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      Pavel Nedved: A Fúria Checa

      Texto por Vasco Sousa
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      Conhecido pelo seu cabelo longo e loiro, Pavel Nedved marcou o futebol na final da década de 90, mas principalmente o início do Século XXI. Figura histórica da Lazio e da Juventus, é um dos maiores nomes de sempre do futebol checo.

      Nascido em 1972, numa zona perto da fronteira com a Alemanha, na antiga Checoslováquia, começou a jogar no clube da sua terra, mas dividiu a formação por três clubes (Skalná, RH Cheb e Skoda Plzen). Chegado a sénior, foi emprestado pelo clube de Plzen ao Dukla Praga, clube do exército, para cumprir o serviço militar. Estreou-se como sénior aos 19 anos, pelo clube da capital checa (então Checoslováquia). Por Praga continuou, quando foi contratado pelo Sparta, pelo qual se sagrou campeão, primeiro da Checoslováquia, depois da República Checa, isto porque em 1993 a Checoslováquia dividiu-se em dois países: a Rep. Checa e a Eslováquia.

      O reconhecimento internacional

      1996 foi um ano marcante para o futebol checo. A seleção checa qualificou-se para o Euro 96, logo na sua participação, mas não havia grandes expectativas quando à sua prestação na fase final. No elenco da seleção checa estavam vários jovens ainda a jogar no país, no Sparta e no Slavia, que, nessa temporada, de forma surpreendente, atingiu as meias-finais da Taça UEFA.

      Após uma derrota frente à Alemanha, a Rep. Checa conseguiu uma fantástica vitória sobre a Itália, com o jovem Nedved a apontar um dos golos dos checos. A seleção realizou um percurso fantástico, chegando à final da prova, com vários jogadores a darem nas vistas. Nedved esteve quase no PSV, mas acabou por assinar pela Lazio.

      Vencedor na Lazio

      ©Getty / Matthew Ashton - EMPICS
      Em Roma, Nedved fez história, tornando-se num dos ídolos dos adeptos laziale e ficando na galeria de notáveis do clube. Nas cinco temporadas que passou na Lazio, conquistou a dobradinha em 2000, ajudando a equipa a terminar com um jejum de 26 anos sem conquistar a Serie A, numa época que iniciou com a conquista da Supertaça Europeia frente ao Manchester United, depois de os romanos terem conquistado a última edição da Taça das Taças, com Nedved a marcar o golo da vitória. Estes foram os primeiros e, até hoje, únicos títulos internacionais da Lazio, com a forte contribuição do internacional checo.

      Estrela na Juventus

      Depois de anos com fortes investimentos (que resultaram em títulos), a Lazio passou por uma fase de menor fulgor financeiro, que a obrigou a vender alguns dos seus craques. Assim, Nedved foi contratado pela Juventus, órfã de Zidane, transferido para o Real Madrid.

      ©Getty / Sandra Behne
      Se em Roma Nedved ficou na história do clube, na equipa de Turim tornou-se num símbolo do clube durante vários anos. Logo na sua primeira época na Vecchia Signora, conquistou o Scudetto, que voltaria a ganhar na época passada. 2002/03 foi, de resto, uma temporada marcante para Nedved: as suas exibições foram fulgurantes e muito elogiadas, principalmente na Champions, competição em que a Juventus atingiu a final. No percurso para o jogo decisivo, marcou frente a Barcelona e Real Madrid, mas um amarelo recebido frente aos merengues na meia-final retirou-o da final – que a Veccia Signora perderia para o Milan.

      As suas exibições não passaram, ainda assim, despercebidas e acabou por vencer o Ballon D’Or, o prémio da France Football para o melhor jogador do mundo, tornando-se apenas no segundo jogador checo/checoslovaco a ganhar o prémio, depois de Masopust, em 1962.

      ©Getty / PIERRE-PHILIPPE MARCOU
      Depois de uma época 2003/04 dececionante, sem títulos, Nedved e a Juventus venceram o Scudetto em 2005 (época em que o checo sofreu vários lesões) e em 2006, mas perdeu-os na secretaria, devido ao caso Calciopoli, um processo de corrupção que levou à despromoção do clube. Algumas figuras abandonaram o clube (Thuram, Zambrotta, Cannavaro, Ibrahimovic…), outras ficaram (Buffon, Del Piero, Trezeguet…). Nedved também ficou, ganhando ainda mais a admiração dos adeptos. A Juve venceu a Serie B, regressando ao primeiro escalão do futebol italiano. Nedved jogou mais duas épocas na Serie A, anunciando o final da carreira em 2009, com 36 anos. De forma surpreendente, ainda voltou a jogar, em 2017, no clube local, no sétimo escalão do futebol checo. Mas é a sua faceta de dirigente da Juventus que continua a ser notado: é raro o jogo da Juventus em que não apareça a imagem de Nedved na bancada, a vibrar com os triunfos dos juventinos.

      A seleção

      Depois da participação de excelência no Euro 96, a Rep. Checa falhou a presença no Mundial 98 e não passou a fase de grupos no Euro 2000. No apuramento para o Mundial 2002, novo desaire checo, no play-off, frente à Bélgica. Os checos começavam a duvidar da sua talentosa geração, mas o Euro 2004 foi a prova de que tinham uma seleção de topo. A Rep. Checa foi, provavelmente, a equipa que melhor futebol praticou ao longo da prova, destacando-se os triunfos frente à Holanda e à Alemanha na fase de grupos. Nedved era um dos grandes destaques da prova mas, nas meias-finais, frente à Grécia, lesionou-se ainda na primeira parte e teve que ser substituído. Os checos acabaram por perder no prolongamento, e ficou sempre a dúvida do que aconteceria se Pavel tivesse jogado todo o encontro… Nedved foi eleito para a Equipa do Europeu mas decidiu abandonar a seleção. Contudo, Karel Bruckner, o selecionador checo, convenceu-o a continuar, acenando com a inédita presença no Mundial – e assim foi!

      Em 2006, a Rep. Checa qualificou-se pela primeira vez como país independente para um Campeonato do Mundo. Nedved era a estrela principal de uma equipa muito forte, recheada de craques e apontada como potencial surpresa da prova. Contudo, após uma vitória categórica frente aos Estados Unidos, a Rep. Checa sofreu derrotas diante do Gana e da Itália e despediu-se sem honra nem glória do torneio.

      Foi a única presença de Nedved na maior prova de futebol e, em agosto, com 34 anos, abandonou a seleção, recebendo uma forte ovação dos adeptos checos.

      Rápido, com faro de golo, que utilizava de forma regular os dois pés, e dono de uma personalidade forte, que fazia dele um líder, Nedved foi um dos melhores jogadores do Mundo da sua geração e, seguramente, um dos melhores estrangeiros de sempre da Serie A.

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      Pavel Nedved (CZE)
      Pavel Nedved (CZE)
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      motivo:
      Pablo Nedved
      2020-03-19 21h15m por mafraFCP
      Um dos meus jogadores favoritos de todos os tempos, era um regalo ve-lo jogar e tinha uma meia distância que era um terror, grande Juve daquela época, nada comparada com a Juve de agora. A Juve de Pogba-Pirlo-Vidal-Manchisio foi a que mais se aproximou, mas depois da chegada de CR7, a grande equipa desapareceu e o marketing prevaleceu com a equipa a jogar para o craque português.