Mete lá Pra Cima
Bruno Matias
2019/02/22
E0
"Mete Lá Pra Cima" é um espaço de opinião livre e direto , acompanhado de uma visão critica do futebol, do desporto e das decisões que o influenciam diariamente.

... é o que resta ao Sporting depois da época que está a fazer. Numa época que já se adivinhava muito difícil, o Sporting tem o campeonato e a champions perdidas e apenas lhe resta lutar pelo 3º lugar e consequentemente o acesso direto à Liga Europa da próxima época. Para piorar o cenário, acaba de cair na Liga Europa (muito por culpa dos erros de Keizer na 1º mão) e tem uma difícil tarefa na 2º mão da Taça de Portugal.

Se é certo que este é o ano zero e que a próxima época já está a ser preparada, também é verdade que ainda falta demasiado tempo para terminar 18/19. E no que resta da presente época, várias são as questões que a direção do clube tem de resolver.

Em primeiro lugar, importa saber se Keizer contará ou não para preparar e iniciar 19/20. Keizer, apesar de ter sido contratado a pensar no mandato da atual direção, tem o lugar em risco caso falhe a final da taça e não garanta o 3º lugar. Olhado com desconfiança no momento da contratação, com entusiasmo nos primeiros 8 jogos e com lenços brancos nas últimas semanas, a margem que o treinador holandês tem junto dos sócios, já de si impacientes, é curta. Não haverá, por isso, tolerância para um início de época errático e Varandas não pode arriscar mudar de treinador logo no início da próxima época, hipotecando mais um ano desportivo do seu mandato e a própria estabilidade da sua liderança.

Este é, aliás, um dos grandes problemas do Sporting. Se a instabilidade sempre existiu (e os mandatos de Bruno de Carvalho não foram exceção) todo o processo que culminou nas eleições de setembro passado criou divisões profundas na massa associativa que são dificilmente ultrapassáveis na ausência de títulos. Para ajudar a tudo isto, Bruno de Carvalho continua por aí, disparando contra tudo e contra todos (desta vez em livro), estimulando ainda mais o ruído e as divisões entre sócios.

É por tudo isto que o próximo ano e meio será decisivo para o futuro do Sporting.

Em primeiro lugar, o Sporting não se pode dar ao luxo de dar 3 anos de vantagem aos seus rivais diretos no que diz respeito à entrada direta nesta nova champions ainda mais milionária, A qualidade da equipa de futebol sénior, cada vez mais dependente dos milhões europeus, arrisca-se a distanciar-se cronicamente dos seus diretos rivais com consequências graves para um clube que pretende lutar pelo título todos os anos.

Noutra perspetiva, o Sporting, para encontrar o seu caminho e voltar a estabilizar, precisa de ultrapassar as feridas profundas deixadas pelo verão de 2018 e voltar a ter a massa associativa unida em torno do clube. E não há outra forma, neste momento, para criar união: ganhar títulos e terminar com o jejum que já vai em 17 anos.

Por fim, o futuro a médio-longo prazo para o clube leonino. Nenhum clube consegue ter sucesso com regularidade se não tiver uma estrutura diretiva estável, com capacidade para implementar políticas a longo prazo que não serão percetíveis para o comum dos sócios a curto prazo. Para vencer é preciso construir uma estrutura diretiva estável, com um plano bem definido e que não seja colocado em causa ao primeiro desaire. Contudo, o Sporting de Varandas não tem o tempo necessário para construir o futuro sem títulos no museu, correndo o risco de ser vítima da impaciência e da divisão interna reinante no clube.

É neste caminho de pedras que caminha hoje o Sporting e é por isso que a próxima época é tão importante. Varandas, pelas políticas que tem prosseguido, nomeadamente nas escolhas para a estrutura de futebol e pela aposta notória na Academia, parece estar a querer criar um projeto a longo prazo que dá perspetivas animadoras para o futuro. Resta saber se terá tempo para implementar com a tranquilidade necessária o seu plano. Para isso, precisa de pensar a longo prazo sabendo que precisa de ganhar já para ganhar créditos junto da massa associativa.

Com esta conjuntura, o desafio é enorme. Mas se o desafio é enorme, é também nestas alturas que os grandes líderes florescem e garantem o seu lugar na história dos grandes clubes.

Já quanto a nós, sportinguistas, até ver se Varandas se tornará ou não num Presidente para a história, resta-nos aguentar e ter esperança que este sporting de 18/19 seja uma espécie do Porto de 01/02. Se o for, lá para maio de 2020 estaremos todos a festejar no Marquês e por esse mundo fora. Que assim seja...  



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