O sítio dos Gverreiros
      António Costa

      Bola que rola

      2024/07/07
      E0
      "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

      E lá começou tudo outra vez, como referi no meu último artigo aqui publicado. A bola já rola no SC Braga em modo de jogo-treino e o primeiro aconteceu, na Suíça frente ao FC Sion. Era um duelo à porta fechada, mas que alguns emigrantes braguistas tiveram o privilégio de ter presenciado, ainda que por fora da vedação, como prémio pela distância percorrida em busca de um jogo de treino ao qual não tinham acesso e que no final teve o momento de comunhão entre a equipa e os adeptos, que já se tornou um hábito saudável. O lema tem de ser sempre “onde há um Gverreiro está representada a Legião”.

      O resultado, que nestas aturas pouco releva, traduziu-se numa vitória clara arsenalista (3x0), com Banza a juntar-se às estreias de Amine El Ouzzani e de Robson Bambu a marcar pelos brácaros, num duelo em que ficou evidente a superioridade lusa frente aos helvéticos.

      O plantel começa a ganhar contornos mais definidos, ainda que para já seja um esboço que pode ser retocado a qualquer momento, em função das necessidades financeiras regulares e da avaliação feita por Daniel Sousa e os seus acompanhantes. Como se percebe já existe uma bola que rola em Braga, não só nos treinos como também nos jogos particulares que funcionam como um treino e tentam aproximar o contexto de competição nesta fase preparatória. É preciso simular situações reais para que o individual se associe coletivo em resposta aos desafios vindouros.

      A preparação bracarense prosseguiu com o estágio de Franca e mais dois jogos realizados em terras suíças, de novo frentes a clubes helvéticos. Num só dia, o SC Braga realizou dois jogos, dividindo o plantel em dois de modo a formar dois onzes competitivos, porque vencer não é o mais importante, mas a imagem também passa pelos resultados obtidos.

      A preparação começou de manhã, frente ao FC Stade Lausanne-Ouchy, com um triunfo tangencial, com Banza a mostrar que podem contar com ele, se ficar mesmo em Braga, porque ainda sabe como se marcam golos e já fez dois nestes duelos preparativos. Pela tarde, a anteceder o jogo da seleção lusa de má memória, os Gverreiros do Minho bateram o conjunto do FC Lausanne-Sport por 3x1, com golos de Victor Gómez, Ricardo Horta e El Ouazzani, que marcou pela segunda vez, na primeira ocasião em que as portas de um jogo arsenalista se abriram, o que possibilitou haver adeptos a ver o jogo, emprestando um calor humano que, por certo, conforta todo o grupo de trabalho. Este foi o último encontro realizado no estrangeiro em forma de treino, porque em breve os brácaros viajarão até à Bulgária para disputar a segunda mão de pré-eliminatória de acesso à Liga Europa, frente aos israelitas do Maccabi Petah-Tivka, que pouco diz aos portugueses, mas que recomenda muitos cuidados devido a esse desconhecimento.

      O “vício” de vencer manteve-se intacto nos jogos realizados, algo que faz sorrir o grupo nesta fase dos trabalhos. Obviamente que, como já referi, os resultados não contam quase nada em comparação com os treinos aquisitivos de Daniel Sousa e a sua equipa técnica, com destino a um processo evolutivo que seja capaz de preparar convenientemente a equipa para os jogos a doer, que começam em breve. 

      Este artigo termina por aqui, mais curto do que o habitual, com uma nota final negativa para a seleção de Portugal que caiu do Europeu 2024 frente à França, num jogo em que os lusitanos fizeram o suficiente para vencer, pois os dois falhanços flagrantes do prolongamento, além de outras chances havidas, foram pagos a um preço elevado no momento em que o nulo foi desempatado pelos pontapés de grande penalidade, dado que Diogo Costa desta vez não conseguiu desempenhar o papel de super-herói do jogo anterior e João Félix viu bater o seu remate no poste que espoletou a crítica generalizada. São momentos dolorosos, mas no “mata-mata”, como alguém diria, uns ficam a sorrir sem se importar das lágrimas do seu adversário, prostrado no relvado.



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