimir Balakov: O Leão dos Balcãs

      Texto por Ricardo Gonçalves
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      «Leão dos balcãs, e o teu glorioso espírito alado,

      Lidera e inspira-nos, ó grande triunfante.»

      - Primeiro hino da Bulgária 

      O leão é a epítome do nacionalismo búlgaro, afirmação que é comprovada pelos versos acima, originalmente rimas, que faziam parte do primeiro hino da nação que foi substituído em 1944. O grande felino foi desde sempre uma figura importante na mitologia, particularmente na região dos balcãs da qual faz parte o atual território búlgaro, e onde o leão se tornou para sempre presente símbolo cultural. 

      Provavelmente por este motivo, à seleção de futebol da Bulgária foi atribuída a intimidadora alcunha de 'Os Leões', jogando mesmo com a figura do leão ao peito durante muitas décadas. 

      Em 1994, já sem a figura rampante no escudo, a equipa búlgara conseguiu um histórico 4º lugar no Campeonato do Mundo disputado nos Estados Unidos. Uma das figuras incontornáveis dessa seleção era um leão verde e branco (cores do equipamento da Bulgária) que se destacava por entre os colegas. O seu nome? Krasimir Balakov.

      Tudo começou em Tarnovo

      Krasimir nasceu a 29 de março de 1966 em Veliko Tarnovo, uma cidade com uma população de 67 mil pessoas, e rapidamente mostrou talento para jogar futebol. Jogou na escola, na rua e em clubes da zona, e nunca parou de jogar.

      Com 18 anos chegou à equipa principal do principal clube da cidade, o Etar Tarnovo. Durante sete temporadas disputou a primeira divisão da Bulgária ao serviço do clube, mas foi na última temporada completa no seu país natal que conquistou a glória. Na época de 1989/90 o Etar Tarnovo foi campeão búlgaro, e com essa conquista a estrela da equipa conseguiu ganhar a transferência para um campeonato mais atrativo. Pelo Etar, Balakov realizou 142 jogos, marcando por 35 vezes.

      Búlgaro esteve cinco temporadas no Sporting ©Getty / Neal Simpson - EMPICS
      Em janeiro de 1991 chegou a Portugal para representar o Sporting. Aos 25 anos, estava no que se poderia esperar como sendo o pico das suas habilidades, mas Balakov parecia ser eterno. Quem o viu jogar sabe, o búlgaro era incapaz de protagonizar uma má partida. Em campo era capaz de produzir momentos geniais, e fazia-o frequentemente e consistentemente como poucos no mundo do futebol.

      No pé esquerdo era onde guardava toda a magia, mas não era de todo comedido com ela. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, saíam momentos com mais cor, como só um verdadeiro artista seria capaz de fazer. E Balakov não fugia à regra, tal como os grandes artistas da história do futebol, o búlgaro era um verdadeiro 10 em campo, uma posição cada vez mais rara, ficando para sempre a memória de um dos grandes (e últimos) a desempenhar esse papel em Portugal.

      A história de Balakov no Sporting não ficou propriamente marcada pela glória, nem pelas conquistas do clube durante os cinco anos em que o búlgaro jogou em Alvalade, mas pelo jogador em si. Balakov era dono de uma técnica excecional, para além da sua visão e leitura de jogo que não tinha rival dentro do plantel dos leões. Para além de tudo isso era um goleador. O remate de pé esquerdo era imparável e as bolas paradas eram a imagem de marca de um dos grandes especialistas na marcação de livres diretos que já passaram por Portugal.

      Krasimir Balakov
      Sporting
      Total
      168 Jogos  14848 Minutos
      60   17   0   02x
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      Qualquer adepto do Sporting que tenha testemunhado as capacidades de Balakov pode confirmar que se trata de um dos jogadores mais talentosos da história do clube. O chapéu a Preud'homme no antigo estádio da Luz, o golo mágico no Bonfim em que fintou meia equipa incluindo o guarda-redes, os cinco golos num só jogo frente ao Lourosa na Taça de Portugal, foram apenas alguns dos momentos mágicos proporcionados por Bala.

      De Alvalade levou apenas um troféu, a Taça de Portugal de 1994/95. Sob o comando de Carlos Queiroz e ao lado de jogadores como Figo, Iordanov, Amunike, Oceano e Naybet o Sporting de Balakov venceu o Marítimo por 2x0 no Jamor e colocou um ponto final nos 13 anos de seca. Mas, infelizmente para os adeptos leoninos, esse seria o último jogo do Leão dos Balcãs, que aos 29 anos seguiria para a sua próxima aventura.

      Antes de partir em direção à Alemanha, Balakov ainda falou à TVI, expressando um desejo seu que, no final, acabou por não se concretizar: «Gostava de acabar a carreira num grande clube e o nome é Sporting Clube de Portugal».

      Os outros Leões

      O momento mais glorioso da carreira de Krasimir Balakov veio no verão de 1994, nos Estados Unidos da América, quando a seleção da Bulgária surpreendeu tudo e todos ao chegar à semi-final do Campeonato do Mundo.

      Fez parte da geração de ouro da Bulgária ©Balakov.bg
      A caminhada não começou da melhor forma. Uma derrota por 3x0 frente à Nigéria deixou os búlgaros numa situação complicada, mas o génio de Balakov não iria permitir a eliminação tão cedo. Vitórias por 4x0 e 2x0 frente à Grécia e Argentina, respetivamente, garantiram a passagem à fase seguinte. Ultrapassaram o México no desempate por grandes penalidades e a campeã em título Alemanha, antes de cair na semi-final, ao perderem 2x1 com os italianos.

      O maior feito da história da seleção búlgara não passou despercebido. A equipa do torneio contou não só com o nome de Balakov, mas também com o de Hristo Stoichkov, avançado do Barcelona que marcou seis golos na competição. Ambos os jogadores viriam a ser considerados as estrelas daquela geração, bem como lendas do futebol búlgaro.

      Balakov e a seleção da Bulgária estariam presentes nos dois torneios seguintes, maioritariamente com a mesma equipa, mas os resultados não seriam os mesmos. O Euro 1996 viu um sorteio difícil com Espanha, França e Roménia na fase de grupos. Empate com a equipa espanhola e uma vitória frente aos romenos ainda deu esperança, mas a derrota no último jogo condenou os búlgaros à eliminação.

      A famosa seleção da Bulgária ©Getty / Mark Sandten
      Dois anos depois, em 1998, a história foi pior. Um empate frente ao Paraguai para abrir o torneio, seguido de uma nova derrota frente à Nigéria e um infeliz jogo frente à equipa de Espanha, que derrotou os búlgaros, por 6x1, num jogo que dificilmente será esquecido por Balakov, pois foi o último jogo pela sua seleção numa grande competição.

      Balakov acabou a sua carreira pela seleção apenas dois meses antes de pendurar definitivamente as botas. Numa partida frente à Estónia, na fase de qualificação para o Euro 2004, o número 10 fez o seu 92º e último jogo pela equipa búlgara. Para a história ficaram os 16 golos que marcou durante a era de ouro do seu país no futebol internacional.

      O triângulo mágico

      O impacto de Balakov na Alemanha foi tão impressionante como imediato. Chegou ao Stuttgart no início da temporada de 1995/96, e não precisou de muito tempo para replicar a qualidade que já tinha mostrado aos adeptos portugueses. A camisola 10 assentou-lhe bem e os sete golos em 34 jogos conquistaram os adeptos, mas algo ainda não estava certo.

      Balakov virou lenda em Estugarda ©Balakov.bg
      Na temporada seguinte, as peças caíram no lugar. O técnico Joachim Löw montou a equipa de uma maneira que beneficiou tremendamente o ataque da equipa de Estugarda. Balakov como médio mais ofensivo e sempre próximo dos avançados Fredi Bobic e o brasileiro Élber. 

      O trio atacante entendeu-se perfeitamente e ficou conhecido na Alemanha como o Triângulo Mágico. Aos seus 13 golos, Balakov acrescentou inúmeras assistências para os 20 tentos de Élber e 19 de Bobic, que apesar de se terem ficado pelo quarto lugar na Bundesliga, foram o melhor ataque da competição. Também nesse ano o Stuttgart viria a conquistar a Taça Alemã, depois de vencer o Energie Cottbus por 2x0 na final.

      O ano seguinte viu o clube manter o quarto lugar no campeonato alemão, mas foi na Taça das Taças que esteve perto da glória europeia. Um bis de Balakov frente ao Slavia de Praga garantiu o apuramento para a semi-final onde o Stuttgart bateu o Lokomotiv por 3x1 no conjunto das duas mãos. Aquela que seria a maior conquista da carreira do búlgaro esteve perto, mas acabou por não acontecer quando Gianfranco Zola marcou aos 71 minutos e garantiu que a penúltima edição da Taça das Taças seria do Chelsea.

      Balakov esteve na equipa do ano da Bundesliga nas primeiras três vezes que a disputou, e foi o jogador búlgaro do ano em 1997 (tal como já tinha sido em 95, ainda ao serviço do Sporting). Depois disso manteve uma carreira extremamente consistente no Stuttgart, onde, apesar de ter chegado ao clube com quase 30 anos, ainda fez oito temporadas ao mais alto nível antes de decidir pendurar as botas no final de 2002/03, época em que o Stuttgart ficou em segundo lugar na Bundesliga

      Balakov como treinador ©Getty / Dennis Grombkowski
      Tal como em Lisboa, o pé esquerdo de Balakov nunca foi esquecido em Estugarda, e o jogador búlgaro foi merecidamente homenageado quando os adeptos do clube elegeram o Leão dos Balcãs como o melhor jogador da sua história.

      Depois de pendurar as botas, Balakov deu início a sua carreira de treinador na Alemanha. Começou como adjunto e assumiu-se mais tarde como principal, tendo assumido projetos em vários europeus com destaque para o cargo de selecionador da Bulgária em 2019.

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