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      Uruguai 1930

      Uruguai 1930

      Texto por João Pedro Silveira
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      Um sonho francês

      O Primeiro jogo de futebol internacional entre selecções foi disputado em Glasgow entre a Escócia e a Inglaterra em 1872; doze anos depois disputou-se a primeira competição internacional: a Brittish Home Championship, que incluía além de ingleses e escoceses, as selecções da Irlanda e País de Gales.

      Nas décadas seguintes o jogo foi ganhando admiradores fora do Reino de Sua Majestade e nos jogos olímpicos de 1900 em Saint Louis e de 1904 em Paris, disputaram-se torneios de futebol como demonstração e com clubes e equipas não filiadas em competição.

      A 21 de Maio de 1904 em Paris era fundada a Fédération ##Internationale de Football Association (FIFA)que quatro anos mais tarde deu aval ao torneio olímpico de Londres (1908) que contudo foi organizado pela Federação inglesa, tal como em 1912 o torneio de Estocolmo seria organizado pela Federação Sueca com o assentimento da FIFA.

      Após a I Guerra Mundial (1914-18) a FIFA tomou por sua conta a organização dos torneios olímpicos de futebol: Antuérpia (1920), Paris (1924) e Amesterdão (1928), que foram as primeiras competições inter-continentais disputadas somente por selecções nacionais.

      Em Maio de 1928 em Amesterdão, Jules Rimet – o então Presidente da FIFA – decide incentivar a realização de um mundial e nesse mesmo congresso, todos os membros aprovaram a decisão e rapidamente surgiu o dilema de onde se devia realizar tal competição. A verdade é que entre europeus e sul-americanos, candidatos não faltavam, mas o escolhido acabaria por ser o Uruguai que se encontrava a comemorar o centenário da sua independência, além de ser o bicampeão Olímpico em título, e como tal era reconhecido unanimemente - Grã-Bretanha à parte - como a maior potência do futebol mundial.

      Com esta designação a FIFA pretendia assim homenagear a fantástica selecção uruguaia que se tornara conhecida como a Celeste Olímpica após as suas conquistas pelos seus aficionados.

      A caminho de Montevideu

      Treze países participaram na prova, tendo sido todos convidados para o torneio, pois este foi o único mundial que não teve fase de qualificação. Entre os ausentes, além da Inglaterra que se recusara a disputar competições com amadores, encontravam-se diversas seleções europeias que, ou não tinham reunido fundos para efetuar a viagem, ou que não estavam dispostos a deslocar-se à América do Sul, como a Alemanha, a Itália, ou a Espanha.

      Da Europa viajaram a França, a Roménia, a Bélgica e a Jugoslávia, enquanto os restantes países eram todos do continente americano.

      Os jugoslavos viajaram sozinhos no paquete Florida, enquanto no Conte Verde viajaram as restantes selecções europeias, além do próprio Jules Rimet - que levava na sua bagagem a “Vitória com Asas”, uma estatueta de 30 cm com 4 kilos de ouro maciço, desenhada pelo escultor francês Abel Lafleur que seria a Taça de campeão do Mundo até o Brasil conquista-la definitivamente em 1970 no México, aquando da conquista do tricampeonato.

      Nessa longa viagem de três semanas as equipas treinavam-se no convés do navio para manterem a forma, destacando-se entre elas a da Roménia, onde os treinos da equipa eram orientados pelo próprio Rei Carol.

      Uruguaios e argentinos

      Já na fase final coube a franceses e a mexicanos a honra de inaugurarem a competição com o primeiro jogo do grupo A, onde um nome ficou gravado na história: Lucien Laurent que ao disparar de fora da área e bate o guarda-redes mexicano Bonfiglio aos 19’ dessa partida tornou-se o primeiro jogador a marcar um golo num Mundial. Os franceses venceriam essa partida por 4-1, mas o grupo seria vencido pela Argentina, e só com vitórias.

      No Grupo B a Jugoslávia venceu a concorrência de Brasil e Bolívia, e qualificou-se para as Meias-finais, já o Uruguai por sua vez, venceu o Grupo C sem dificuldades e sem sofrer um único golo.

      O Grupo D, talvez o mais fraco da competição, viu os Estados Unidos serem a surpresa e vencerem o grupo só com vitórias, deixando pelo caminho Paraguai e Bélgica.

      As Meias-finais não tiveram história, Uruguai e Argentina, despacharam pelo mesmo resultado (6-1) a fraca concorrência de E.U.A. e Jugoslávia.

      No dia 30 de Julho de 1930, o Estádio Centenário assistiu a consagração da Celeste Olímpica sobre a eterna rival Argentina (4-2), que apesar de contar com o melhor marcador da prova: Guillermo Stabile, foi incapaz de parar o poderio do futebol uruguaio que após três vitórias na Copa-América e duas vitórias no Torneio Olímpico podia agora também e ufanamente reclamar para si o título de Campeão Mundial.

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