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      Taça de Portugal 1989/90
      Grandes jogos

      Estrela Amadora x Farense: David contra Davidzinho

      Texto por João Pedro Silveira
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      A «Prova Rainha», «A Festa do Povo» ou «A Grande Festa do Futebol Português». Estes são alguns dos nomes pelos quais é conhecida a mais acarinhada das competições nacionais, a Taça de Portugal, prova que tem um encanto especial e um lugar marcado no coração do comum adepto do futebol lusitano.

      Tirando as habituais queixas do FC Porto relativamente ao palco da final, a verdade é que o sonho de chegar ao Jamor é o que acompanha as centenas de equipas que já participaram na prova. Todos sonham pisar aquele relvado e estar presentes na grande festa do futebol nacional.

      Ao "agigantamento" dos mais pequenos que às vezes eliminam os favoritos, o adepto português responde com uma lapidar e ancestral justificação: «É Taça!».

      ©Autor desconhecido
      Contudo, e apesar das inúmeras surpresas provocadas pelos tomba gigantes, a verdade é que durante o século XX só em seis finais nenhum dos três grandes marcou presença.

      Dois convidados surpresa

      Dada a dimensão das duas equipas, talvez só a final de 1999, entre Beira-Mar e Campomaiorense, rivalize com a final entre o Estrela da Amadora e o Farense jogada em 1990.

      Excluindo desta análise - por motivos óbvios - a primeira edição da prova, a verdade é que a final de 1990 foi a primeira ser disputada por dois clubes que não só nunca tinham vencido a prova como nunca tinham chegado à final.

      Clubes "sem história" no que toca à Prova Rainha e com pequenos pergaminhos também no Campeonato Nacional, Estrela da Amadora e Farense sabiam que era a sua primeira - e talvez única - oportunidade de vencer um grande troféu.

      Empurrar o favoritismo com a barriga

      O Estrela tinha o ónus do favoritismo porque os algarvios tinham acabado de disputar - e vencer - a Segunda Divisão Nacional (Série Sul) e garantir o regresso ao Campeonato Nacional. Os amadorenses não conviviam bem com o favoritismo e recusavam o estatuto de claro favorito só porque jogavam no primeiro escalão, enquanto os leões de Faro pareciam bem confortáveis no seu papel de "David".

      Sem "Golias" assumido, os mind games da época tentavam destacar a extraordinária caminhada de ambas equipas até à grande final. Tanto João Alves como o espanhol Paco Fortes, respetivamente treinadores do Estrela e Farense, trocaram elogios e concentraram-se em preparar as equipas.

      A final

      A grande duvida antes do jogo era se Estrela e Farense conseguiam trazer adeptos suficientes para encher o Estádio Nacional. No dia 27 de maio chegou a resposta, com amadorenses e farenses a lotarem o Jamor, criando uma atmosfera que não pedia meças a uma final entre dois grandes.

      ©Autor desconhecido
      O Estrela puxou dos galões e tomou conta do jogo desde o primeiro minuto. A primeira parte foi só de um sentido, mas nenhum jogador do Estrela conseguiu bater Lemajic. 

      O segundo tempo mostrou um Farense mais atrevido, desinibido, perdendo o respeito e o medo ao adversário. O jogo chegou ao prolongamento com nenhuma das equipas a poder dizer que conseguira ser superior à outra.

      No tempo extra, o Estrela voltou a pegar no jogo e entrou melhor, abrindo o marcador por intermédio de Nélson Borges logo aos três minutos. João Alves pedia "cabeça" aos seus jogadores, mas o Estrela sentia que podia "matar" o jogo e tentou chegar ao segundo golo.

      Tudo parecia encaminhado para a vitória da equipa da Amadora quando, a três minutos do fim, Fernando Cruz aproveitou uma confusão para empatar o jogo num golo de ressalto. O Farense empatava e quase vencia pouco depois, com Eugénio a rematar de fora de área para uma grande defesa de Melo que segurou o empate e obrigou à finalíssima. 

      O segundo jogo

      A 3 de junho, as duas equipas encontraram-se numa final com pouca história. Com as bancadas "a meia casa", os algarvios acusaram o cansaço da final e nunca foram um adversário à altura do Estrela.

      ©Autor desconhecido
      A equipa de João Alves dominou o jogo a seu bel-prazer, adiantando-se ainda na primeira parte com um golo de Paulo Bento. 

      No segundo tempo, Ricardo Lopes selou o destino da final, fazendo o segundo golo dos amadorenses. O 13º classificado do Campeonato Nacional da I Divisão conquistava o seu primeiro título nacional e garantia o acesso à Taça dos Vencedores das Taças.

      O capitão, o brasileiro Duílio, subiu à tribuna de honra onde recebeu das mãos do então Primeiro-Ministro Cavaco Silva a Taça de Portugal que seguiu posteriormente com a equipa para uma memorável festa na Reboleira. 

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      jogos históricos
      U Domingo, 03 Junho 1990 - 16:00
      Estádio Nacional do Jamor
      Fortunato Azevedo
      2-0
      Paulo Bento 30'
      Ricardo Lopes 63'
      Estádio
      Estádio Nacional do Jamor
      Lotação37593
      Medidas105x68
      Inauguração1944