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      Stamford Bridge: a Ponte

      Texto por João Pedro Silveira
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      Os estudiosos da matéria defendem que Stamford Bridge deriva de «Samfordesbrigge», que significava algo como a «ponte do ribeiro arenoso», não tendo nada a ver com a homónima batalha de Stamford Bridge que teve lugar na localidade com o mesmo nome em Yorkshire, em 1066 e marcou o fim da era viking na Grã-Bretanha.

      Stanford Creek era o nome do pequeno ribeiro, um afluente do Tamisa, que corria aproximadamente na mesma rota que a atual linha de comboio que se encontra por de trás da bancada este. Sobre o ribeiro exisitam duas pontes, a Stanley Bridge e a Stamford Bridge, e é a última que dá nome ao local e ao estádio, localizado em Fulham, no coração da capital inglesa.
       
      O cão que salvou Stamford Bridge
       
      Em 1877 abria o Stamford Bridge Athletics Ground, casa de um clube de atletismo, o London Athletic Club, e seria usado quase exclusivamente em atividades atléticas até 1904, data em que os irmãos Gus e Joseph Mears compraram o terreno, com o objetivo de o transformar num estádio de futebol profissional. A centralidade do bairro atraiu a dupla que lançou uma operação de charme junto de Henry Norris, o presidente do Fulham FC, para convencer os cottagers a trocarem Craven Cottage por Stamford Bridge. 
       
      O dirigente do Fulham não se deixou convencer e os irmãos Mears ficaram com um estádio vazio sem clube e um terreno enorme no centro de Londres. Surgiu então a possibilidade da Great Western Railway Company adquirir o terreno para construir uma nova estação com ramal para servir aquela zona da cidade, e um depósito de carvão que serviria a nova linha que ligaria Londres em direcção a oeste.
       
      Entrou então em cena, Fred Parker, um colega de Mears, que há muito o tentava dissuadir de vender o terreno à Great Western Railway Company, argumentando que seria possível criar um clube de raiz para tornar o recinto rentável. Mears, intransigente recusava qualquer argumento, até que um banal incidente mudou a história, como Parker recordou um dia mais tarde:
       
      ©Getty / A. Hudson
      «Triste, sabendo que o estádio deixaria de existir, eu caminhava lentamente a seu lado (Mears), quando vindo de trás, inesperadamente surgiu o seu cão, que me mordeu com tanta força através das minhas meias de ciclismo, que o sangue escorreu abundantemente. Zangado, virei-me para ele (Mears) e disse "O raio do seu cão mordeu-me, olhe!", mostrando-lhe o sangue. Em vez de mostrar algum tipo de preocupação, ele limitou-se a comentar, "Os scotch terrier, mordem sempre antes de falar."
       
      O absurdo da declaração foi de tal maneira , que apesar de estar ao «pé coxinho» com o sangue a cair-merpela perna, não contive uma  gargalhada, tal a graça do que acabara de ouvir. Acrescentando que ele era por certo o sacana mais frio que jamais conhecera. Um minuto mais tarde, Mears surpreendeu-me com uma palmada no ombro, acrescentando, "Tu aguentaste aquela mordidela como poucos, a maioria dos homens não se calava com lamúrias depois de ser mordido. Olha, vamos fazer o que tu querias. Estou contigo, vamos esquecer a proposta dos outros. Vai à farmácia e trata-me essa mordida, que amanhã quero-te aqui às nove da noite para meter as mãos à obra.»
       
      Num instante, por capricho, Mears mudou a sua opinião e decidiu aceitar a ideia de Parker para se fundar um clube para ocupar Stamford Bridge. Esse momento teve lugar no vizinho The Rising Sun, um pub onde habitualmente se reuniam os fundadores do clube. A 10 de março de 1905, depois de terem ponderado nomes como Kensington FC, Stamford Bridge FC e London FC, acabaram por escolher Chelsea FC, em honra do bairro limítrofe. Assim os blues tornavam-se posh por proximidade, representavam Chelsea, mas ficavam radicados em Fulham.
       
      O sonho de Mears
       
      O sonho de Mears era ter um clube de topo que disputava a liga profissional a jogar no seu estádio. Atrair jogos de exibição e da seleção inglesa também fazia parte do plano. Archibald Leitch, o arquiteto escocês que desenhara em Glasgow o estádio nacional, Hampden Park, e os estádios de Ibrox e Celtic Park, desenhara também a casa do Fulham, Craven Cottage, foi convidado por Mears para construir o estádio.
       
      Quando abriu a lotação era de 100,000 espetadores, tornando-se no segundo maior estádio de Inglaterra, atrás do Crystal Palace, que ao contrário do que o nome indica, não tem nada a ver com o clube londrino com o mesmo nome.

      ©Getty / Krause, Johansen
      Até à Segunda Guerra Mundial, data em que foi bombardeada, o estádio era servido por uma estação ferroviária, a ##Chelsea and Fulham Railway Station. 
       
      O campo estava "cercado" por uma enorme pista de atletismo, que nos topos deixava as bancadas particularmente afastadas do relvado. No lado este havia uma bancada única com cinco mil lugares, enquanto os outros três lados do recinto eram bem maiores, construidos com o material que fora removido durante a construção da linha de metro de Piccadilly.
       
      Um estádio de referência
       
      À dimensão do estádio não correspondia o sucesso do clube e durante anos os principais eventos que decorriam em Stamford Bridge não incluiram o Chelsea.
       
      As competições do futebol inglês tinham sido interrompidas durante a Primeira Guerra Mundial. A FA Cup (Taça de Inglaterra) regressaria só em 1919/20, com a primeira final entre o Aston Villa e o Huddersfield Town (1x0) a ter lugar precisamente em Stamford Bridge.
       
      Nas duas épocas seguintes, a casa do Chelsea recebeu mais duas finais da Taça de Inglaterra. A vitória do Tottenham sobre o Wolverhampton e a vitória do Huddersfield sobre o Preston North End. 
       
      O primeiro jogo da seleção inglesa teve lugar em Stamford Bridge em 1913, com uma vitória inglesa sobre a vizinha Escócia (1x0). Seguiu-se novo jogo em 1929, uma goleada (6x0) sobre o País de Gales. Mas para a história do futebol internacional ficou o encontro com a Wunderteam austríaca de Hugo Meisl e Matthias Sindelar, que os ingleses venceram por 4x3. 
       
      Outro jogo memorável na história do futebol seria o encontro entre o Chelsea e o Dynamo de Moscovo, aquando da visita dos soviéticos ao Reino Unido depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1945).
       
      Dez anos mais tarde Stamford Bridge presenciaria a primeira campanha vitoriosa do clube na Liga Inglesa. Um feito que só voltaria a ser repetido no novo milénio, já sob a batuta de José Mourinho.
       
      Outras utilizações
       
      ©Getty / Getty Images
      Além dos jogos de futebol do Chelsea e da seleção, meias finais e finais da Taça de Inglaterra, Stamford Bridge foi palco de outros eventos desportivos.
       
      Logo em 1905 recebeu um jogo da tour inglesa dos All Blacks. Além do râguebi, o estádio recebeu uma partida de demonstração de beisebol entre os New York Giants e os Chicago White Sox em 1914.
       
      Corridas de Speedway decorreram na pista de terra entre 1929 e 1932, enquanto corridas de galgo decorreram entre 1937 e 1968.
       
      Corridas de automóvel, partidas de críquete e até futebol americano, com Stamford Bridge a ser a casa dos London Monarchs durante o ano de 1997. 
       
      Mudanças
       
      Ao declínio desportivo do clube depois do título de 1955 seguiu-se o declínio financeiro. O estádio tornou-se numa enorme fonte de preocupações e despesas.
       
      O custo da construção da nova bancada este, um velho projeto, acabou por deixar o clube em grandes problemas financeiros e parte do terreno seria vendida já nos anos 70.
       
      © Ben Sutherland/Flickr
      Seria Ken Bates, que comprou o clube no começo dos ano 80 que acabaria por voltar a comprar os terrenos que tinham sido vendidos. Para acabar com as invasões dos hooligans, ordenou a construção de uma vedação elétrica que nunca foi utilizada.
       
      Após a Tragédia de Hillsborough provocou grandes mudanças nas medidas de segurança dos estádios ingleses. Todos os estádios tinham de eliminar vedações e só ter lugares sentados. Stamford Bridge seria remodelado para ficar com uma lotação de 34 mil lugares sentados.
       
      Durante os anos 90 as obras acabaram o que restava da já inútil pista de atletismo e Stamford Bridge tornou-se no estádio que os adeptos hoje conhecem. 
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      Equipa
      Estádio
      Stamford Bridge
      Lotação41798
      Medidas103x67m
      Inauguração0