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      Liga Portuguesa 1990/91
      Grandes jogos

      Boavista x Sporting: o Borrego do Bessa

      Texto por João Pedro Silveira
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      15 de Setembro de 1990. Eufórico, o então presidente do Sporting José Sousa Cintra desce aos balneários do Estádio do Bessa. Todo ele sorridente e de charuto na mão vai dando "cachaços" em todos os conhecidos que encontra, soltando a sua tão característica gargalhada. O Sporting acabara de vencer o Boavista por três bolas a zero, pondo fim a um jejum com mais de três décadas. Era a noite de glória do presidente leonino.
       
      O empresário algarvio é uma das mais carismáticas figuras do futebol português na década de 90. Ninguém ficava indiferente à sua presença. As suas tiradas tornaram-se anedotas que décadas depois ainda são repetidas de memória por adeptos de futebol. Cinco dias antes, o Sporting vencera o Benfica na final da Taça de Honra de Lisboa e Cintra não escondia o entusiasmo: «Na jornada seguinte vamos ao Bessa matar o borrego»...
       
      O inexpugnável reduto do Bessa
       
      Em 1990, o Estádio do Bessa estava para os sportinguistas como a irredutível aldeia gaulesa de Astérix estava para os romanos. O Sporting não vencia no Bessa desde 1959, ficando 31 anos sem saber o que era vencer no reduto axadrezado ao cabo de 23 jogos. 

      Um adepto sportinguista não precisava de recuar muito tempo para encontrar uma vitória leonina na Luz ou nas Antas, mas se o tema fosse a visita ao covil da pantera, o leão ficava certamente embaraçado. Pior... Nos últimos dez anos, o Sporting apenas marcara quatro golos nos confrontos com os portuenses e no Bessa não marcava desde 5 de outubro de 1986.
       
      Sousa Cintra, presidente dos leões há pouco mais de um ano, prometia um Sporting de regresso aos títulos. E entre as suas promessas encontrava-se o desejo de matar finalmente o velho borrego do Bessa.
       
      Entrada de leão
       
      O Sporting entrara no Campeonato em grande forma. Marinho Peres criara um onze que assentava na segurança de Venâncio, Leal e Luisinho, num meio-campo com Douglas, Carlos Xavier e Oceano e na frente a técnica de Careca e o faro de golo de Fernando Gomes.
       
      A 19 de agosto, os leões tinham batido o Vitória Guimarães por 3x0 em casa. Seguiu-se uma goleada em Penafiel (2x5). Na terceira jornada, o Salgueiros caíra com estrondo em Alvalade (5x1). Sousa Cintra estava eufórico, Marinho Peres tinha transformado o leão. Uma vitória no Bessa deixava o Sporting bem lançado, portanto.
       
      A confiança leonina sentia-se. Oceano limpava o meio-campo, Douglas orquestrava a manobra ofensiva. Na frente, Litos serviu a cabeça de Careca para o primeiro golo aos 13 minutos. 
       
      O Boavista reagiu e a bola rondava com perigo a baliza de Ivkovic até que, aos 39', Douglas apontou um livre da direita que Cadete desviou com mestria para o fundo das redes de Alfredo.
       
      Durante o segundo tempo, o Boavista era mais mandão e o Sporting reagia em contra-ataque. O jogo aquecia e José Pratas tinha dificuldade em segurar o jogo. Litos testava Alfredo, acertando nos ferros em duas ocasiões.
       
      No tempo em que as equipas não subiam ao relvado ao mesmo tempo, os leões, como era costume por serem visitantes, subiram primeiro, comandados por Carlos Xavier e aplaudidos por uma considerável falange de apoio.
       
      Aos 89 minutos, Gomes abre as pernas para deixar passar uma bola de Litos e Filipe faz o terceiro golo da noite, fechando uma bela jogada de futebol. 
       
      «Vamos matar o borrego», referiu o presidente do clube de Alvalade. Dito e feito. Depois de 30 anos de jejum, os leões, com Marinho Peres no comando da equipa, venceram por um concludente 3x0 no Bessa com golos de Careca, Cadete e Filipe. A áurea de Marinho Peres, que chegou a Alvalade depois de triunfar em Guimarães e ao serviço do Belenenses, parecia ter contagiado o clube leonino.
       
      Abraçado a Marinho Peres, Sousa Cintra falou com os jornalistas: «Ninguém quis acreditar que o Sporting era capaz de matar um 'borrego' de 30 anos e afinal o que fez falta foi não termos trazido um animal mesmo a sério».
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      jogos históricos
      U Sábado, 15 Setembro 1990 - 21:30
      Estádio do Bessa Séc. XXI
      José Pratas
      0-3
      Careca 13'
      Jorge Cadete 39'
      Filipe Ramos 89'
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      Estádio
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      Lotação28263
      Medidas105x68
      Inauguração1910