betclicpt
      Futebol de Capa e Batina
      Luís Filipe Silva
      2020/03/16
      E1
      "Futebol de Capa e Batina" é um espaço de opinião do advogado Luís Filipe Silva, onde este se propõe a discutir futebol, dando voz a perspectivas para além dos três clubes mais mediáticos, com particular destaque para a sua equipa do coração, a Académica de Coimbra.

      Demorou um pouco, mas finalmente as competições desportivas à escala global pararam de forma generalizada. Com a pandemia do COVID-19, era natural que todos os espetáculos, provas e eventos que pudessem reunir centenas ou milhares de pessoas, desportivos e culturais, fossem suspensos, adiados ou cancelados. Perante o que a humanidade enfrenta, mal era que continuassem a teimar em manter a atividade desportiva profissional, apenas por razões economicistas, acusação que até surgiu pela voz de alguns dos praticantes da modalidade em alguns países que demoraram a reagir.

      Começa-se agora a discutir como o desporto e em particular o futebol pode retomar a sua atividade, concluir as competições interrompidas, sem causar prejuízo para a saúde coletiva, não existindo soluções evidentes.

      Discute-se a hipótese de os campeonatos ser definitivamente suspensos e ser atribuído o título de vencedor ao atual primeiro classificado. Provavelmente isto significaria também a despromoção das equipas que presentemente estejam no fundo da tabelas classificativas. Respeitando os resultados de uma prova de regularidade, estando jogadas já a maioria das jornadas, esta solução continua sem resolver o problema de competições como as Taças ou as provas internacionais, ainda a meio das fases a eliminar e sem possível vencedor. Além disso é legitimo às equipas prejudicadas por esta solução argumentar que ainda teriam forma de inverter a atual classificação, estando alguns campeonatos com diferenças pontuais de um ou dois pontos de diferença entre primeiro e segundo.

      Outra hipótese, discutida em Itália, é a organização de uma final four, com três jogos para definir quem é campeão e quem desce de divisão. Mas qual a verdade desportiva desta solução? Uma prova de regularidade, como são os campeonatos, acaba a ser decidida em poucos jogos de confronto direto, privilegiando quem estiver melhor em dois encontros pontuais, em detrimento de uma época desportiva de meses? Olhando para Itália, na Serie A a Juventus lidera, com 15 pontos de avanço sobre o quatro classificado, a Atalanta. É certo que a Atalanta tem menos um jogo, mas mesmo assim, será justo ter as mesmas hipóteses de vencer o título, quando neste momento está virtualmente afastada da corrida? Esta parece ser uma solução, mais uma vez, pensada com critérios financeiros, já que este tipo de prova teria uma audiência e oportunidade publicitária relevante.

      Por incrível que pareça a solução que mais gostei de ouvir proposta não está sequer a ser divulgada como as duas anteriores e veio de um jogador de futebol, não de nenhum dirigente.

      Wayne Rooney, numa entrevista onde a violência das suas palavras contra a FA ofuscou uma excelente proposta, interligou nesta crise uma oportunidade: gerir os calendários já a pensar no Mundial 2022. O Mundial do Qatar será jogado no Inverno. Ainda ninguém se dedicou a pensar a gestão das competições para este cenário, sendo expectável mudanças pelo menos na época futebolística de 2021/2022.

      A proposta é simples e terá uma lógica dentro deste género: a presente época desportiva terminará mais tarde, já com a pandemia controlada, completando-se as competições que ficaram interrompidas depois do verão, e a nova época desportiva começará no inverno, tendo um calendário mais coincidente com o ano civil. Tal solução possibilita o encerramento desta época por completo, com a realização de todos os jogos e também concluindo as competições a eliminar – nacionais e internacionais. Para além disto, permitirá realizar o Euro 2020 este ano (no inverno), e começar já a adaptar as novas competições e os seus calendários para um Mundial que sendo no Inverno de 2022, nos forçará, com ou sem pandemia, a rever todos os calendários do futebol.

       

      Post scriptum: Este artigo foi escrito a partir de casa. Nesta altura todas as plataformas importam para saudar o esforço dos que tentam cumprir o isolamento voluntários e acima de tudo dos muitos profissionais de saúde, segurança, transportes, etc., que mantêm o país a funcionar e que cuidam dos mais frágeis. Obrigado.



      Comentários (1)
      Gostaria de comentar? Basta registar-se!
      motivo:
      LM
      E o que se faz a seguir?
      2020-03-19 17h29m por lmanuel
      É que após 2022 também se quer que haja futebol.
      O melhor por enquanto é dar algum tempo de espera e ver quando isto se pode ultrapassar e como. Os tempos de suspensão vão ser grandes.
      O lado económico do futebol também não pode ser descurado.
      A prioridade agora deve ser arranjar uma solução equilibrada entre clubes e jogadores para que os clubes não entrem em falência.
      Os campeonatos deste ano, estou convencido que já foram (gostava muito que istonse resolvesse...ler comentário completo »
      OPINIÕES DO MESMO AUTOR
      Este fim-de-semana aconteceu um jogo com uma relevância especial na Primeira Liga portuguesa: o Sporting Clube de Braga recebeu o Sporting Clube de Portugal. Não, não se ...
      05-02-2020 09:47E1
      Custa, às vezes, querer ser inovador, querer melhorar e não saber como. É fácil compreender o impulso de alguns dirigentes para tentar “reinventar a roda”, ...
      30-11-2019 21:43E12
      A Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol encontra-se numa fase histórica e determinante para os seus próximos anos. Amanhã, ...
      20-11-2019 13:20E3
      Opinião
      Livres Sem Barreira
      Márcio Madeira
      Uma peladinha no Maracanã
      Jorge Reis-Sá
      O sítio dos Gverreiros
      António Costa
      Uma peladinha no Maracanã
      Jorge Reis-Sá
      Pelas minhas gavetas do futebol
      Tiago S. Nogueira
      Livres Sem Barreira
      Márcio Madeira