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Henri Delaunay: o senhor Europa

Texto por João Pedro Silveira
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Não só dentro do campo, da pista ou do court, é que o desporto honra os maiores. Desde o século XIX que alguns dos grandes atletas, treinadores e dirigentes viram o seu nome associado a uma prova, uma competição ou um troféu. O francês Henri Delaunay é um desses privilegiados que tem o seu nome imortalizado no troféu que consagra o campeão europeu de seleções.

Juventude

Desde tenra idade que tomou conhecimento com o futebol, apaixonando-se pelo jogo que descobriu nas ruelas a pracetas de Paris. Seria na Cidade Luz que começou a jogar com amigos e vizinhos até um dia começar a jogar pelo Étoile des Deux Lacs. 

Nos tempos do pioneirismo do jogo, do mais profundo amadorismo, os jogadores faziam de treinadores, de apanha bolas, de árbitros, de roupeiros e de tudo mais que fosse necessário para a realização de um jogo. 

Delaunay começou a arbitrar e pouco depois trocou a bola pelo apito, abandonando a incipiente carreira de jogador. Seria no papel de juíz que viveria um dos momentos mais difíceis no mundo futebol, quando durante um jogo entre o Garenne-Doves e o Benevolence, um dos jogadores não foi assim tão benevolente com Delaunay e este acabou por engolir o apito e ficar com dois dentes partidos, depois de levar com uma bolada em cheio na cara. 

Carreira de dirigente

Em 1905 já era dirigente do seu Étoile des Deux Lacs, cargo onde ganhou a experiência e a visão necessária para abraçar o associativismo desportivo, tornando-se mais tarde no secretário-geral do Comité Français Interfédéral (CFI).

Em 1919, após um longo processo de fusões entre diversos órgãos associativos franceses, o CFI acabou por se tornar na Federação Francesa de Futebol (FFF), de que se tornou o seu primeiro secretário-geral, enquanto a presidência ficava nas mãos de Jules Rimet, que já liderara anteriormente a USFSA (outro antepassado da FFF) e que fundara a Liga Francesa em 1910 e que estivera ligado à fundação da FIFA em 1904, em Paris. 

Em 1921 em Jules, por inerência do cargo tornou-se membro da FIFA, onde fez parte da direção entre 1924 e 1928, ao lado do seu companheiro e amigo Jules Rimet, que assumira a presidência em 1921.

Os sonhos

Rimet tinha o sonho de organizar o Campeonato do Mundo e Delaunay apoiou a ideia desde a primeira hora. Em boa verdade, o seu sonho de não ficava só pelo Campeonato do Mundo, pois já durante a década de vinte tinha proposto aos seus pares a organização de uma competição entre clubes campeões da Europa.

Outro dos seus sonhos, a organização de um Campeonato da Europa de seleções, fora proposto em 1927, inspirado pelo sucesso tanto da Taça Mitropa como da Taça Internacional da Europa Central. Mas Rimet e os demais dirigentes queriam centrar-se na organização do primeiro mundial a FIFA que teve lugar em 1930 no Uruguai, mas que não conquistara o interesse das principais nações europeias. 

Durante a década de trinta o mundial estabeleceu-se como uma competição que tanto interessava a europeus como sul-americanos.

O sucesso da prova em Itália (1934) e França (1938) convenceu Delaunay que era chegado o tempo de preparar um torneio só para equipas europeias, mas a Segunda Guerra Mundial deixou esses planos em suspenso. 

O Euro

Terminada a guerra o futebol não era a primeira prioridade dos europeus. Até ao final da década os contactos internacionais eram raros, a organização dos Jogos Olímpicos em 1948 em Londres e em Helsínquia em 1952, assim como o Mundial em 1950 no Brasil relançaram o interesse dos europeus nas grandes competições.

No verão de 1954, a 15 de junho em Basileia, aquando da realização do Campeonato do Mundo na Suíça, os dirigentes federativos franceses, belgas e italianos acordaram a fundação da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), que em breve contaria já com 25 países membros.

Henri Delaunay seria o seu primeiro secretário-geral enquanto o dinamarquês Ebbe Schwartz, presidente da DBU (federação dinamarquesa) se tornou o primeiro presidente da instituição que escolheria Paris para a sua primeira sede. 

Um ano e meio após a fundação da UEFA, a 9 de novembro de 1955, falecia em Paris, Henri Delaunay, que seria sucedido no seu lugar na UEFA pelo seu filho Pierre, grande responsável pela organização do Campeonato da Europa das Nações, que teria a sua primeira edição em 1960, precisamente em França, a pátria que vira Delaunay nascer. 

A última homenagem que o futebol europeu reservou a Delaunay seria cunhar o troféu de campeão da Europa com o seu nome, imortalizando-o e ligando-o para sempre a uma competição que sonhara mas que não viveu o suficiente para conhecer. 

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