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      Wesley Sneijder: O Sniper Holandês

      Texto por Ricardo Gonçalves
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      Na era de Cristiano Ronaldo e Leo Messi, poucos foram os jogadores que se intrometeram na luta pelo prémio de melhor jogador do mundo. Houve Frank Ribéry, em 2013, Griezmann, em 2016, que estiveram perto, mas nenhum outro jogador para além do astro português e a pulga atómica argentina viveu uma época tão extraordinária como a de Wesley Sneijder em 2009/10.

      Na família Sneijder nascia-se já com a bola nos pés. O avô fôra jogador de futebol, o pai também, pouca surpresa houve quando os três irmãos Jeffrey, Wesley e Rodney mostraram talento para o futebol. Por esse motivo, a família era conhecida como os grandfootballers (grandes futebolistas). Apesar das raízes no desporto, nunca ninguém pensou que Wesley cresceria para se tornar no futebolista mais vezes internacional da história do país.

      Dos três irmãos, apenas Wesley deu o passo para um patamar mais elevado no futebol. Desde cedo deu a entender que poderia ser um caso sério, e foi por isso que, com apenas sete anos, o Ajax foi buscá-lo a Utrecht, a sua cidade natal, e o levou a fazer alguns testes. Acabaria por ficar em Amesterdão durante dez anos, antes de se estrear pela equipa principal.

      Ajax, o pontapé de saída

      A época de 2002/03 foi o pontapé de saída na carreira de um jovem Wesley Sneijder. O então técnico da equipa principal Ronald Koeman estava a sentir a frustração de trabalhar com um plantel fustigado por lesões, e resolveu falar com Danny Blind, na altura treinador dos juniores do Ajax, que prontamente recomendou um jovem: Wesley Sneijder, com 18 anos.

      ©Getty /
      Com poucas alternativas, Koeman deu luz verde ao miúdo. A estreia, em fevereiro de 2003, deu logo para 90 minutos no meio-campo do Ajax numa vitória, por 0x6, frente ao sexto classificado Willem II, num jogo em que um jovem Zlatan Ibrahimovic brilhou com um bis. Sneijder já não iria a lado nenhum, manteve a titularidade e  jogou 24 partidas nessa época, marcando em cinco ocasiões. Ainda se estreou pela seleção principal da Holanda, num encontro amigável frente a Portugal (1x1).

      A temporada seguinte seria muito importante para o jovem. Sneijder destacou-se como uma das figuras de um Ajax que se sagrou campeão, ao estar envolvido em 20 golos nos 30 jogos que disputou na Eredivisie. Os seus remates de meia distância, fossem de livre ou simplesmente quando encontrava espaço, valeram-lhe a alcunha de 'Sniper', pela semelhança com o seu apelido.

      Salto galático

      Sneijder manteve-se consistente durante os cinco anos que esteve no Ajax, mas foi na época de 2006/07 que, aos 22 anos, se destacou realmente. Nesse ano, revelou-se como um dos construtores de jogo com maior potencial do mundo. A criatividade e visão de jogo, aliados à capacidade de passe com ambos os pés, garantiu o controlo do meio-campo por parte do Ajax, e foi esse o ano em que o Sniper teve a pontaria mais afinada de toda a sua carreira: 22 golos, o suficiente para dar o salto.

      ©Getty / Denis Doyle
      Em 2007, assinou pelo Real Madrid a troco de 27 milhões de euros, num verão em que os merengues também adquiriram o passe de outros holandeses, como Royston Drenthe e Arjen Robben. Sneijder herdou a camisola 23, anteriormente de David Beckham, mas não teve medo de seguir os passos do inglês. A estreia na La Liga foi de sonho, com o golo da vitória no dérbi frente ao Atlético. À terceira jornada, já levava quatro golos, dois deles de livre direto, tal foi a inspiração em Beckham.

      Nessa época o Real Madrid foi campeão com 85 pontos, mas no ano seguinte a proeza não foi repetida. Sneijder perdeu o início da temporada com uma lesão no joelho e, quando voltou, não jogou ao nível que mostrara antes no Santiago Bernabéu, ficando-se por apenas dois golos na temporada. O verão que se seguiu foi uma verdadeira novela... O Real Madrid queria vender Sneijder para abrir espaço a novos reforços, mas a vontade do holandês era diferente, queria ficar e lutar pelo lugar na equipa, oportunidade que não lhe foi dada.

      A épica temporada 2009/10

      «Existe uma atmosfera de família no Inter, e esses são todos os ingredientes para sonhar alto.»

      ©Getty / Claudio Villa
      Não é segredo para ninguém que Wesley Sneijder queria ficar em Madrid, mas, em retrospetiva, o próprio admitiria que deixar a capital espanhola não poderia ter corrido melhor. Em Milão, encontrou todos os ingredientes e só precisou de um ano para mostrar ao mundo o que conseguia confecionar.

      Em Itália, encontrou a camisola 10 nerazzurri e, sob o comando de José Mourinho, tornou-se rapidamente o cérebro e estrela de uma equipa que conquistou a Serie A e a Champions League, para além da Copa de Itália, completando a Tríplice Coroa, um feito que nenhuma outra equipa italiana fizera.

      O Inter venceu todas as competições em que participou nesse ano e é impossível não reconhecer o envolvimento do holandês nessas conquistas. Com oito golos e quinze assistências na temporada, Sneijder levou os nerazzurri à glória com grandes exibições no meio-campo milanês, especialmente na Champions, onde esteve nos golos em todas as rondas. Na final, frente ao Bayern München (2x0) foi o homem do jogo para os adeptos, apesar do bis de Diego Milito.

      Num ano que tinha sido perfeito até aí, Sneijder levou as suas exibições de classe mundial para a África do Sul, onde carregou a Laranja Mecânica até à final da Campeonato do Mundo de 2010. O médio ofensivo foi o melhor marcador da competição, com cinco golos que surgiram quase sempre em momentos decisivos. Golo da vitória nos oitavos de final; bis frente ao Brasil nos 'quartos'; mais um golo na semi-final contra o Uruguai... Só que, na final, frente à poderosa Espanha, o sonho de campeão do mundo caiu, com o único golo da partida a surgir no prolongamento.

      Após o Mundial, Sneijder foi eleito segundo melhor jogador do torneio, atrás do uruguaio Diego Forlán. Houve a teoria que, caso Andrés Iniesta não tivesse feito o golo decisivo naquela noite em Joanesburgo, então Wesley Sneijder teria quebrado a série de Messi e Ronaldo nos prémios de melhor do mundo, mas isso é algo que ficará para sempre na especulação dos adeptos.

      Um holandês em Istanbul

      O final da carreira em Milão foi algo atípico. Começou bem a temporada de 2012/13, mas uma lesão na coxa travou a sua forma e, quando recuperou, foi afastado pelo técnico Andrea Stramaccioni. Chegou a janela de transferências em janeiro e com ela veio a especulação: Manchester United, Chelsea e Liverpool pareciam ser os mais prováveis destinos, mas no vigésimo dia de 2013 o holandês de 28 anos surpreendeu o mundo quando escolheu os turcos do Galatasaray.

      «Porquê o Galatasaray e não o Liverpool? Porque sou um vencedor - jogo para ganhar troféus - então fui para um clube como o Galatasaray, onde seria mais vezes campeão. Penso que fiz a escolha certa.»

      ©Carlos Alberto Costa
      A mudança de Sneijder foi inesperada, mas permitiu-lhe jogar a Champions League ainda nessa temporada, porque o Galatasaray tinha passado a fase de grupos. Nos oitavos de final, ultrapassaram o Schalke 04, mas na ronda seguinte viria o grande desafio: Real Madrid. Ninguém esperava uma passagem à fase seguinte, que não aconteceu especialmente depois de uma goleada na primeira-mão, apesar de, no segundo jogo, Sneijder se ter mostrado aos adeptos de Istambul com um grande golo e uma assistência numa vitória por 3x2, frente à sua antiga equipa.

      Os relvados da Turquia foram um espaço em que, durante quatro anos e meio, Sneijder nunca deixou de mostrar talento. Com qualquer pé, no meio ou a partir da ala, o holandês manteve-se a referência ofensiva do Galatasaray durante toda a passagem pelo clube, que terminou com uma ida para o sul de França, onde vestiu durante seis meses a camisola do Nice, antes de rumar ao Qatar, onde mais tarde penduraria as botas aos 35 anos de idade.

      ©Getty / Claudio Villa
      Para a história ficam os pés do Sniper, um médio que fazia a sua equipa brilhar, e os guarda-redes adversários tremer quando se preparava para bater um livre direto. Reformou-se enquanto recordista de internacionalizações pela icónica seleção da Holanda, com 134 jogos, bem como o 10º melhor marcador da mesma, atrás de alguns dos grandes avançados da história do futebol.

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      Wesley Sneijder (NED)
      Wesley Sneijder (NED)
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