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      Premier League 2011/2012
      Grandes jogos

      Man. United x Man. City: A tarde onde Manchester foi azul como nunca

      Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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      Dominador do futebol britânico na última década do século XX e na primeira do século XXI, o Manchester United de Ferguson foi quase sempre um exemplo de competitividade e de demonstração de força face aos principais adversários. Se o Liverpool se ficou várias vezes pelo quase, o Chelsea e o Arsenal conseguiram por mais do que uma ocasião cometer uma proeza: vencer por mais do que uma vez um título da Premier League ao mesmo tempo que uma das formações inglesas mais vencedoras da história competia. 

      Enquanto ia colecionando vitórias atrás de vitórias, títulos em catadupa, os red devils iam afirmando-se como o único verdadeiro grande clube da cidade de Manchester. O rival City era barulhento, como se costumava dizer, ocupava uma parte importante da região com uma massa associativa presente e significativa, mas não muito competitivo. Parecia praticamente uma utopia pensar que estes dois rivais, tão distantes na história, no prestígio, nos títulos, podiam disputar uma liderança, muito menos um campeonato. 

      Pois bem, por isso mesmo, por todo esse lastro, pela capacidade de conseguir apresentar um bom rendimento mesmo nas alturas mais complicadas, onde os rivais apresentavam um diferencial de qualidade, poucos podiam esperar o desfecho daquela tarde cinzenta em Old Trafford. O início de uma era para o lado azul de Manchester, um 1x6 que ficou como a derrota mais humilhante da carreira de Sir Alex Ferguson

      Teatro dos Citizens

      O dinheiro não compra sucesso, competência, espírito de campeão, mas dá uma valente ajuda...pelo menos. Os plantéis que o Manchester City construiu nos primeiros anos da segunda década do século começavam a ser dignos de um candidato ao título e o ataque ao mercado em 2011 quase que obrigava Mancini a lutar por grandes objetivos. Aguero, Nasri, Savic, Clichy juntavam-se a Silva, Balotelli, Tévez, Dzeko. Impressionante!

      Organizado num 4x4x2 clássico, este City era uma equipa que valia pelo equilíbrio dos seus médios, pela criatividade de elementos dos (falsos) alas, que ganhavam outro protagonismo nos movimentos de fora para dentro, e da qualidade de definição dos seus avançados. Uma fórmula aparentemente simples, provavelmente previsível, mas extremamente difícil de controlar, especialmente se as diferentes peças se apresentassem inspiradas. Para mal de Ferguson, poucos adversários em Old Trafford mostraram tanta confiança e talento como naquele histórico 23 de outubro de 2011. 

      Aguero foi um dos que molhou a sopa ©Getty /

      Apesar de estar perante um claro candidato ao título, o Manchester United não estava também nada mal no momento do dérbi. O segundo lugar abria boas perspetivas, depois de um ano anterior com demasiadas escorregadelas na primeira fase da época, a qualidade de jogo continuava a ser alta e jogadores como Ashley Young, Nani, Anderson mostravam-se soluções interessantes, capazes de, por exemplo, ajudar a vergar o Arsenal a uns humilhantes 8x2 umas semanas antes. 

      A melhor coisa que se pode dizer sobre a exibição do City é que poucas vezes a superioridade e o triunfo estiveram em causa. Com um David Silva absolutamente instrumental, no passe, na gestão do jogo, na criatividade, com um Milner bem mais ofensivo do que se vê por estes dias de 2020, e com um Balotelli em modo rebelde, os homens de Mancini deixaram o grande rival quase sempre desconfortável, nervoso, desconfiado de si próprio, e logo no Teatro dos Sonhos. 

      O golaço de Fletcher, marcado a menos de dez minutos do final, parecia ser um final perfeito para o United, que já tinha sofrido três golos e que já tinha visto Evans abandonar a partida devido a expulsão. Uma eventual derrota caseira por 1x3, mesmo depois de tantos anos de superioridade, podia ser digerível para o futuro e podia permitir que o ataque ao bicampeonato continuasse completamente em cima da mesa. 

      O City, contudo, estava para outras aventuras. Em vez de apostar no conservadorismo, de segurar uma vantagem que lhe garantia o principal objetivo, a equipa de Mancini foi para cima do rival de uma vida e marcou mais três golos nos últimos minutos, aproveitando toda a desorientação que passou das bancadas para o relvado. Impensável!

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      jogos históricos
      U Domingo, 23 Outubro 2011 - 13:30
      Old Trafford
      Mark Clattenburg
      1-6
      Darren Fletcher 81'
      Mario Balotelli 22' 60'
      Sergio Agüero 69'
      Edin Džeko 89' 90'
      David Silva 90'
      Estádio
      Old Trafford
      Old Trafford
      Inglaterra
      Manchester
      Lotação75643
      Medidas105x68m
      Inauguração1910