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      José Torres: O Bom Gigante

      Texto por Jorge Silva
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      A 8 de Setembro de 1938 nascia em Torres Novas, José Augusto da Costa Séneca Torres. Como tantos jovens, iniciou-se no futebol no clube da terra, o Torres Novas e cedo o seu poderoso jogo aéreo começa a dar nas vistas. Jogador de área, tendo como principal atributo a sua elevada estatura, José Torres foi um dos avançados mais marcantes na história do futebol português.

      Benfica
       
      Em 1959, com 20 anos, chega então ao Benfica. O início de águia ao peito não foi fácil. Teve de enfrentar a concorrência de José Águas que com o seu estatuto de estrela e com o peso de quase uma década ao mais alto nível no clube lisboeta, era na altura o titular absoluto e indiscutível no ataque encarnado. Mas Torres não desanimou e o seu trabalho foi tão forte que na sua 3ª época no clube, ganhou o título de rei dos goleadores no campeonato nacional com 26 golos apontados.
       
      Formou um ataque demolidor, ao lado de Eusébio, numa equipa de sonho onde também pontificavam Coluna, Simões e José Augusto, entre outros. A nível internacional, Torres desempenhou um papel activo na presença do Benfica nas finais europeias de 1963, 65 e 68 contudo, delas nenhuma venceu. O seu nome ficaria ainda gravado permanentemente na história do Benfica pelo seu contributo na conquista de 9 campeonatos nacionais e 3 taças de Portugal e no plano internacional pela conquista de 2 taças dos Campeões Europeus (ainda que não tenha jogado em nenhuma das finais).
       
      Renascimento em Setúbal
       
      Em 1971, nova etapa na vida do “Bom Gigante”. É nesse ano que deixa o Benfica rumando ao Vitória de Setúbal, onde ainda somaria mais 2 internacionalizações pela selecção Portuguesa. Representou as cores do Vitória até 1975, ano em que se transferiu para o Estoril Praia, clube onde permaneceu até 1980 e onde ainda chegou a acumular a função de jogador e o cargo de treinador numa prática que já caiu em desuso nos dias de hoje. Terminou aí a sua carreira aos 42 anos, com o saldo de 217 golos num total de 384 jogos. Um feito!!!
       
      Como treinador orientou ainda o Estrela da Amadora, o Varzim e o Boavista antes de deitar o futebol para trás das costas e dedicar-se a uma paixão antiga: a Columbofilia.
       
      O Magriço
       
      Na Selecção Nacional, Torres assinou 14 golos em 34 jogos. Foi a 23 de Janeiro de 1963 numa derrota caseira servida pela Bulgária por 0-1, que o Bom Gigante se estreou. A estreia não foi boa, mas na sua 2ª internacionalização, Torres acabaria por se estrear a marcar por Portugal. Esteve no apuramento e posteriormente na 1ª fase final de um mundial, disputada por Portugal.
       
      Foi em Inglaterra a 1966, e a par de Coluna, Simões e do inevitável Eusébio, jogou em todos os 6 jogos dessa fase final, contribuindo para um honroso 3º lugar. Tal como na sua estreia, foi a Bulgária que marcou o seu adeus à Selecção das quinas. Foi a 15 de Outubro de 1973 num jogo para o Campeonato da Europa e o resultado voltou a não ser positivo. Um empate a 2 bolas. Este jogo marca também a despedida de Simões e Eusébio da equipa lusa. Mas a história não separou de vez Torres da Selecção…
       
      Deixem-me sonhar...
       
      Vinte anos depois, Torres voltava à prova rainha do futebol mundial agora como seleccionador nacional. Contra todas as expectativas, Torres conseguiu apurar Portugal para o Mundial de 86 a disputar no México, muito graças a um golo portentoso de Carlos Manuel em Estugarda frente a uma República Federal da Alemanha já apurada na altura.
       
      Ao pessimismo generalizado que reinava na imprensa e opinião pública portuguesa face ás possibilidades de lusas de êxito, Torres havia respondido com uma frase que ficou célebre: “deixem-me sonhar”. E sonhou…
       
      Já no México e frente à Inglaterra, tida como a selecção mais forte do grupo, Carlos Manuel voltou a marcar e Portugal a ganhar. 1-0 foi o resultado que surpreendeu o mundo da bola. Foi o início do que poderia ter sido uma nova glória lusitana, mas conflitos internos entre os jogadores e federação, a suspensão por doping de Veloso ainda antes do Mundial e a lesão de Bento, guarda-redes titular à altura, entre outros infortúnios, deitaram tudo a perder e seguiram-se os desaires por 0-1 com a Polónia e o escandaloso 1-3 frente a Marrocos. Despediu-se assim Torres do México, do Mundial e da Selecção.
       
      Últimos anos
       
      Torres viveu um drama pessoal nos últimos anos de vida. Vítima da doença de Alzheimer em estado muito avançado, debateu-se ainda com graves problemas financeiros. Ainda lembrado quer pelo seu percurso como atleta, como pelo seu enorme sentido humano que lhe valeu a alcunha de Bom Gigante, Torres coleccionou amigos durante toda a sua vida, amigos esses que fizeram questão de não o deixar cair no esquecimento prestando-lhe diversas homenagens. 
       
      qos adeptos do futebol português em geral sempre tiveram um enorme carinho pelo bom gigante
      José Torres faleceu no dia 03 de Setembro de 2010, tendo o seu final de vida provocado uma sentida comoção nos benfiquistas e entre os adeptos do futebol português em geral, que sempre tiveram um enorme carinho pelo bom gigante.
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      José Torres
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