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        Euro 1984
        À volta do jogo

        Os 4 treinadores de Portugal no Euro 1984

        Texto por Luís Rocha Rodrigues com João Pedro Silveira
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        Apesar de, na história da humanidade, terem marcado uma era de progresso e inovação, aquando das descobertas do século XV e XVI, a verdade é que, no futebol, os portugueses pareceram sempre «andar dois passos atrás dos rivais» no que toca a inovações. Por isso, foi com espanto geral em toda a Europa que, em 1984, se viu chegarem ao torneio de França com uma inovação nunca antes vista, e nem depois repetida... uma comissão técnica de quatro elementos. Isso mesmo: quatro selecionadores.

        Depois da derrota em Moscovo por 5x0, e após várias situações de desagrado do técnico em relação à disponibilidade dos jogadores permitida pelos clubes, Otto Glória - que já orientara Portugal em 1966 - demitiu-se e regressou ao Brasil, deixando Portugal sem treinador e com o caminho em direção à fase final do Euro 84, deveras complicado. 

        Temporariamente, a Federação Portuguesa (FPF) encarregou um quadrunvirato do comando técnico da seleção, que já fazia parte da equipa técnica do brasileiro ou que o aconselhava através dos clubes mais solicitados: Fernando Cabrita, Toni (pertencia ao Benfica), António Morais (pertencia ao FC Porto) e José Augusto.

        Portugal superou, um a um, todos os adversários, incluindo uma vitória no jogo decisivo contra os soviéticos, e chegou à fase final, onde, para espanto de muitos, se apresentou com o número sui generis de quatro treinadores.

        A UEFA não sabia bem como lidar com a situação e Cabrita tornou-se, na aparência, mas não «de facto», no treinador oficial da equipa das quinas. Porém, tal facto não impediu o assédio da imprensa internacional e, durante semanas, o quarteto português, Chalana e a sua esposa Anabela, sempre presente no estágio, foram as grandes vedetas do Euro, presença constantes nas páginas da imprensa europeia e nos telejornais dos mais diversos canais de televisão do velho continente.

        A situação não podia, obviamente, passar despercebida, e claro que também nem sempre era pacífica, pois a influência dos clubes, embora de forma indireta, acabava por estar presente, numa prova onde estiveram nove jogadores do FC Porto, oito do Benfica e outros três de clubes diferentes (Rui Jordão do Sporting, Vítor Damas do Portimonense e Jorge Martins do Vitória FC).

        Ainda assim, o percurso não refletiu eventuais dificuldades ou discórdias para que as opções fossem tomadas. Depois de empatarem alemães e espanhóis, os lusitanos venceram os romenos e chegaram às meias-finais, onde ficaram a minutos de eliminar a França de Platini, naquela que seria porventura a surpresa da década...

        Comentários (1)
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        YA
        Declíno do Sporting-um pouco de história
        2020-03-24 16h53m por Yazapeyroteu
        Nesta fase, no pós João Rocha, começou o declínio do Sporting em termos futebolisticos. Basta atentar ao pormenor de terem sido nomeados quatro treinadores e todos eles conotados ou com ligação a Benfica e Porto, aproveitando a já habitual crise directiva do Sporting.

        Foi a época da amizade e santa aliança entre Pinto da Costa e Fernando Martins para bipolarizar o futebol português! Claro que ter presidentes incompetentes como Amado de Freitas, Jorge Gonçalves, Sousa Cintr...ler comentário completo »
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