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    O sítio dos Gverreiros
    António Costa
    2024/03/31
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    A Taça de Portugal de futsal vai direta para o museu do SC Braga, depois de uma vitória épica frente ao Sporting CP, conseguida no Pavilhão Multiusos de Sines, onde se disputou a final eight da competição. Vamos fazer a análise desta fase final por partes.

    O Sporting CP chegou à final depois de eliminar o Elétrico e Benfica, antes de chegar a Sines. Nos quartos-de-final eliminou o Belenenses e na meia-final fez cair os Leões de Porto Salvo, ao passo que o SC Braga deixou pelo caminho, pela mesma ordem, o Vinhais, o Torreense, o Rio Ave e o ADCR Caxinas, os dois últimos nesta fase final da competição. Curiosamente, os Gverreiros da quadra não realizaram qualquer jogo em sua casa nesta caminhada triunfal, que sublinha a grande temporada que está a ser realizada.

    Analisando resumidamente os últimos encontros aconteceu um triunfo natural frente ao Rio Ave (4-7), num duelo desequilibrado, em que ficou bem vincada a ideia sobre a possibilidade real dos rioavistas subirem de divisão. O jogo seguinte, no acesso à decisão do troféu, foi frente ao ADCR Caxinas, em mais um duelo entre Braga e Vila do conde ditado pela ironia do sorteio, tendo terminado com uma vitória tangencial (0-1), num resultado pouco visto nesta modalidade de pavilhão.

    A final foi, assim, disputada pelas duas equipas que lideram, com os mesmos pontos, a liga portuguesa, ou Liga Placard como é oficialmente designada, pelo que estavam reunidas as condições para se assistir a um grande evento que elevasse o futsal. O tempo não contrariou as expectativas existentes e foi mesmo um duelo de muita qualidade que Sines pôde presenciar.

    O jogo foi impróprio para cardíacos, com os bracarenses a chegarem ao intervalo a vencer com dois de Rafael Henmi, que brilhou a grande altura no primeiro tempo. Porém, o segundo período iria ser de muita dificuldade, uma vez que do outro lado estava uma equipa leonina que está entre as melhores da Europa, podendo mesmo reconquistar em breve o título europeu, não admirando a resposta surgida, que inverteu totalmente o resultado, graças a um tento de Taynan e dois de Zicky Té, sendo o último de belo efeito, e foi já perto do fim, a jogar em cinco contra quatro, com um jogador no lugar do guarda-redes, que os Gverreiros do Minho empataram por Fábio Cecílio e levaram o jogo para prolongamento. No período adicional, dividido em duas partes de cinco minutos cada, Joel Rocha surpreendeu ao manter o “cinco contra quatro” e o SC Braga chegou ao triunfo por Fábio Cecílio, que não quis ficar atrás de Zicky nos golos e na qualidade dos mesmos, sendo a contagem fechada por Allan Guilherme, numa fase em que os leões desprotegeram a sua baliza em busca do tesouro perdido. Estava feita a História com esta conquista e o projeto vencedor que existe em Braga dava o seu primeiro fruto real, com taça da quadra a viajar para Braga, para orgulho dos braguistas e como consolidação do trabalho realizado durante muitas horas, desde que Joel Rocha decidiu aceitar o desafio de rumar a Braga, onde aprendeu a amar o clube, tal como o Capitão Tiago Brito e o “jovem” Robinho cujas lágrimas no fim são de difícil descrição através de palavras.

    A localização do pavilhão também desprotegia os brácaros, que eram obrigados a fazer muitos mais quilómetros para poder manter o apoio que os seus Gverreiros justificavam. E para todos os adeptos que se deslocaram tamanha distância, tal como muitos deles fazem diversas vezes ao longo da época, vai uma palavra minha de felicitações sinceras, pois mesmo longe conseguiram criar um ambiente único no pavilhão, tal como acontece nos jogos em casa, na maioria das vezes.

    O fim foi de celebração entre adeptos e equipa, onde se conseguia observar o que é um verdadeiro coletivo, bem simbolizado naquela família que integra o grupo de trabalho e entrou para as melhores páginas bracarenses com esta conquista inédita, que se deseja ser apenas a primeira. E como foi lindo ver aquela gente na bancada receber de imediato o troféu das mãos do Capitão, assim como nos cânticos em uníssono, entre equipa e adeptos, que sublinharam bem como a Legião fica mais forte com o apoio dos seus, seja qual for o contexto.

    Os desafios e as exigências aumentaram com este sucesso, como referiu o técnico brácaro no momento de análise à conquista da taça.

    Os meus parabéns aos responsáveis pelo projeto, na pessoa do treinador Joel Rocha, que é um valor acrescentado neste percurso bonito que se tem visto. As palavras deste artigo não são de ocasião pela conquista, uma vez que já escrevi outras vezes e falei na NEXT, nas notas finais em algumas ocasiões, sobre o projeto da quadra do SC Braga. A história bracarense ficou mais rica com este sucesso.



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